terça-feira, 3 de outubro de 2017

One More Night - Capítulo 15



Narrado por Miley

Meu programa com Glen Haryson, o único herdeiro das Companhias Haryson seria essa noite. 

Eu ainda custava a acreditar no tamanho da cara de pau desse homem. Só porque soube que amiguinho dormiu comigo, agora queria fazer o mesmo também. 

Era o tipo de atitude infantil e machista que eu naturalmente detestava, mas preciso confessar que dessa vez não achei nenhum pouco ruim. Glen era bonito demais pra que eu se quer considerasse recusa-lo, e ainda por cima era indiscutivelmente gostoso e bom de cama, de modo que não seria nenhum sacrifício da minha parte abrir-lhe uma exceção. Sem contar que ele também tinha uma das características que eu mais admirava em um cliente: era bastante generoso.

Levei um tempinho a mais me preparando pra essa noite. Escolhi um lingerie delicado e provocativo, vermelho, pois sabia que ele gostava. Também um vestido desnecessariamente curto e saltos altíssimos pra compensar os prováveis um metro e oitenta do meu cliente.

Peguei-me fantasiando o Glen com um daqueles ternos bem cortados que se ajustam perfeitamente em todos os lugares certos...

Sorri satisfeita pro meu próprio reflexo tanto por minha aparência quanto por meus pensamentos nenhum pouco decentes.

Eu não era o tipo que me iludia com um cliente. Já atendi muitos homens como Glen: ricos e atraentes, sabia bem que pra eles eu não passava de uma mera distração. Estava acostumada demais a lidar com empresários da alta sociedade, bem-sucedidos, com seus ternos muito bem alinhados, sapatos de couro italiano e carros caríssimos. 

Todos eles tinham uma coisa em comum: Todos achavam que eram os donos do mundo.

Há algo que essa estirpe de homem considera másculo em contratar uma garota de programa. Como se apenas por me verem e me tocarem eles automaticamente se sentissem mais viris, mais ousados, mais poderosos...

A sede por poder é sempre grande influenciadora da maioria das decisões masculinas.

O fato realmente relevante aqui é que eu ofereço a eles um nível de prazer que garota comum nenhuma, seja ela namorada, esposa ou peguete jamais oferecerá. Não por que elas não possam ou não estejam dispostas a tal, mas apenas porque dentro da cabeça deles eu faço parte de um imaginário malicioso e proibido a que poucas mulheres pertencem.

Eu sou aquela mulher que pode satisfazer qualquer fantasia. Aquela com quem nada é proibido. Aquela que não importa sua potência ou tamanho, sempre vai dizer-lhe que é o melhor que já teve na cama. A que nunca vai julgá-lo ou criticá-lo, apenas satisfaze-lo de maneiras inimagináveis. 

Vou contar um segredinho sobre a maioria dos homens: Eles são criaturas com alto grau de carência e baixa autoestima. Se você os põe pra baixo, eles se sentem miúdos e insignificantes. Já, se do contrário, você os elogia eles se inflam e estufam o peito pois são tão crédulos quanto uma criancinha e acreditam em tudo o que você lhes disser.

E o que você disser que ele é, ele será.

Alguns poucos são exceções a essa regra. Muito poucos.

Cheguei a casa de Glen. Casa é apenas uma maneira de falar, pois o monumento ocupava pelo menos um quarteirão e meio.

Dessa vez não fui com John e sim de táxi, pois ele tinha outros afazeres com os quais eu não me importava a ponto de querer mais detalhes. 

Da última vez que estive com o Glen nós fomos para um motel cinco estrelas, mas por algum motivo ele marcou nosso encontro em sua própria casa e eu não discordei.

Toquei a campainha e ele mesmo veio abrir a porta. Diferente do que imaginei ele trajava calças jeans e uma camisa pollo. Estava bonito, é claro, mas me decepcionou um pouco. Eu gostava especialmente de como seu corpo másculo ficava bem em seus ternos feitos sob medida.

- Lola! – Ele abriu um sorriso impecável – Entre, por favor! 

- Espero não ter te feito esperar demais! – Ofereci um sorriso gentil. Tirei meu casaco enquanto adentrávamos a sala e o assisti me assistir.

Glen se aproximou de mim e me tomou pela cintura. Normalmente ele não era tão afoito, mas eu estava longe de reclamar por isso. Apenas um beijo: Feroz e sensual, bem ao seu estilo.

Seus braços logo me abandonaram novamente quando ele foi até o pequeno barzinho e nos serviu dois drinks.

- Fiquei pensando se você iria aceitar vir me ver. – Ele começou uma conversa, entregando-me o meu copo.

- Por que não viria? – Eu o encarava enquanto remexia o meu drink. Não gostava de beber durante o trabalho, nunca gostei, mas alguns clientes ofereciam e quando isso acontece você não pode bancar a chata, então apenas aceita o copo e disfarça que na verdade não está bebendo. – Nunca recusei qualquer convite seu, Glen, pelo menos não que eu lembre.

- Sinceramente, achei que essa seria a primeira vez. – Ele deu de ombros como se estivesse dizendo algo óbvio – Já que agora você atende exclusivamente o Richard Blaick. – Ele rolou os olhos ao dizer o nome. Por algum motivo ele também detestava o meu cliente. Blaick era mesmo bom em atrair desafetos – Mas como você abriu uma exceção para o Nicholas...

- Aí você achou que eu iria ter que abrir uma exceção pra você também? – Completei com um questionamento proposital, pra deixá-lo sem graça mesmo. Eu mantive um sorriso simpático, mas essa atitude do Glen me fazia querer gargalhar. Ele me queria agora só porque soube que transei com o amiguinho e de repente eu virei o brinquedinho pro qual ele nunca ligou, até ver o outro pegar.

