Narrado por Miley
Diferente do que as pessoas pensam, uma pequena parte da
vida de uma garota de programa é o sexo, a outra parte, a maior parte, é o
psicológico. Diz-se por aí que é um trabalho fácil, na verdade não é. Existe
uma linha tênue entre facilidade e conveniência e as pessoas confundem bastante;
Ser atendente do Mc Donalds, por exemplo, é fácil, mas não é conveniente. Já
prostituição é conveniente não é fácil.
É preciso substituir os escrúpulos por criatividade, muita
criatividade. Alguns filmes fantasiosos mostram homens maravilhosos contratando
prostitutas, mas a verdade é que homens maravilhosos não precisam pagar por
sexo. Eles têm isso de graça o tempo todo. Se pagam é apenas ocasionalmente pra
fazerem algum experimento baixo, anteriormente recusado por suas namoradas
vagabundas se fazendo passar por moças decentes.
A maioria dos homens que procura uma “acompanhante”, esse é
o jeito como John – O cafetão – nos chama, são velhos ricos que querem uma
mulher jovem que possa faze-los sentir recuperar a juventude que eles perderam
por trabalharem tanto pra serem tão ricos, ou seja, é uma espécie de
compensação.
A lógica desse comercio é bastante fácil de ser
compreendida, na verdade. A parte difícil de compreender é o trabalho prático.
A cada noite, mais um cara que você nunca viu antes vai ser
o seu dono durante algum tempo. E ele pode fazer o que quiser. Pode dizer o que
quiser. Pode pedir o que quiser. O seu trabalho é apenas satisfaze-lo, pois ele
é um cliente que pagou muito bem pelo seu tempo e pela sua companhia.
E o tempo de qualquer pessoa é um bem muito precioso, porque
por mais dinheiro que você possa ter ou conseguir na vida, ninguém pode comprar
mais tempo.
Por isso eu escolhi valorizar o meu tempo ao máximo,
cobrando um dos salários mais altos por minuto que alguém atualmente pode ter.
Ganho tanto quanto homens muito importantes e mais do que os que não são tão
importantes demoram meses a ganhar.
Tem gente que despreza o que eu faço e eu não me importo.
Também não julgo as pessoas que trabalham no Mc Donlds por terem escolhido o
caminho mais fácil. É tudo uma questão de ponto de vista, ou como eu disse no
início, do psicológico.
Algumas garotas nesse
ramo usam drogas, outras fumam, se embebedam...
Eu tenho meu mantra:
“Mais uma noite”.
Parece simples, mas realmente funciona pra mim, já que tudo
no meu mundo gira em função de conseguir mais tempo, não importando o que eu
precise dar em troca disso...
Eu havia chegado a luxuosa cobertura no centro de New York.
Passei o cartão chave na porta e entrei. Era mais cara e mais extravagante do
que a da última vez, pois essa era a cobertura presidencial.
Eu já fazia isso há algum tempo e se tem alguma coisa que eu
percebi é que os homens têm uma tendência, uma espécie de necessidade quase que
gritante, de esfregar o seu dinheiro e o sucesso na cara de todo mundo. São
pavões, e como todos os pavões, quanto maiores as plumas, mas elas serão
exibidas.
Na suíte estava uma garrafa de um champanhe caríssimo e
também uma lingerie que deve ter custado uns 3 dígitos. Também havia um cartão
me instruindo a vesti-la e eu obedeci.
O cliente dessa noite, Richard Bleick, era um homem
fabulosamente rico, inteligente e sofisticado. Era um cinquentão bem apessoado
que construiu um império a partir do nada. Também era casado e tinha uma filha.
Richard tinha negócios em todo o país e também pelo mundo
então ele nem sempre estava em New York, mas sempre que vem aqui ele me
procura. Clientes como ele são bastante raros, a maioria dos homens prefere
variar o cardápio, se é que me entendem.
Não fazia muita diferença pra mim. Está certo que eu também
preferia não repetir as experiências na grande maioria das vezes, mas no fim
das contas, pouco me importava quem assinaria o cheque contanto que ele
estivesse em meu nome.
John tinha uma atenção toda especial com Richard, ele era um
cliente antigo e pagava bem, então John sempre se preocupava em garantir que eu
estivesse disponível para ele. Isso me incomodou algumas vezes, já que John já
havia me forçado a recusar outros clientes por Richard, mas não me incomodava o
suficiente a ponto de reclamar. Richard não era lá nenhum prodígio na cama, mas
era experiente e galante, de longe o melhor cliente e como eu disse, ainda
pagava bem, muito bem.
