Narrado por Demi
- Tudo bem, vou fazer isso então. –
Ele diz aparentemente determinado a realmente fazer isso e eu sorrio por ter
conseguido encorajá-lo. – Quer sair comigo Demi?
Os olhos de Willmer estavam
diretamente em mim, ansiando uma resposta. Tenho certeza que abri a boca vezes demais, tentando dizer alguma coisa, mas não saiu nada e nem poderia, porque o meu cérebro não
estava conseguindo processar as informações na mesma velocidade que eu
precisava externalizá-las.
Será que eu era a garota?
A tal de quem ele falou suspirando centenas
de milhares de vezes?
A dita que ele gostava há séculos e
nem se quer lhe dava bola?
Quer dizer, e se ela na verdade fosse eu.
Todo esse tempo...
- Will eu... eu não estava
esperando por isso! – Digo ainda tentando ganhar algum tempo para conseguir processar
isso tudo.
Quer dizer, eu gostava do Will e
ele era um grande amigo, mas eu nunca achei, nem em um milhão de anos, que ele
sentisse alguma coisa assim por mim e talvez por causa disso eu não sabia dizer
ao certo o que eu sentia por ele. Nunca tinha pensado em nós dois desse
jeito...
E principalmente, eu não queria
arriscar assim a nossa amizade.
- É, parece que eu acabo de
conseguir a humilhação... – Ele comenta sem graça e levanta da mesa com a
intenção de se retirar, mas eu o seguro pela mão.
- Não, não vai embora! Não é nada
disso, eu não estou dizendo não. – Expliquei – É só que você me pegou de
surpresa! Eu jamais achei que... – Respirei fundo - Bom, eu não achei que você
gostasse de mim.
- Eu gosto de você já faz tempo
Demi! – Ele me encarou decidido. Parece que estava usando o restante de sua
coragem pra conseguir me confessar seus sentimentos de uma vez por todas -
Desde que você veio trabalhar aqui na editora e pediram pra eu te acompanhar no
seu período de experiência e nós nos aproximamos, então... – Ele estava
nervoso, dava pra saber pois seu tom de voz demonstrava isso - Tá bom, pra ser realmente
sincero, foi até antes disso. – Respirou fundo – Eu me apaixonei por você no
primeiro dia. Desde o momento que eu te vi sentada aguardando fora da sala do
Chad para a sua entrevista de emprego. –Ele parecia ter a imagem daquilo
gravada em sua mente – E você estava tão nervosa que conseguiu quebrar a sua
caneta de tanto mordê-la, aí você se sujou toda de tinta... – Sorriu.
- E você me deu álcool em gel e o
seu paletó. – Completei a lembrança com um sorriso.
Ele nem me conhecia ainda, mas foi
o único funcionário da revista que viu o meu desespero e parou pra me ajudar. Eu
fui pra sua sala e fiquei tentando tirar a mancha de tinta da minha blusa com o
álcool em gel, mas ela não saiu nem com reza brava e no ultimo instante ele me
emprestou o paletó. Fiz minha entrevista vestida nele.
- Éh. – Ele também sorriu e me
olhou de um jeito que fez meu coração sobressaltar. Colocou sua mão sobre a
minha - Foi desde esse dia – Ele confessou um pouco mais baixo e acanhado – que
eu nunca mais consegui parar de pensar em você, Demi.
E aí estava a minha resposta: Eu era mesmo "aquela" garota.
E aí estava também o Will, bem a minha
frente, segurando a minha mão...
O Will era o cara perfeito pra mim.
Ele me conhecia bem e sabia quem eu era. Sabia as coisas que eu gostava e as
que não gostava, da minha relação disfuncional com o meu trabalho e até as
minhas birras com o nosso chefe. Acho que ele era um dos únicos homens na minha
vida que viu o meu lado “amiga” de verdade. Aquele lado da gente que é
absolutamente detestável e jamais teríamos coragem de demonstrar para alguém em
quem temos interesses românticos.
Ele sabia tudo isso e ainda assim gostava
de mim.
Ele era o cara que gostava só de
mim!
Teoricamente, ele deveria ser o
certo, mas é que agora parecia não ser o tempo certo pra nós dois. Não desse
jeito, não com outros dois caras ocupando cada segundo do meu pensamento.