Resolutamente os homens são todos patéticos. Com essa coisa de posse e ficar medindo pau constantemente. Como se a confirmação de sua masculinidade só se desse através de provas ridículas como essa.

- Pelo menos era com isso que eu estava contando! – Glen tinha um sorriso malicioso, o que combinava perfeitamente com sua personalidade.

Ele era muito jovem e o único herdeiro de um império milionário. Obviamente era um tanto quanto mimado, acostumado a ter tudo o que quer, a hora que quer. Deve estar habituado demais a tratar as mulheres como simples objetos, e na verdade acho que deve tratar a maioria dos homens do mesmo jeito também.

- Bem, eu estou aqui, não estou? – Deixei o copo de lado e me aproximei dele. 

Glen era muito bom no jogo da sedução, mas eu era melhor, mais experiente. Ele é bonito demais e rico também, na maior parte das vezes não precisa fazer o menor esforço.

Envolvi minhas mãos em seus cabelos e acariciei sua nuca. A carícia mais infalível de todas quando o assunto são homens. Todos adoram, indiscutivelmente.

Suas mãos vieram para a minha cintura e pude senti-lo ficar tenso ao sentir o aroma do meu perfume.

- Você gosta? – Provoquei-o raspando as pontas dos dedos em seu peito, numa carícia muito sutil.

- Adoro. – Ele murmurou ao meu ouvido – Adoro tudo que vem de você!

Eu não me importava muito com as reações que causava na maioria dos homens. Era apenas parte do meu trabalho deixá-los loucos de tesão nas preliminares. No entanto, em algumas ocasiões excepcionais era particularmente divertido excitá-los e assisti-los tentar manter a racionalidade e o bom senso quando tudo que conseguiam pensar era em sexo comigo.

- Pra você tudo bem se pularmos o jantar e fomos logo ao que interessa? – Perguntou encarando minha boca. Na verdade, ele estava dividido entre a boca e o meu decote, mas eu fingi não reparar isso pra manter sua boa reputação.

- Não vejo nenhum problema nisso! – Sorri e dessa vez eu beijei sua boca.

Glen fez com que eu passasse as pernas ao redor de seu quadril. Segurou-me pela cintura e enquanto eu repuxava sua camisa, tentando livrar-me da peça, subiu as escadas comigo em direção ao seu quarto. 

(...)

Narrado por Nicholas

Eu tentei inutilmente não passar os últimos dois dias pensando no meu amigo comendo aquela maldita mulher dos infernos. Só que imagens dos dois em posições nenhum pouco convencionais ficavam me assombrando sempre que eu não entupia o meu cérebro com trabalho ou álcool.

A pior parte é que eu odiava não só a ideia de Glen transando com a Miley, mas a ideia de qualquer outro cara fazendo o mesmo e isso era a coisa mais patética que eu poderia arrumar pra odiar, levando em consideração a profissão dela.

E por falar nela, a intrusa estava constantemente em meus pensamentos, em cada um deles. 

Não em pensamentos comuns e rotineiros, esses eu consegui manter a salvo. Mas sempre que eu penso em sexo, e desde que a nossa pequena experiência esse virou um pensamento constante, ela faz parte. Como se ela tivesse se tornado alguma espécie de protagonista erótica de todas as minhas fantasias.

Eu só tive noção do quão fodido eu realmente estava quando eu saí hoje de manhã pra almoçar com uma estagiária novata da Blaick Inc. A menina era bem gostosinha, com um bumbum do tipo que dava asas a imaginação. Obviamente não era tão gostosa quanto a Miley, mas ela até fazia frente à concorrência.

A garota a qual por algum motivo eu não consegui gravar o nome, já estava me dando mole desde o seu primeiro dia na empresa e hoje eu finalmente tirei um tempo e almocei com ela. Ouvi toda aquela conversa mole de “sou uma garota decente”, mas a entrelinha era bem clara: Eu quero dar pra você. Só que vou fazer um pouco de doce primeiro.

E embora eu não fosse recusar o sexo, se ela propusesse, eu não estava com a menor paciência pra esses joguinhos.

E quando eu cheguei em casa agora depois do trabalho, não era na estagiária que eu estava pensando...

Não pensei nela durante a tarde, ou se quer no tempo em que passamos juntos durante o almoço. Até quando ela jogou charminho e se insinuou pra mim no happy hour eu estava distante...

É como se eu não conseguisse desejar mais ninguém, como se não quisesse desejar mais ninguém.

Só ela.

Ainda que eu acabasse transando com aquela estagiária ou com qualquer outra garota, a verdade é que eu ainda iria preferir que fosse com ela.

Como se a minha vida já não estivesse fodida o bastante!

E agora o meu melhor amigo iria transar com a porra da mulher que eu não consigo tirar da cabeça.
Sem pensar muito eu peguei as chaves do meu carro e olhei no relógio, ainda era cedo. Se eu fosse rápido talvez ainda tivesse alguma coisa que eu pudesse fazer pra impedir que isso rolasse.

(...)

Bati na porta com força e antes que eu derrubasse alguém veio atender.

- Nick? O que você... – Ela quis saber

- Cadê a Miley? – Interrompi

- Ela saiu. Tinha um cliente hoje, mas o que foi que aconteceu?! – Demi me olhava sem entender minha atitude.

- Merda! – Eu dei as costas pra minha amiga sem dar-lhe nenhuma explicação.