Sentei na cama para espera-lo. Era um homem de negócios,
fazia parte de seu d.n.a se atrasar por causa de trabalho. Eu estava bastante
entediada, então peguei uma taça de champanhe e um morango para saborear
enquanto ele não chegasse.
Ele não demorou muito. Fui surpreendida pelo homem que assim
que entrou já foi tirando o paletó e gravata. Eu também já estava só de
lingerie, então pulamos algumas etapas que nos pareceram completamente
desnecessárias.
(...)
Depois do ato, Richard e eu estávamos apenas recostados na
cama. Eu já havia estado com ele antes e sabia de cor a sua rotina. Depois do
sexo ele fumava um charuto, me fazia algum elogio, se vestia e ia embora.
Lembrei-me que no dia seguinte eu receberia uma cópia de um livro em Alemão
para traduzir no trabalho, então quis adiantar a minha saída dali.
- Vou te buscar um charuto. – Disse com um sorriso. Fiz uma
carícia delicada em seu peito antes de tentar levantar e ele me puxou de volta.
Levou minha mão até seu rosto e beijou a palma. Havia alguns tipos de carícias
que eu particularmente evitava, pois achava que eram pessoais demais.
Essa era uma delas.
Recolhi a mão tentando não demonstrar o meu desagrado com
seu gesto. Richard puxou minha cintura para mais um beijo e eu só quis que
aquilo terminasse o quanto antes, mas retribuí de maneira a leva-lo a pensar
que eu estava realmente desfrutando do sabor de seus lábios contra os meus.
- Você sabe como fazer um homem se sentir satisfeito. – Ele
sorriu me fazendo sentar sobre seu corpo.
- É mesmo? – Recebi o galanteio de forma despretensiosa, mas
sabia que ele estava querendo mais e eu iria ter que lhe dar. Passei minhas
unhas sobre seu peito em carícia, mas sem deixar marcas. Marcas eram
expressamente proibidas pelas regras de John, para ambos os lados.
- Você é tão linda, Lola! – Ele apertou um de meus seios e
eu gemi correspondendo a carícia. Senti sua ereção roçando em mim e decidi não
enrolar em satisfaze-lo novamente. Eu precisava ir embora em pouco tempo e
queria acabar logo com o meu serviço aqui.
E eu sabia como fazer isso, sabia como fazer um homem gozar
em menos de um minuto, mas não gostava muito de utilizar-me dessa artimanha.
Gostava muito mais do jogo de sedução que envolve prazer e erotismo contidos,
mas também sabia como ser vulgar na cama e a grande maioria dos homens em geral
adoravam isso. Principalmente homens como Richard, que foram sempre cercados
por mulheres exemplo de modelo e perfeição.
Eu gemia alto, praticamente berrava. Dizia sacanagens e
murmurava o seu nome de modo sôfrego. Pedi pra ele ir mais fundo e me pegar de
jeito. O meu cliente pareceu gostar bastante da brincadeira, mas não conseguiu
acompanhar meu ritmo por muito mais tempo. Sem problemas, para nós mulheres é
muito mais fácil contornar esse tipo de situação. Fingimos um orgasmo e pronto,
o cavalheiro encerra a noite com seu orgulho intacto e ainda por cima se sentindo
o máximo.
Um minuto.
Mais uma noite, mais um trabalho bem feito, mais um cliente
satisfeito. O enorme sorriso de satisfação de Richard transparecia enquanto ele
recompunha-se em suas roupas. Eu me enfiei dentro do meu vestido e estava
calçando os meus sapatos de salto.
Os botões de sua camisa social perfeitamente bem engomada
ainda estavam desatados. Era um detalhe que ele sempre adiava propositalmente,
pois sempre esperava que eu mesma colocasse os botões de volta nas casas. E
como uma boa menina eu dei a devida atenção ao seu pedido silencioso.
- Tem alguma coisa marcada para o final de semana? – Ele perguntou
deixando que os dedos corressem desenhando minha cintura.
- Não sei, preciso ver com o John. Por que a pergunta? – Eu
quis saber. Ainda era segunda e ele já estava planejando me ver novamente?