A minha vida amorosa estava um
verdadeiro caos! Eu estava afim do Glen, que era um completo imbecil, mas eu
não podia negar que tinha ficado caidinha por ele. E também tinha o Matt, que era
a perfeita personificação dos meus sonhos mais românticos, e que simplesmente resolveu
me beijar do nada e confundir completamente a minha cabeça...
Eu não queria colocar o Will no
meio dessa confusão toda, ele não merecia que eu fizesse isso com ele.
- Acho que foi a coisa mais bonita
que já me disseram. – Disse olhando-o com carinho.
- É só a verdade. – Ele completou e
entrelaçou nossos dedos. – Demi, eu quero muito...
- Will, - Interrompi – eu sei que
você quer uma resposta e eu quero te dar uma, mas eu não posso fazer isso
agora. Tem um monte de coisa mal resolvida na minha vida e você me apareceu com
isso assim, bem quando eu não tenho nenhum espaço pra um relacionamento...-
Suspirei – Sei que parece clichê te dizer isso, mas eu preciso mesmo de um
tempo pra pensar.
Nós dois respiramos fundo. Eu
retirei minha mão da sua, sem saber ao certo o que fazer numa situação dessas.
- Quer saber?! Não... – Ele
balançou a cabeça e eu sentir meu coração apertar – Eu sei que eu não tenho
direito de te cobrar nada, porque fui eu que fui um covarde por tanto tempo. Mas
agora eu estou aqui te dizendo que eu gosto de você. E eu gosto pra valer! Mas
se você acha que não me corresponde e está só procurando um jeito menos
doloroso de dizer isso, não se preocupa porque não tem um jeito! – Disse amargo
- E eu não quero ficar esperando pra ser rejeitado. – Ele levantou
- Will! – Tentei chama-lo
- Esquece, Demi. Se isso tivesse
que acontecer, você só teria dito sim. – Ele disse simplesmente, não conseguia esconder
a decepção em seus olhos e me deu as costas.
Parabéns, Demétria! Você que não
queria colocar em risco a amizade de vocês, acaba de ferrar com ela de uma vez
por todas.
(...)
Narrado por Miley
- Boa noite, minha cara. – Sorriu
pra mim, com as mãos alisando o meu corpo, que agora já estava coberto pelo roupão. – Você
é com certeza sempre a melhor parte da minha noite, Lola!
- Boa noite, senhor Blaick! – Meu
cliente ainda estava se divertindo com essa ideia de chama-lo de senhor, por
isso deixei que a brincadeira se estendesse por um pouco mais de tempo.
Beijei-o uma ultima vez e deixei a
suíte principal da mansão com cuidado, tentando fazer o menor roído possível,
pra não levantar nenhuma suspeita. Já era tarde, mas eu não sabia se alguém, e
nesse caso mais especificamente a filha do Blaick, ainda estava acordada.
Eu deveria apenas fazer o caminho
de volta para o meu próprio quarto, mas risadas advindas do andar de baixo, me
deixaram mais curiosa do que o normal. Principalmente porque uma eu conhecia
muito bem, era o imbecil do Jonas e a outra, essa eu não tinha certeza, mas se
tivesse que apostar seria na filinha oferecida do meu cliente.
Desci as escadas devagar, tentando
não deixar que eles soubessem que eu estava me aproximando. Ao chegar ao
primeiro andar, dirigi-me para a porta da cozinha sem adentrar o local, apenas
ficando à beira da entrada para ver o que aqueles dois estavam aprontando.
A primeira coisa que vejo é aquela
bunda enorme da Camila empinada bem no meu campo de visão. Ela estava sensualmente
recostada sobre a bancada, bem ao lado do Jonas que calmamente preparava um
sanduíche.
Ele era um cínico, isso sim!
Camila ria de qualquer estupidez
que ele dizia tão fantasticamente bem, enquanto ele adicionava os ingredientes
e o pão. Aparentemente, ele estava fazendo um sanduíche pra ela também, já que
ela disse que preferia sem a mostarda, e eu não sei o que era tão engraçado
nisso, pois os dois riram juntos.