Eu sabia que era loucura. Sabia que estava agindo feito um inconsequente, mas a minha cabeça não estava mais raciocinando direito. O meu corpo estava agindo sozinho, ainda que o meu cérebro dissesse que era burrice. Tudo que eu conseguia pensar era que eu não queria que rolasse.

Não queria.

Entrei no carro e dirigi. Borrões sem forma passavam por mim do lado de fora.

Se rolasse eu nunca iria conseguir perdoar o Glen. Iria odiá-lo com todas as forças e sem nenhum motivo. Além disso, perderia o meu melhor amigo, pois eu iria arrebentar a cara dele e isso estragaria a nossa amizade.

Cheguei à casa de Glen e ainda não sabia o que eu iria dizer ou o que eu iria fazer. 

E se ela já tivesse chegado?

E se já estivesse rolando alguma coisa? 

Ainda assim não me contive e toquei a campainha. 

Agora não tinha mais volta.


Continua...

sábado, 30 de setembro de 2017

One More Night - Capítulo 14

Capítulo 14
Miley Narrando

            A expressão de incredulidade do Nick era impagável! Ele, com certeza, esperava que qualquer outra pessoa fizesse esse trabalho, menos eu. O seu orgulho ridículo era o principal responsável por isso. Sabia que de jeito nenhum ele queria dar o braço a torcer para depender de mim, principalmente para um trabalho daquele porte. E confesso que uma das principais motivações para vir aqui entregá-lo pessoalmente era me divertir em pisar um pouquinho no seu ego enorme e mostrá-lo que o seu tão prezado e bem feito trabalho estava dependendo de mim naquele momento.  Eu sei. Poder é viciante.

            -Quanto que te devo? – ele perguntou meio seco, mas dava para perceber que o seu olhar sobre mim estava longe de ser indiferente quanto ele forçava em sua voz. Seus belos olhos não mentem. 

            -Não vai sair barato, Jonas. Mas eu sei o quanto você está nervoso, então eu vou ser legal com você.  – eu disse sem conter meu sorriso debochado. – Podemos negociar o preço da minha tradução depois.  Apresente esse relatório e depois conversamos sobre o preço. Pode ser?

            O seu estresse era visível. Apoiou uma de suas mãos sobre o quadril e a outra passou pelo seu rosto em um gesto nervoso, antes de responder. Ele estava mesmo criando muitas expectativas com essa reunião. – Eu estou ótimo.

            -Claro que está. – ironizei, antes de alisar o seu braço, num súbito de empatia. – Vai dar tudo certo. Você fez um bom trabalho.

            Nick me encarou sem acreditar no meu gesto. Acho que nem eu acreditei muito no que disse. Ele não merecia essas palavras, mas era a pura verdade. Aquele trabalho está bem minucioso, bem estudado, escrito, planejado e calculado num nível mais alto de profissionalismo e inteligência. Sei também o quanto Blaick pode ser exigente com os seus funcionários, mas imagino que aquilo iria muito mais além. Havia uma guerra fria entre gigantes ali. A diferença é que só um deles está no poder.

            -Obrigado. – ele respondeu meio sem graça e confesso que achei adorável.  –Conversamos então depois?

            -Pode ser. Mas não pense que vai conseguir escapar. – eu apontei meu dedo em riste.

            -Eu não sou homem de fugir do que devo. – ele respondeu, finalmente ignorando a sua ansiedade para me encarar nos olhos. – E nem do que quero.

            Senti um duplo sentido na sua ultima frase. E puta merda, como eu senti. Senti através de uma onda de calor tomando o meu corpo mais uma vez essa semana. Quando dei por mim, já havia dado mais um passo em sua direção e ele mais um, nos deixando numa distancia perigosa demais para o nosso autocontrole. 

            -Que bom, porque eu não deixaria você fugir. – eu me diverti com a ideia de entrar na brincadeira dos duplos sentidos. Passeei minha mão delicadamente pelo seu terno, numa desculpa para poder tocar o seu tórax. Tenso, Nick acompanhou a minha carícia com os olhos, como se qualquer toque já fosse tentação demais para ele. – Nem que eu tivesse de amarrar você. –a última frase eu deixei escapar num mais baixo, muito mais envolvente e ambíguo. Minha mão se enrolou na sua gravata e a segurou firmemente.

            Nick abriu um sorriso sedutor e senti o ar ficar cada vez mais denso. –Se for assim, acho que arriscaria tentar só para ver do que você é capaz.

            Eu queria muito beijar aquele homem. Nossa, como queria! Aquela boca maldita me chamando para provar um pouco mais. Brincar com o perigo, enquanto beijo o Nick no mesmo trabalho do que o meu cliente, em pleno horário de serviço.  Quanto mais eu lembrava o quão proibido aquilo era, mais tentada eu ficava em acabar com aquela distancia entre nós de vez. Eu soltei aos poucos a sua gravata azul.

            -Eu sou capaz de muita coisa quando me provocam desse jeito... – eu disse, observando Nick lamber o próprio lábio inferior.  Lembranças do que aquela língua maravilhosa fez comigo tomaram a minha cabeça. O modo como ele encarava minha boca já entregava o quanto ele também queria aquele beijo.

            Sua mão suavemente tocou a minha cintura e ele deu mais um passo para frente, sem quebrar o contato visual comigo. Seu toque hesitante mostrava que dessa vez ele estava disposto a estudar a minha reação, esperando mais outro tapa no rosto, caso avançasse demais. Ah, mas eu não estava disposta a interromper o seu avanço. Não mesmo! Porém mantive minhas mãos sob controle. Sabia que se àquela altura eu o acariciasse mais, o tocasse demais, eu não conseguiria parar.  