Achei que era um pouco demais até mesmo para o Richard repetir a mesma garota
duas vezes na mesma semana.
Coloquei sua gravata de seda em volta do seu pescoço e dei
um nó perfeito. Um dos detalhes importantes que toda acompanhante nesse ramo
precisa aprender. Também é bastante interessante saber sobre vinhos e ações,
qualquer coisa que seja do interesse dos seus clientes e que possa ser usado
como papo de cama.
Esse tipo de homem não busca só prazer, eles buscam algo que
possa preencher suas expectativas de prazer. E as expectativas de homens como Richard
sobre qualquer coisa são altíssimas.
- Tenho uma noite de pôquer com uns amigos esse final de
semana, em Las Vegas. Pensei em levar você. Aceita? – Eu estava temerosa. Não
queria recusar o que ganharia dele por um final de semana inteiro e ao mesmo
tempo estava achando que estava passando tempo demais com ele.
Era um jogo perigoso, mas clientes como o Richard eram
difíceis de se achar. As outras garotas de John se matariam por uma chance como
essa e eu... Eu quero a grana, preciso dela.
- Eu adoraria acompanhar você! – Sorri e lhe beijei bem
rente a boca. Ele pegou o paletó e deixou o dinheiro sobre a mesa.
- Ótimo. Esteja pronta no sábado à tarde, pedirei para o meu
jatinho vir apanhá-la. – E ainda com seu sorriso charmoso no rosto ele deixou a
cobertura.
Desci e as escadas e John me esperava no hall do hotel. Ele
era um homem muito bonito e classudo, quase não parecia ser o que ele era. Quase.
- Vamos, tratamos dos negócios no caminho. – Ele disse com
meio sorriso quando tomou o meu braço para me levar até em casa.
(...)
Abri a porta da frente evitando ao máximo fazer qualquer
ruído. Demétria precisava levantar todos os dias junto com o sol pra conseguir
satisfazer todos os caprichos de nosso odioso editor chefe.
Eu tinha pena dela as vezes, mas admito que ela mostrava uma
calma e persistência invejáveis quanto ao seu trabalho como assistente da redação
e eu com certeza ainda acho que ela vai chegar longe nesse ramo.
Entrei e dei de cara com a minha amiga dormindo no sofá. A
TV estava ligada e sobre a mesinha da sala estavam dois copos de café vazios e
uma caixa de pizza com duas fatias remanescentes lá dentro. Sob suas mãos o
livro que publicaremos no final do mês. Ela devia estar revisando os capítulos
finais. Trabalho esse que deveria ter sido feito pelo editor chefe, mas que ele
fazia questão de delegar a ela sempre que podia.
A pobrezinha definitivamente trabalhava demais. E era esse
tipo de injustiça que me consumia por dentro e que cada mais me fazia prezar
por minhas escolhas de vida.
Alguém que se dedica tanto assim, como Demi, só recolhe os
frutos de seu trabalho depois de muito tempo, isso quando recolhe. A maioria
das vezes vai tudo pro bolso de outra pessoa, de qualquer jeito.
Aproximei-me dela com cuidado e tentei despertá-la com delicadeza.
Demi era uma garota muito linda e uma pessoa maravilhosa, era realmente uma boa
amiga e eu a valorizava demais.
- Dê! – Mexi em seu braço e ela se revirou um pouco no sofá –
Demétria! – Chamei novamente e ela abriu os olhos devagar – Vem, vamos pro seu
quarto. Você não pode dormir aqui nesse sofá.
- Que horas são? – Era sempre a primeira pergunta dela. Demi
assim como eu vivia correndo contra o tempo.
- Já passou da meia noite. – Informei e ela levantou num
pulo, assustada.
- Ai meu Deus! – Exclamou – E por que você não me chamou
antes? Eu preciso terminar essa revisão até amanhã de manhã!
Ela pegou o livro e um copo de café. Quando notou que o copo
estava vazio se encaminhou para a cozinha para fazer mais.
Passaria a noite em claro mais uma vez.
Mais uma noite.
Narrado por Nick
- Bom dia, senhor Jonas! – A secretária me recebeu com um
sorriso antes de pegar o telefone e checar se o presidente da empresa já havia
chegado.
Fazia pouco mais de um ano que eu trabalhava para Richard
Blaick e eu já havia aprendido algumas coisas sobre ele: Era implacável,
impiedoso e sempre esperava que você superasse as expectativas.