Aquela ali não me engana, está
completamente enfeitiçada pelo Jonas. Dá pra notar pelo jeito como ela olha pra
ele, toda deslumbrada a coitadinha. Já ele eu não saberia dizer se estava
realmente interessado, ou só dava corda pra patricinha pra conseguir irritar o pai
dela...
Julgando pela sua cara de pau, até
poderia ser os dois!
Ele lhe entregou o prato e ela
agradeceu a gentileza com um sorriso convidativo. Fez questão de se inclinar
sobre a bancada, para alcançar qualquer coisa do outro lado e ao mesmo tempo dar
ao Jonas uma visão ainda mais privilegiada do seu corpo, e não é que o desgraçado
olhou!
Eu queria arrancar os olhos dele!
Ele estava quase comendo a bunda
daquela patricinha com os olhos e a maldita se empinava cada vez mais, de
propósito. Eles dois estavam na mesma bancada que nós dois estávamos logo cedo
e eu não sabia explicar pra mim mesma porque eu estava tão irritada com isso!
Ele tinha dito que me queria
naquela bancada.
Também disse que iria esperar para
fazer amor comigo naquela bancada.
E agora estava quase pegando a
filha do Blaick na mesma bancada!
Esse filho da puta!
- Vocês também estão sem sono? –
Entrei na cozinha toda plena e me aproximei deles com a minha melhor máscara de
irmãzinha inocente – Eu não consegui dormir. Acho que preciso de um chazinho,
ou qualquer coisa assim.
Camila endireitou-se rapidamente e
o Jonas até perdeu a cor. Ele definitivamente não estava me esperando de volta
nessa cozinha... É, Jonas você não sabe com quem está brincando!
- É, eu saí com o papai e voltei
sem vontade de ir dormir. O seu irmão estava aqui na cozinha e me fez companhia.
– Ela passou a mão pelo braço do Jonas e ele até tentou disfarçar o seu gesto,
mas eu já tinha visto bem mais.
- Achei que você já estivesse
dormindo. É que depois daquela bronca do seu pai lá na piscina, eu não sei você,
mas eu nem chegaria perto do Nick de novo! – Comentei assim como quem não quer
nada e vi o Jonas cerrar os olhos pra mim. – Mas não se preocupe! Eu jamais
entregaria vocês pro seu pai. Não queremos que o meu irmão acabe sendo
demitido, né?!
-Não, de jeito nenhum! – A
garotinha pareceu ficar preocupada depois do que eu disse – Além do mais não
estávamos fazendo nada demais. Eu só vim até a cozinha procurar alguma
coisa pra beliscar e o Nicholas tão gentilmente me ofereceu um sanduíche.
- Um sanduíche? Ele não é um
amorzinho?! – Fingi um carinho que eu obviamente não sentia, mas seria tão
cínica quanto ele.
- Ele é sim! – Camila disse ainda
encarando o meu “Irmão” romanticamente, mas acho que o Jonas, assim de repente,
não estava mais no clima. – Mas acho melhor mesmo eu ir pra cama agora, - A
danada meio que deixou no ar um convite para o Jonas, se caso ele quisesse
acompanha-la – Já está ficando tarde e o papai vai me falar um monte se souber
que fiquei aqui em baixo conversando com você até essa hora, Nick! Então boa noite! –
Ela fez questão de dar um beijo na bochecha do Jonas e agradece-lo mais uma vez
pelo sanduíche.
Esperei até ter certeza que a
filinha do Blaick já estava bem longe e me aproximei do Jonas.
- O que você pensa que está fazendo,
Jonas? – Questionei batendo a minha mão sobre a bancada – Estava dando em cima
da filha do Blaick?!
- E se eu estivesse?! – Ele me
desafiou cruzando os braços e me oferecendo o seu típico sorrisinho convencido
– Bom, até onde eu sei nós dois somos solteiros, não somos? Qual é o problema, Miley?
- O problema é que você não pode! –
Disse sem pensar direito e de repente me dei conta que ele podia sim e que eu
não tinha fundamento nenhum pra ser contra isso. – Será que você não percebe
que pode acabar ferrando com tudo! – Retruquei irritada, tentando fingir que a
minha raiva era única e simplesmente por medo dele estragar as coisas com meu
cliente – Não entende que se continuar tentando dormir com a filhinha do seu
chefe, vai nos meter em problemas?! E talvez você que é um inconsequente não esteja
nem aí, mas eu preciso do meu trabalho!