            Estava pronta para sentir sua boca novamente beijando a minha, quando ouvimos o barulho de alguém chegando. Eu e Nick nos afastamos rapidamente, já reconhecendo o barulho daquele andar e a conhecida voz. Richard abriu a porta e suspirei aliviada por termos sido atentos o suficiente.

            À primeira vista, Blaick nos encarou confuso. Ele não esperava minha presença ali logo hoje.  Eu ainda estava vestida com a minha roupa do trabalho e pouca maquiagem, bem diferente da Lola que ele estava acostumado a encontrar.

            -Lola? O que faz aqui hoje? – ele perguntou curioso.  –Poderia ter me encontrado no meu escritório, se quisesse.

            -Eu estava conversando com o Nick sobre a sua agenda hoje. –eu menti, enquanto caminhava em sua direção e coloquei minhas mãos em sua nuca e arranhei de leve a sua pele, num carinho que eu sabia que ele gostava. - Queria fazer uma surpresa para você, mas não quero atrapalhar os seus compromissos...

            Ele sorriu com a minha desculpa e, delicadamente jogou o meu cabelo por trás do meu ombro e acariciou o meu rosto, me observando. –Está diferente.

            -Achei melhor vir mais discreta, para não chamar a sua atenção. – me aproximei do seu ouvido e sussurrei. -Pode levar a sua “nova estagiária” para ensinar umas coisas no seu escritório, se preferir. – eu abri um sorriso sacana para ele e Richard claramente gostou da ideia, me puxando pela cintura para perto de si.

            -Você fica linda de qualquer jeito. – ele comentou, com um sorriso divertido no rosto. – Mas hoje eu tenho convidados importantes e o prédio está a todo vapor. Além do mais, tenho um voo para Londres daqui a pouco. Mas com certeza, eu vou querer matar saudades de você quando chegar daqui a dez dias...  – suas mãos acariciaram as minhas costas. –Podemos tirar uns dias juntos numa casa de praia em Hamptons.

            -Seria ótimo. Tudo o que você quiser, Richard.

            -Senhor Blaick. – ouvi a voz do Nick soar mais ríspida e séria do que o comum, mas eu sabia o quanto ele se controlava para não deixar claro o seu repentino mal humor.

 Me virei para ele, assim como o seu chefe. Nick estava puto e eu mordi o lábio, tentando não sorrir ao perceber que esse mal humor era por minha causa.

            -Falta pouco tempo para o seu voo. O seu motorista já deve está lá embaixo o aguardando. 

            Blaick encarou o seu relógio para verificar a hora. – Tem razão. Os relatórios já estão prontos, Nicholas? – Nick apenas mostrou os relatórios que eu tinha acabado de entregar,  como resposta.  -Quero um feedback da reunião assim que eu desembarcar. Não me decepcione.

            -Sim, senhor. A reunião será um sucesso. – ele respondeu confiante.

            -Assim espero. – Richard respondeu antes de voltar a atenção para mim. –Adorei a visita surpresa, minha linda. Sua presença é sempre um prazer, mas eu tenho que ir.

            -Boa viagem. – eu disse antes de receber um beijo apressado de Richard. Nick deve estar para morrer! E não nego que era a boca dele que eu queria estar beijando agora.

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Nick Narrando

            A reunião tinha sido um sucesso. Os representantes de Hirawa se entusiasmaram com os ótimos dados e estudos que eu tinha apresentado. Como eu planejava, eles fecharam o contrato ali mesmo. Estava tudo programado por Blaick para que eles decidissem definitivamente a parceria num contrato quando ele estivesse de volta daqui a dez dias, mas os japoneses não perderam tempo. Além do mais, tempo é dinheiro. E isso eu estava certo que não estavam dispostos a perder. Estava planejando contar a notícia pessoalmente, só para ver a cara de bocó que o me chefe faria. Mas eu sei que amanhã, assim que ele se recuperar da viagem, ele vai querer as notícias em detalhes do que aconteceu hoje por telefone.

            Já era noite, mas as ruas ainda estavam movimentadas. Normal, para a cidade que nunca para. Adentrei o The Diner, um restaurante e cafeteria daqui por perto, conhecido pelos seus famosos brunchs. Combinei de encontrar com Miley nesse lugar agora, depois do meu expediente. Eu sei que ela estava disposta a cobrar um alto preço pela trabalhosa tradução de ultima hora e eu sei que o serviço não foi pouco. Além do mais, estava com um excelente humor para pagar um generoso valor.

            Pedi um café, panquecas, ovos e bacon para a garçonete, enquanto a Miley não chegava. Eu estava morto de fome e não é para pouco. Estava tão atarefado e preocupado com tudo dar certo que nem mesmo havia almoçado. Hoje eu treinaria meu box em casa e deveria estar, no mínimo, bem alimentado.

            Quase fomos pegos hoje. Lembrei do quanto eu queria beijar aquela maldita no meu escritório e por pouco Richard não nos pegava no flagra. Com certeza, se isso acontecesse a Miley estaria encrencada e eu com certeza, no olho da rua. Lola virou a menina dos olhos de Richard. A verdadeira obsessão e a mais preferida diversão dele. Ver o seu assistente beijando com vontade a sua garota o deixaria possesso. Ele não pensaria duas vezes antes de acabar comigo. Assim, como eu queria acabar com ele quando o vi a beijando na minha frente, como se eu não estivesse ali.