Não era o tipo de trabalho que muitos homens aguentariam por
muito tempo, acho que por isso tantos falharam. Blaick era um homem de sucesso
e como chefe usar da sua autoridade e renome para abuso de poder e humilhação
constante era apenas parte do trabalho.
Eu não me importava. Não se tratava de quem ele é, mas de
quem eu sou, e eu não iria ceder. Não importava o que ele fizesse pra me jogar
pra baixo, eu iria conquistar sua confiança e assumir a vice-presidência das suas
empresas em pouco tempo. Richard ainda não sabia disso, mas de um jeito ou de
outro vai acontecer.
Por enquanto eu apenas tomava conta da filial aqui em NY,
mas só no último ano eu havia aumentado o lucro líquido da empresa mais do que
os lucros dos últimos três anos consecutivos somados. Todos os sócios me
indicaram como economista responsável pela cartela de ações da empresa, mas o proprietário
sr. Richard Blaick, ele tinha sempre os dois pés atrás comigo.
Ele morava na Inglaterra com a esposa e a filha e vinha
ocasionalmente a NY, mas no último ano, principalmente depois do resultado que
eu apresentei e da reação dos sócios, ele passou a vir aqui frequentemente, me
vigiar.
- O senhor Blaick está no telefone, mas o senhor pode já
pode entrar. – A moça mantinha o incansável sorriso.
Eu adentrei o maior escritório do prédio, que ocupava um
andar inteiro. A decoração do ambiente era uma mistura ousada entre clássica e
rústica. A poltrona de couro estava virada de costas para quem quer que
entrasse.
- ...Você sabe que eu não sou só um grande empreendedor. Eu
diria que sou mais do que isso, sou um “proprietário”. – Eu não o via, mas
podia imaginar Richard ostentando seu sorriso prepotente e orgulhoso por suas
tantas conquistas. – E parte do meu sucesso se deve ao meu trabalho duro, é
claro, mas a outra parte se deve a eu gostar de possuir coisas. Gosto de que
certas coisas sejam apenas minhas e de mais ninguém, John, então quando eu
quero isso, eu as compro. – A voz do meu chefe tinha um tom de arrogância que
era inconfundível.
Eu me aproximei e Richard virou a cadeira ao ouvir que
alguém se aproximava. Ele me olhou por dois segundos e então desligou o
telefone. Eu não sabia do que se tratava, mas se não era sobre a filial de NY,
não era da minha ossada e não me interessava, pelo menos não por enquanto.
- Bom dia, senhor! – Cumprimentei – Concluí os relatórios
financeiros do semestre, como o senhor pediu. – Deixei a pasta em cima da mesa
de madeira de lei, que deveria custar mais do que o meu carro, e ele pegou pra
olhar sem demonstrar muito interesse.
- Muito bem. Ao que me parece o senhor tem feito um
excelente trabalho, senhor Jonas. – Eu sorri. Iria agradecer, era a primeira
vez em mais de um ano de trabalho em que Blaick me elogiava – Preciso dizer que
não achei que ficariam prontos tão rápido.
- Eu já havia preparado tudo no mês passado, imaginei que o
senhor iria querer ver quando voltasse.
- Imaginou bem. – Ele mostrou seu sorriso arrogante – Esse é
o tipo de esperteza que está faltando na minha equipe pessoal, senhor Jonas. –
A minha respiração falhou. É claro que eu estava esperando por aquilo. Tinha
trabalhado duro e o feito de maneira excelente, até para os padrões
inatingíveis de Blaick. Ele iria me promover, e a julgar pelo uso da palavra
pessoal aqui, ele iria me promover e me incluir como sócio também, só pode ser
isso!
- Senhor Blaick, o senhor sabe que é uma honra pra mim
trabalhar com alguém tão brilhante quanto o senhor! – Elogiei-o, não era do meu
feitio, mas eu estava tão animado que nem me importei em rasgar um pouquinho de
seda com o meu chefe.
- Obrigada, rapaz! – Ele mantinha a expressão desinteressada
e apática, mas era natural. Pra ele isso não significa absolutamente nada, pra
mim é recompensa por todo o trabalho de um ano. – E é por causa de coisas como
essas que eu quero que o senhor seja – É agora! – O meu assistente pessoal aqui
em NY. – O que?!
- O que?! – Externalizei rápido demais – Desculpe, mas eu
esperava...