O Nicholas ficou calado, me
analisando.
Eu estava com raiva dele, e muita
raiva! Mas sabia que não era pelo motivo que eu tinha dito que estava. Eu
estava com raiva dele porque ele estava jogando charminho pra outra garota e eu
mesma ainda não conseguia acreditar que eu estava com ciúmes desse imbecil!
Só que de repente, ele me puxou
pela cintura e prendeu meu corpo entre o seu e a bancada, exatamente na mesma
posição em que estávamos horas antes. Fiquei de frente com ele, próxima demais
dos seus lábios. Tive que fechar os olhos pra continuar resistindo a vontade
louca que de repente me acometeu de beijar a sua boca.
- Não é nada disso! – Murmurou
sorrindo – Você não está com medo de perder o trabalho, está é com ciúmes!
- É claro que não! – Neguei,
tentando faze-lo me deixar sair daquela posição.
- Vamos lá, admita, Miley! Você não
se aguenta quando me vê com a Camila – Gabou-se e eu detestava tanto o jeito
como eu gostava assim de um cara tão arrogante e cheio de si como ele. Eu detestava
o seu jeito, mas estava cada dia mais atraída por ele... Era completamente
irracional os meus sentimentos por esse cara!
- Até parece...Eu, com ciúmes de
você?! Não seja ridículo, Jonas! – Continuei com o meu teatrinho de negação.
- Está sim, - Alargou o seu
sorrisinho – mas não precisa... – Ele me manteve na mesma posição rocando seu
corpo no meu e me enlouquecendo aos poucos. Segurou meu queixo, fazendo-me o
encarar – Porque a única que eu quero é você!
Eu o detestava quando estava
cuspindo as suas arrogâncias, mas quando ele dizia alguma coisa de um jeito sério
assim, sabia como ser absolutamente convincente.
Encarei seus olhos por tempo demais
enquanto tentava decidir se ele estava mesmo falando sério e me peguei presa
neles, como se fossem um imã pra mim.
- Ah, tá! – Me desfiz do seu olhar
– Eu vi o jeito que você estava olhando pra ela!
- É, eu admito que ela não é nada
feia... – Confessou e eu quis estapeá-lo – E eu gosto da possibilidade de
provocar o pai dela, mas é só isso. – Garantiu.
- Bom, ela praticamente te convidou
pra “fazer companhia” lá no quarto dela. Você não vai? – Repeti com desdém a
ideia que a patricinha deixou no ar antes de sair da cozinha.
- Se não quer que eu vá é só dizer.
– Ele estava falando baixo, meros sussurros. Sua voz e seu calor inebriando todos
os meus pensamentos racionais. – Me convida pro seu quarto também e pronto, resolvemos
isso agora mesmo!
- E desapontar a senhorita Blaick?
Não acho que seja uma coisa que você realmente quer fazer! – Tentei fazer soar
como uma provocação, mas era só o meu ciúme falando e eu devo ter soado mais como uma criancinha birrenta que foi contrariada.
– Já disse que não quero ter nada com aquela
garota. – Repetiu como se quisesse me fazer entender de uma vez por todas, mas
eu não acreditava em uma só palavra.
- E quer que eu acredite em você?!
- Quero! – Respondeu simplesmente e então me beijou. O beijo dele me fazia perder completamente a linha de raciocínio...
Dane-se a Camila! Tudo que aquele beijo me permitia pensar era no quanto eu
gostava do sabor dos seus lábios os meus. – E só pra constar, eu nunca mentiria pra você! –
Murmurou quando deixou meus lábios e dividiu beijos entre o meu ombro e o meu
pescoço. Eu já estava agarrada aos seus cabelos, tentando ao máximo reprimir os
gemidos que os seus toques sempre me causam – Você é única que eu quero, Miley!
– Disse mais uma vez me puxando e fazendo virar-me de costas, colocando-me na
posição que ele tinha dito que me queria.
- Nick... Não podemos! – Tentei
lembra-lo, mas eu mesma não queria pensar em mais nada agora. Se ele me
quisesse aqui, me teria e pronto! Eu não iria conseguir ser racional o
suficiente pra lhe negar qualquer coisa que fosse.