            É ridículo, eu sei. Para quem já viu ela sendo chupada em cima da mesa do escritório do chefe, a ver beijando agora não deveria ser grande coisa. Mas eu estava louco para tê-la de novo. Aquele clima de hoje pedia para aquela boca estar beijando a minha e não a dele.

            Realmente, o tesão por aquela mulher já está me perturbando de vez.

            O meu pedido chegou e poucos minutos depois, Miley adentrou o restaurante. Ela ainda estava com a mesma roupa de ainda cedo, com o rosto mais cansado. Mas ainda sim, continuava estupidamente linda.  Ela se sentou  à minha mesa e encarou o meu prato com uma expressão de estranhamento.

            -Brunch à essa hora? - foi a primeira coisa que ela disse.

            -Sempre é hora para um brunch. – eu respondi, antes de tomar um gole de café. Eu deveria estar como um morto de fome, porque ela sorriu com a minha reação. Essa mulher deveria ser proibida de sorrir de jeito para alguém. É de enlouquecer qualquer um.

            -Bom, vamos ao que interessa. – ela disse se acomodando mais no banco acolchoado. –Quero 900 dólares pela tradução.

            -4 mil dólares pelo programa e agora quase mil pela tradução!? Você quer me ver sendo despejado do meu apartamento, é?

            -Primeiro, quem insistiu pelo programa foi você. – ela disse se apoiando com os braços sobre a mesa, aproximando o seu rosto.  – Segundo, não é culpa minha que você quis fazer um relatório enorme para depois traduzir. Eu cobro por página. Nada mais justo. E você ainda ganhou aquele prêmio exorbitante em Las Vegas, pode muito bem bancar.  – roubou um bacon meu e comeu. – Como vai pagar?

            -Tudo bem... Vou te pagar só porque me quebrou um galho. – eu suspirei, tirando o meu talão de cheques. Preenchi o cheque e entreguei a ela.

            -Tem mais um coisa que preciso de falar. – ela disse guardando o cheque em sua carteira e depois voltou a sua atenção a mim. – Você sabe que aquele programa com você o primeiro e último né?

            -Por quê? – ela não gostou? Não é possível que ela finja tão bem. Fala sério, ela estava adorando!

            -Por pouco eu perco de vez o vinculo com Richard por sua causa. Glen foi pedir para John para abrir uma exceção para ele também, assim como abriu para você.  –presumo que John deve ser o seu cafetão.  – John quase me cortou a cabeça fora, tá bom? E eu preciso desse dinheiro! Então não insista mais nisso, por favor.

            Ela precisa do dinheiro? Precisa para que? Então ela vai transar com o Glen mais uma vez?

            -Você abriu uma exceção para ele? – eu me entreguei à curiosidade.

            -Abri. Vou me encontrar com ele depois de amanhã e depois disso eu vou precisar ser totalmente exclusiva, entendeu? John está na minha cola agora depois desse deslize. – ela roubou mais um bacon meu. – Tenho que ir.


            Ela foi embora, me deixando com uma curiosidade inquietadora. Eu sei que ela falou demais e nem mesmo percebeu. Estava cansada e estressada demais para perceber que me disse informações que antes não queria me contar. Por que ela precisa do dinheiro do Blaick? 

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

One More Night - Capítulo 13



Narrado por Miley

- Às vezes eu acho que você está me perseguindo. – Digo com um meio sorriso ao dar de cara com Jonas na cafeteria próxima ao nosso prédio.

- Você não é o centro do mundo, Miley. – Ele retrucou sarcástico - Nem tudo que as pessoas fazem tem a ver com você. – Ele me pareceu um pouco chateado, mas eu não o conhecia o bastante para dizer se não era apenas mais uma das facetas de sua tão “magnifica” personalidade.

De qualquer forma, ele não me parecia nada bem.

Pagou por seu pedido e ia nos dar as costas. Antes disso, Demi se aproximou dele e, de um jeito carinhoso, colocou a mão em seu ombro.

- Nick, eu vim aqui tomar um café e relaxar um pouco. Ando trabalhando demais! – Ela sorriu e eu me dei conta de que para a Demi o Jonas era alguém realmente importante, pois ela jamais relaxa ou faz uma pausa, a menos que ache que alguém precisa desabafar e ela é definitivamente a melhor ouvinte - Por que não fica e me faz companhia? A Miley...

- E eu já estou de saída! – Completei imediatamente, antes que ele simplesmente recusasse.

Ele me olhou, analisando-me. Havia notado a maquiagem chamativa, os saltos e o sobretudo que cobria um vestido festivo.

O meu visual da Lola, tão conhecido por ele.

Jonas apenas assentiu e os dois foram para uma das mesas vagas próximas as janelas. Deixei-os para trás e caminhei até o carro parado do outro lado da rua, onde John me esperava. Richard queria me ver essa noite e ele ficou de me levar até o hotel.

Antes de entrar no veículo, olhei pra trás uma última vez e vi a Demi tocando o rosto do Jonas e eles se olhando de um jeito profundo. 

Eu sabia que eles não tinham nenhum tipo de envolvimento amoroso, os dois eram só amigos.

Acho que seria muita sorte se apaixonar por um amigo. Alguém que te ama e que se importa incondicionalmente. A vida seria tão mais simples se a gente simplesmente pudesse escolher por quem se apaixonar...

Só que a gente não escolhe.

Entrei no carro e John dirigiu em silencio até hotel onde eu deveria encontrar Blaick em alguns minutos. Estranhei, pois, o John era o tipo falador, que adora o som da própria voz. Ainda assim seguimos até o local e entramos juntos. 