- Eu sei exatamente o que esperava e não quero que sejamos
precipitados aqui, senhor Jonas. – Ele alargou o seu sorriso, a minha completa frustração
deveria lhe parecer uma recompensa impagável – O senhor já demonstrou que é um
homem inteligente para os negócios e é claro que eu vou mantê-lo no controle
das finanças dessa filial, afinal você me rendeu dinheiro, mas quero que o
senhor entenda o meu ponto: Eu não confio em você. E não se preocupe, não é
nada pessoal. Eu só não confio em ninguém até descobrir se devo.
- O senhor tem alguma queixa do meu trabalho? Acha que
alguma coisa está errada? - Questionei
- Não, nada disso. Está tudo perfeito aqui, melhor do que
estava antes. Só que eu preciso de um assistente pessoal aqui em NY. Eu estarei
vindo sempre aqui e quero alguém que já trabalhe comigo e já que pretendo
descobrir se devo ou não confiar no senhor pra ser o próximo vice presidente e
sócio dessa empresa, acho que é a pessoa mais indicada para o cargo.
- Não tenho nenhuma experiência ou qualificação como
assistente pessoal. Posso conseguir uma outra pessoa, alguém que...
- O senhor não entendeu, senhor Jonas? Não é uma opção. Ou
aceita a minha oferta ou pode juntar suas coisas e passar no setor de RH para
receber o seu aviso prévio.
FILHO DA P***!
Eu quis soca-lo. Quis esmagar aquele sorrisinho petulante e
imbecil com os meus punhos. Ele estava fazendo pouco de mim, me humilhando até
o ultimo nível só porque acha que eu não tenho o perfil pra ser o vice
presidente e sócio dessa merda!
Eu poderia aceitar o “game over”, pegar as minhas coisas e
ir embora, ontem mesmo Glen me ofereceu novamente uma vaga na empresa da sua
família, se eu quisesse.
Mas algo dentro de mim, algo incontrolável e totalmente
irracional queria fazer aquele babaca do Blaick engolir as palavras e me
implorar pra comandar seus negócios.
E eu não sabia quando e nem como eu iria fazer isso
acontecer, mas iria acontecer. EU IRIA FAZER ACONTECER!
Eu encarei o Blaick. O mais estranho é que eu o admirava,
mais do que isso, eu queria ser como ele. Tão bom nesse jogo quanto ele, Tão
forte e inescrupuloso. E se eu precisava bancar o mordomo ou secretário, seja
lá o que for que ele quer, eu iria fazer. Só pra provar pra Richard Blaick e
pro mundo do que Nick Jonas era capaz.
- Tudo bem, eu faço. – As palavras saíram pesadas - Serei seu
assistente pessoal pelo tempo que precisar.
- Perfeito. – Ele sorriu – Agora vá buscar o meu café.
(...)
- Eu estou dizendo, Glen! Aquele merda é um Filho da puta!
Um bastardo! – Reclamei mais e Glen me ofereceu outra cerveja – Precisava ver a
satisfação dele quando me obrigou a apanhar o casaco e ajuda-lo a vestir. –
bebi um gole - Um completo imbecil!
- Nick, na boa, você sabe o quanto eu respeito você e o seu
trabalho. Você é inteligente cara, é competente. Acha mesmo que se esse cara
não te promoveu depois de todos os resultados positivos que você apresentou,
agora que ele te colocou como lambe botas, vai ser diferente?! Qual é?! O cara
é um palhaço arrogante!
- Só que ele é o palhaço arrogante que é o sócio majoritário
do conglomerado de empresas que eu quero gerenciar e que eu vou gerenciar! Por
que eu tenho colhões pra isso!
- Ei! Eu sei. Todo mundo sabe, até o palhaço. – Meu amigo
estendeu a garrafa dele pra um brinde que eu aceitei – Quer saber, eu acho que
ele tem medo.
- Medo? Por que ele teria medo? – Bebi mais uma golada.