- Eu quero te comer aqui, e eu não
vou mais conseguir esperar por isso! – O Jonas já havia desatado o nó do meu
roupão e estava me despindo. A peça que me cobria foi ao chão, revelando o que
eu tinha por baixo, só um minúsculo conjunto de lingerie cor de vinho. Jonas
olhava para o meu corpo deslumbrado, com tanto tesão como se me venerasse e eu
adorava vê-lo babando assim por mim. – Se fizesse ideia do quanto você é linda,
nunca iria perder tempo com ciúmes de uma meninha que não chega aos seus pés. – Beijou meu ombro, deixando suas mãos deslizarem em minhas curvas. Seu elogio encheu meu ego. Fez eu me sentir ainda mais gostosa e eu me empinei provocativa
sobre a bancada exatamente como a Camila estava, só que melhor, afinal eu era
uma profissional e ela só uma amadora.
Pude sentir a pressão do volume em
suas calças contra a minha bunda aumentar rapidamente.
- É assim que você me quer? –
Murmurei provocativa, rebolando contra a sua virilha e virei-me só para ver o
Jonas morder os lábios, segurando um gemido de desejo.
- Bem assim! – Senti um tapa
estalado na minha bunda e tive vontade de gritar de tesão, mas tive que me
segurar. – Eu queria muito te comer bem devagarzinho e curtir bastante essa tua
bunda maravilhosa sem pressa, mas aqui é um local arriscado, então só teremos
tempo pra uma rapidinha. – A porra da voz desse homem sussurrando obscenidades ao
pé do ouvido deveria ser considerado um crime.
Eu não iria topar fazer uma coisa
dessas com mais ninguém, ainda mais me arriscando desse jeito, com tanta coisa
em jogo. Mas ele me excita num nível que me entorpece, e nesse estado eu acho
que seria capaz de topar qualquer coisa com ele.
O imbecil do Jonas era um maldito apostador
e ele sempre apostava alto demais para nossa própria segurança, mas era
exatamente isso que me apetecia. Ele era ousado e não parecia se quer
incomodado com a possibilidade de derrota.
Mais que isso, ele agia como se não pudesse ser
derrotado.
Exatamente como quando o vi em um
de seus duelos com o Blaick, naquela mesa de pôquer em Las Vegas...
Todas as chances estavam contra
ele, mas ele não parecia se quer incomodado.
Decidiu que ganharia do Blaick e
ganhou.
Assim como me ganhou.
(...)
Fazia algum tempo que o sexo pra
mim não era tão excitante. Sendo prostituta, eu estava habituada demais com a
malícia, os toques libidinosos e carícias cheias de segundas intenções e eles
já não me causavam sensações surpreendentes. Mas com o Jonas era diferente sempre. Com
ele foi diferente desde a nossa primeira vez.
A forma como o meu corpo reage ao
seu toque é uma coisa inexplicável até pra mim mesma. Era consensual sem se quer ser pedido permissão, como se cada centímetro
da minha pele adquirisse vontade própria e implorasse por ele desesperadamente.
Eu estava ferrada! Tinha me
apaixonado por ele mesmo sabendo que não deveria...
Recoloquei o roupão depressa e
tentei me recompor o melhor que pude, o Nick fez o mesmo. Ficamos num breve
instante de silencio, que eu quebrei anunciando que iria voltar pro meu quarto.
Mas ele não deixou.
- Espera! Vai sair assim? Sem nem
se despedir se mim? - Puxou-me para si, impedindo que eu fizesse o percurso que
eu pretendia. Passou seus braços em volta da minha cintura, enlaçando-me de um
jeito despretensioso. Então beijou-me ternamente, quase que de um jeito romântico.
Meu coração ficou apertado. Aquelas
sensações eram igualmente maravilhosas e assustadoras. Se eu continuasse me
envolvendo assim com o Nick, dificilmente seria capaz de esquece-lo depois.
- Dorme comigo? – Pediu baixinho, com
o nariz rocando no meu em uma carícia ínfima.
- Nick, isso não faz parte do nosso
acordo. Concordamos que seria só um programa por noite e você já está pedindo
demais! – Relembrei e ele beijou o meu pescoço
só porque sentiu vontade.