John sempre me aguardava nos programas. Ele dizia que era pra minha segurança. Eu digo que é pra segurança dele. Para garantir que eu sempre vou lhe dar a sua parte.

Atravessamos o hall, como de costume. Passávamos aos demais a imagem de um casal indo se hospedar no hotel, tudo pra proteger a reputação imaculada de Richard Blaick. Assim nem se quer os empregados do hotel sabiam que o milionário estava ali pra passar algumas horas com uma garota de programa.

Procurei na minha bolsa o cartão-chave da suíte que Blaick locava para os nossos sucessivos encontros. 

Foi muito sutil, mas completamente intenso. Senti o John me puxar pelo braço e tomei um susto.

Ele sabia como lidar com essas situações, em momento algum quis me machucar, mas ainda assim eu não conseguiria me soltar de seu aperto nem que tentasse. Tirou o cartão-chave de minhas mãos e o entregou a uma outra garota. Ela era loira e linda, devia ser ainda bem jovem, ou pelo menos era o que aparentava.

John cochichou alguma coisa para ela e então guiou-me até o bar e me fez sentar ao seu lado. Pediu uma bebida e finalmente me encarou.

Soube imediatamente que ele estava com raiva, mais que isso até, ele estava puto.

- Quem era aquela garota e por que você entregou a minha chave? – Arrisquei. Talvez se eu começasse a discussão fosse sair ganhando.

- Garota, o que você pensa que está fazendo? – Ele mantinha o tom de voz baixo, quase um sussurro, mas era grave o bastante pra eu saber que era uma bronca – Está querendo ferrar com tudo? Sabe quem é Richard Blaick? Se não sabe, deixa eu refrescar essa sua memória fraquinha: Ele é a porra do bilionário que banca o tratamento absurdamente caro da sua querida sobrinhazinha! Lembra disso?! – Bufou – Só que aí você vai lá, dá uma de puta burra e dá pro assistente dele. O assistente! Nunca achei que você fosse tão inteligente, mas também não sabia que era estúpida a esse ponto!

- Como você...

- Eu estou nesse negócio a anos! E sou um cara precavido, também. Mantenho todas vocês sobre vigilância constante, você sabe, por segurança.  – Ele deu de ombros como se tivesse acabado de dizer a coisa mais normal do mundo.

Eu não tinha gostado nada de saber disso, é claro, mas eu tinha problemas maiores agora.

- John, eu...

- Não, nem começa! – Ele interrompeu – Você tinha um contrato, Miley e eu deixei bem claro que se caso você aceitasse o acordo que o dono do cacete mais valioso desse continente te propôs, você teria que cumprir com todas as cláusulas, inclusive as de quebra de contrato, que num contrato de exclusividade incluem, quem diria, não dormir com outra pessoa! – Ironizou.

- Eu sei que eu posso ter quebrado essa cláusula, mas eu me preveni e posso continuar atendendo o Blaick. Aquilo foi um episódio a parte e nunca mais vai acontecer, garanto! – Justifiquei – Agora é melhor você deixar eu ir, não queremos deixar Richard Blaick esperando!

 - Eu já cuidei disso.

- Como assim cuidou? – Questionei sem saber exatamente o que John considerava cuidar.
- Você não vai mais atender o Blaick, Miley – Ele disse simplesmente - e se dê por satisfeita de eu não contar pra ele o motivo! Não por consideração a você, é claro, mas pra não dar má reputação ao meu negócio!

- John, você não pode fazer isso! – Reclamei – Ele mesmo me contratou! Foi ele que...

- O que você acha que você é, Miley? – Ele rebateu depois de um gole da sua bebida – Você é uma puta. Você é totalmente substituível. – Ele tocou meu queixo e eu quis arrancar o seu dedo a dentadas – Eu liguei dizendo que você não iria poder, mas que eu iria mandar uma outra garota e pronto! – Explicou e eu senti raiva, mas não dele de mim – Algumas reclamaçõezinhas e ele aceitou. – Ele aproximou seu rosto do meu - Você tinha tudo pra manter esse contrato por mais tempo, quem sabe até o fim do ano. Quem sabe se você fizesse um trabalho bem feito, você talvez até conseguisse uma renovação, sei lá... – Fez uma pausa e eu tentei tirar sua mão de mim, mas ele não soltou e passou a segurar meu queixo com força – Só que você é burra demais! – Sorriu - E agora eu passei o Blaick pra Lorelay.

- O quê?

- É, ela é bem mais nova que você, tem só 18 anos. – Ele piscou e me soltou – Mas a garota é um prodígio, aposto que ela vai dar bastante trabalho pro seu milionário.

- John, eu preciso do dinheiro desse contrato! – Eu retruquei – Você sabe o quanto eu me esforcei pra conseguir esse cliente!

- Pois deveria ter pensado nisso quando ficou toda empolgadinha pelo assistente pobretão, meu bem. – Ele jogou dinheiro em cima do balcão e ia me dar as costas.

Eu tinha que pensar em alguma coisa e rápido...

- Ele estava me chantageando! – Inventei – O assistente! Ele descobriu minha verdadeira identidade e começou a ameaçar contar a verdade para as pessoas da minha família, do meu trabalho... Foi só por isso que eu cedi e fui pra cama com ele!

- Como é?

- Você sabe exatamente que eu não posso deixar que a minha família descubra o que eu faço pra ganhar a vida aqui em Nova York, não é?! – O fiz lembrar – John, por favor, o cara só queria me comer e pronto, já foi, já acabou! Eu te garanto que eu me cuidei e que o Blaick nunca vai nem se quer sonhar com isso, eu juro!