- Pensa, cara! Em um ano você conseguiu mais do que qualquer
outro gerente financeiro dos últimos três anos, e todos os anteriores
escolhidos a dedo e selecionados pelo próprio Blaick. Aí, de repente, aparece o
novato quase que recém-formado da turma de doutorado em economia de Princeton e
consegue colocar todos os outros gerentes financeiros tão mais experientes no
bolso. – Eu estava atento, esperando o meu amigo concluir sua linha de
raciocínio – Ele deve estar pensando: E se ele te der a vice-presidência, te
tornar um sócio e depois você acabar tendo mais dinheiro em ações do qualquer
um deles, principalmente mais do que ele. Você sabe que não seria difícil. Já
fez as contas: O Blaick tem 49%, é um bom número, tanto que ele é o majoritário,
o fanfarrão! – Rimos – Mas e os outros 51%? Estão fatiados entre os sócios
minoritários, ações da empresas revendidas na bolsa pra assegurar o capital, é
isso. Alguém, que souber jogar o jogo, pode conseguir ter mais ações do que ele
e assumir a presidência. E ele já sacou que você sabe jogar o jogo! – Concluiu.
- Não viaja. Por mais que eu saiba de tudo isso, eu não
tenho como comprar ações das empresas do Blaick, a minha realidade é que eu
ganho um salariozinho vagabundo enquanto eu faço aquele babaca ganhar milhares de
dólares e ficar mais poderoso e mais cuzão a cada minuto.
- É, mas isso é só agora. O salário de vice-presidente é bem
melhor que o seu salariozinho vagabundo, sem falar que como vice-presidente você
também receberia ações da empresa e nós sabemos que se tem alguém que sabe o
que fazer pra multiplicar ações como se fossem coelhos é você, o grande Keynes
do mercado de ações!
- Pode até ser, mas por agora como você mesmo disse, eu sou
só o lambe botas do cara.
(...)
Eu ia voltar pra casa, pro meu apartamento do outro lado da
cidade. Mas no meio do caminho me dei conta que havia esquecido o meu casaco no
escritório. Até aí beleza, mas a chave do ap tinha ficado no bolso do casaco.
Não tinha outro jeito, eu iria ter que voltar lá pra buscar.
O segurança me deixou entrar com facilidade. Olhei em todos
os cantos e não encontrei. Foi só aí que eu lembrei: Devo ter deixado na sala
do Blaick.
Peguei o elevador privativo e subi até o último andar, a
sala dele. Deveria estar trancada, mas a secretária provavelmente guardava uma
cópia da chave em algum lugar por ali. Remexi as chaves em poder dela e achei a
chave que abrira o escritório de Blaick sem dificuldade. Girei a pequena peça
no tambor, mas nem precisava, pois a porta estava destrancada. Girei a maçaneta
devagar e dei de cara com uma cena pela qual eu não esperava.
Bem a minha frente uma mulher linda, com o corpo escultural
e cabelo castanho comprido. Ela estava completamente nua, apenas de salto alto sobre
a mesa de madeira de lei. Ela gemia baixinho e deixava a cabeça pender pra trás
enquanto Richard Blaick chupava com gosto a sua intimidade.
Confesso que fiquei com raiva. Fiquei com raiva porque o
cara era foda!
- Senhor Blaick?! – Eu entrei na sala, precisava atrapalhar
aquilo. Pelo menos teria um pouco de gostinho de vingança pelo o que ele fez
comigo pela manhã. Apesar do universo inteiro conspirar a favor do bem estar de
Richard Blaick, eu não iria deixar ele comer a gostosa de boa. Ele ia ficar lá
frustrado e brocha.
Ao ouvir minha voz, o homem pareceu que tinha ouvido o ruído
de arranhão no vidro e me olhou com um misto de surpresa e ódio. A moça, que eu
julgaria ter mais ou menos a idade da filha dele, acordou do transe e levantou
da mesa rapidamente buscando esconder-se atrás do próprio Blaick.
- O que veio fazer aqui, Jonas? – Questionou num berro.
- Só pegar o meu casaco, e as chaves da minha casa que eu
esqueci aqui, só isso. – Falei me direcionando ao cabideiro. Ouvi quando a moça
disse que achava melhor ir embora e começou a vestir-se. Blaick insistia que
ela ficasse, e eu não iria saber o desfecho pois iria sair do ambiente.
Peguei minhas coisas e rumei para o elevador. Enquanto
descia, tentei recapitular tudo, mas só o que vinha a minha mente era a imagem
daquela garota nua gemendo em cima da mesa do Blaick.
Que outro cara no mundo é tão cagado que come uma mulher
daquela, gostosa pra caralho, e ainda por cima no próprio escritório?!
FILHO DA P***!
Continua...
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