- Não sei não, Miley. Não posso arriscar perder um cliente como o Blaick. Como posso ter certeza que o seu amiguinho não vai dar com a língua nos dentes e foder o meu negócio?

- Ele não vai fazer isso ou se fode também. Ele precisa do emprego dele tanto quanto eu do meu e como já teve o que queria, não vai mais incomodar! – Garanti

John estava decidindo se acreditava em mim ou se deveria tomar suas próprias providencias. A essa altura, tudo que eu queria era que ele me devolvesse o meu melhor cliente.

- Tudo bem, você deixa a Lorelay fazer o programa de hoje e se amanhã o Blaick ainda quiser você...Quem sabe eu posso fingir que isso nunca aconteceu.

- Ótimo! – Rolei os olhos.

- Vamos, eu vou levar você pra casa. – Ele levantou e eu também, iria segui-lo, mas decidi não fazer isso.

Uma ova que eu iria deixar a loirinha me tirar o Blaick!

Deixei John para trás e segui paro elevador, apertando o botão que levava a cobertura. Aproveitei o minuto ali dentro para personificar a Lola. Hoje, mais do que qualquer outra noite, eu precisava ser melhor do que jamais fui, para fazer o Blaick nunca mais se esquecer de mim.

Bati na porta suavemente, o próprio Blaick veio abrir. Um sorriso dançou em seus lábios assim que me viu.

- Desculpe o atraso, querido. – Pedi tocando seu ombro e já entrando. A tal Lorelay também veio ver quem era e ela já estava nua. – Mas eu mandei algo pra que você pudesse se distrair enquanto eu não chegava! – Sugeri a garota do outro lado da sala.

Blaick ainda estava completamente vestido, sinal de que a mocinha não estava indo muito bem. O milionário gostava da arte da sedução muito mais do que puramente do sexo. A coitadinha provavelmente estava desesperada para lhe mostrar suas habilidades na cama e assim fisga-lo, mas Blaick não é o tipo que gosta de selvageria, o homem é um distinto lorde inglês até na cama.

E mais importante de tudo: Ele é o caçador, nunca a caça.

Exceto essa noite.

Ele se ofereceu para tirar o meu sobretudo e eu o deixei fazer isso. Durante a ação, beijou o meu pescoço.

- Achei que não viria. – Mais um beijo – Que iria me fazer sentir a sua falta!

- Isso nunca! – Aleguei. Girei o meu corpo para ficar de frente com ele e desatar o nó de sua gravata.

- O que você veio fazer aqui?! – A garota perdeu o juízo e veio reclamar comigo, na frente do cliente. Ah, mas o John iria ficar sabendo disso! – O senhor Blaick e eu estávamos nos entendendo muito bem aqui...

- É, mas agora eu já cheguei e o Richard e eu vamos nos entender muito melhor sem você! – Avisei – A menos que queira nos assistir, nós não nos importamos! – Pisquei um olho para a moça e então puxei o homem pela gola da camisa social para o quarto.

(...)

Narrado por Nick

Os dias pareciam acrescidos de duas ou três horas justamente durante o meu expediente na Blaick inc. O homem continuava a jogar comigo o seu jogo favorito: Humilhe o seu assistente o máximo que puder. E ele era o melhor nisso! Atribuía-me novas tarefas ridículas a sua mera vontade, mas quando os novos sócios, japoneses, pediram uma reunião emergencial para amostra geral da situação financeira e competitividade da Blaick. Inc no mercado de New York, adivinha quem ele encarregou de cuidar de toda a papelada e gráficos para a apresentação?

Eu queria fazer um bom trabalho, mais que isso, queria que os sócios elogiassem e quisessem fechar o negócio comigo, sem se quer precisarem ouvir o Blaick falar. Seria mais uma vitória, já que ele se acha o fodão a cada novo negócio que fecha, só por causa da sua lábia.

Se eu conseguisse fazer com que os novos sócios decidissem por comprar as ações antes de se quer ouvirem o presidente seria um feito nunca antes alcançado em toda a história dessa empresa.
Trabalhei duro durante toda a semana antes da apresentação. Não descansei uma noite se quer preparando tudo, para que cada detalhe estivesse perfeito. Meu chefe não parecia tão preocupado como eu. Saia mais cedo em noites intercaladas e eu sabia muito bem pra fazer o que e com quem.

(...)

- Acha mesmo que eles fechariam o negócio com você, sem ouvir o principal acionista? Eu duvido! – Glen alegou quando lhe falei sobre o que pretendia tentar fazer.

- Eu também duvidaria, se não soubesse exatamente o que estou fazendo. – Falei com um meio sorriso nos lábios. A reunião seria no dia seguinte, no final da tarde.

- Você é maluco! – Ele retrucou – E está obcecado pelo seu chefe. Tudo na sua vida tem a ver com o Richard Blaick: Seu trabalho, com quem você transa, acho que até sua comida depende da escolha de refeição do cara... – Ele estava listando – Mas por falar em com quem você transa, voltou a ver a Lola?

- Não. Depois daquela noite eu não tive mais tempo pra distrações, ainda mais as que custam metade do meu salário do mês por uma única noite. – Disse e virei uma golada da minha cerveja.

- Mas fala sério, vale cada centavo, não vale? – Ele sorriu como se lembrasse de algum momento com ela e a minha reação imediata foi vontade de mandar ele parar de pensar nela desse jeito, mas ela era uma puta e eu não tinha esse direito. – Aí, eu estava pensando... Se o cafetão abriu uma exceção pra você, talvez ele também vá abrir pra mim. O que acha? Você não se importa, não é? Já comeu ela mesmo, agora pode deixar o caminho livre pros amigos.

Ele sorriu e me deu um tapinha nas costas. Senti vontade de soca-lo e só me segurei em nome da nossa amizade.

- Aí, tô indo. – Falei deixando a garrafa em cima da mesinha de centro e levantei já indo em direção a saída.

- Qual é, cara?! Se isso te incomoda eu não...

- Se me incomoda? Tá louco? Ela é puta do meu chefe e você acha que eu me importo?! – Dei de ombros - Faz o que quiser.

Saí da casa de Glen e entrei no meu carro. Eu estava com raiva, mas sabia que não havia razão alguma pra sentir isso.

E daí se ele queria dormir com ela? Até parece que seria a primeira vez...

Ela não é nada minha.

Eu não me importo!

Ao chegar em casa lembrei que ainda precisava fazer uma coisa relacionada ao trabalho, uma ideia que eu tinha tido pra me favorecer na reunião, mas que pra conseguir colocar em prática, precisaria da ajuda da Demi.

(...)

- Acha que consegue isso pra mim até amanhã à tarde? – Pedi. Estávamos nos falando por telefone.

- Até amanhã? De tarde?! Jonas, você tem noção que você está me dando menos de 24 horas pra conseguir alguém que escreva em japonês? – Ela reclamou – Me diz de novo por que não posso encarregar a Miles disso? Ela vai fazer super rápido e não digo que é pra você!

- Não, não quero dever favor nenhum pra ela. Arruma outra pessoa! – Ordenei

- Tá! – Ela bufou do outro lado e desligamos.

Narrado por Miley

Se o dia de trabalho na editora tivesse começado mais entediante eu poderia até tirar uma soneca antes da hora do almoço. Como eu tinha adiantado bastante o meu trabalho durante o meu tempo livre em casa, eu estava quase sem nada pra fazer nos últimos dias.

Já a Demi, estava correndo da sala pra cozinha pra conseguir alguém que falasse japonês pra um trabalho extra que o nosso chefe deu a ela. Eu até me ofereci para ajudá-la, mas ela disse que era um projeto confidencial e que ele não queria que ninguém de dentro da editora lesse.
Beleza, melhor pra mim!

A Demi estava toda cheia de segredos com aquela pasta do projeto secreto e eu não era uma pessoa curiosa nem nada, mas quando ela largou a pasta sobre a sua mesa, ao lado da minha e de relance eu vi o slogan da Blaick inc. na pasta, então eu tive que abri-la.

Era um relatório financeiro de mais de vinte páginas e eu levei menos de dois segundos pra entender quem tinha dado esse trabalho extra pra ela.

Segui até a nossa sala do cafezinho, onde a Demi estava pegando café para o nosso chefe.

- O quanto o Jonas precisa do relatório da Blaick inc. em Japonês? – Perguntei a minha amiga, mostrando a pasta em minhas mãos e ela suspirou alto.

- Não sei, mas acho que tanto quanto eu vou precisar de um analgésico no fim do dia. – Ela veio até mim e tirou a pasta das minhas mãos – ou talvez de um vibrador, ainda não decidi como vou fazer pra conseguir finalmente relaxar!

- Eu ficaria com a segunda opção! – Segui ela e tomei a pasta de volta – Por que mentiu pra mim sobre isso?

- Por que o Nick me pediu... – Ela suspirou – Você obviamente foi a minha primeira indicação, mas não sei por que diabos ele não queria que eu pedisse a você! – Bufou – Agora eu tenho que ligar pra mais um nome da minha curtíssima lista de tradutores delivery e ver se algum deles por acaso fala japonês e aceita passar um relatório de 40 páginas pra outra língua em menos de seis horas!

- Ok, pode deixar comigo, vou fazer! – Dei de ombros – Mas vou cobrar os olhos da cara do Jonas!

- Sério?! My, eu te adoro! – Ela me abraçou – Mas o Nick não pode saber que foi você!

- Isso eu não posso prometer. Vou precisar cobrar pelo meu trabalho! São mais de 40 páginas e pra japonês! - Aleguei

- É, acho que ele deve estar desesperado o bastante pra aceitar isso...

(...)

Narrado por Nick

A Demi não atendia os meus telefonemas e faltava menos de uma hora para a minha reunião com os japoneses. Eu tive a brilhante ideia de passar todo o relatório financeiro para língua deles, para que se sentissem mais familiarizados aos dados, mas como a minha tão responsável amiga não havia me confirmado se conseguiu alguém que fizesse isso a tempo, talvez eu tivesse que pensar em alguma outra coisa para me sair bem nessa reunião.

Entrei na minha sala ainda tentando pensar em alguma coisa, assim em cima da hora, mas assim que abri a porta me deparei com aquele lindo par de pernas recostados sobre a minha mesa.
Miley estava sentada na minha cadeira e tinha uma pilha de papéis no canto esquerdo do móvel, ao lado do computador. Eu sabia exatamente do que se tratava e senti-me aliviado por isso, mas não consegui tirar os olhos dela.

Ela sorriu ao me ver. Levantou e veio até mim caminhando de maneira sensual. Olhou para a minha gravata por dois segundos e reconheceu a peça, a mesma que ela usou para me amarrar na cama e eu estava começando a achar que ela era o meu amuleto da sorte.

- Seu relatório está sobre a mesa, três cópias. – Por que a porra dessa mulher precisava ter essa voz tão sensual? - Vai ficar me devendo, Jonas! – Ela completou ainda mantendo o seu sorriso convencido no rosto.

Continua...