- Isso não precisa fazer parte do
acordo. – Insistiu com um meio sorriso e uma mão que não abandonava a minha
cintura nunca – Não vai ser um programa, não vai rolar sexo. Quero só dormir,
eu juro! – Explicou – E não estou pedindo isso como um cliente. Estou pedindo
como um cara qualquer, que está muito afim de dormir com você, Miley. – Fez questão
de frisar o meu nome.
O meu nome verdadeiro nos seus lábios
soava perfeito.
Observei-o me olhando, seus olhos
castanhos pequenos e intensos. Seu pomo de adão se movendo. Estávamos próximos o
suficiente pra que eu pudesse sentir o seu cheiro.
Eu adorava aquele cheiro, era
simplesmente delicioso!
É claro que eu quis dizer que sim e
dormir abraçada nele. Com seus braços firmes me apertando e aquele cheiro
maravilhoso ao meu redor.
Uma parte de mim queria apenas se
entregar a todas aquelas sensações, mas seria arriscado demais pra mim em todas
as perspectivas, principalmente naquela em que eu deveria manter meus
sentimentos fora disso.
- Não vai dar, Jonas. Não faço esse
tipo de coisa. – Soltei-me de seus braços mesmo contra a minha vontade e não o
deixei dizer mais nada. Saí da cozinha depressa e subi as escadas para o andar
de cima quase correndo, sem nem mesmo olhar para trás.
(...)
Senti-me completamente desconfortável
tendo que interagir com o Jonas como se fosse o meu irmão depois de ontem a noite. Deixei que me comesse na bancada da cozinha e agora não conseguia parar de pensar em sexo com ele, nos lugares mais inusitados, e isso definitivamente não era uma coisa simples de afastar dos pensamentos.
Nós dois em nosso teatrinho fraternal, onde eu era obrigada a passar boa parte do meu tempo com o homem que era a causa da minha completa e absoluta frustração.
E ele ficava tão delicioso de terno!
Mas a pior parte é que eu estava tão envolvida por ele que vez ou outra eu me pegava divagando
sobre o seus pensamentos, ou observando-o por tempo demais enquanto trabalhava, reparando detalhes em
suas feições e seus trejeitos enquanto ele agia de maneira tão natural quando
eu estava por perto.
Como se a minha presença não o
afetasse do jeito que a dele me afeta.
Fizemos uma pausa do "trabalho" e viemos para a área da piscina relaxar um pouco. Bom, pelo menos eu fiz isso, pois Jonas continuava revisando um relatório qualquer.
Senti sua mão pesar sobre a minha
cintura e ele inclinou-se para sussurrar no meu ouvido.
- Sua enteada vem vindo, então sorria
e seja simpática. – Murmurou a sua ridícula piadinha.
- rá-rá-rá engraçadinho! – Respondi
fuzilando-o com os olhos.
- Não me olhe assim! Não esqueça
que sou o seu irmão preferido e você me adora! – Sorriu pra mim daquele jeito
que eu amo detestar e me indicou a patricinha do outro lado da piscina vindo em
nossa direção.
- Porque não fingimos que você é o meu
irmão irritante e eu te odeio? – Resmunguei cruzando os braços– Seria bem mais realístico!
- Miley, já está mentindo sobre
coisas demais, não precisa continuar mentindo sobre o que sente por mim.
Camila estava perto demais e eu
precisei disfarçar muito bem o quanto a ultima insinuação tinha do Jonas tinha
me deixado desconcertada.
- Nick! – Ela se agarrou ao seu braço
em uma cumplicidade que eles obviamente não tinham tido tempo de desenvolver –
Eu tenho um pedido pra fazer e você não pode me dizer não! – Avisou – Os
vizinhos vão dar uma festa no sábado e você vai comigo! Será o meu acompanhante
e será todinho meu pela noite inteira! – Anunciou muito satisfeita e eu estava
com vontade de jogá-la na piscina, pra ver se apagava o seu fogo! – Ah, e você também
pode vir Lola!
- Nossa, parece que vai ser incrível!
– Fiz meu melhor pra parecer animada e não deixar obvio o meu sarcasmo, não sei
se fui completamente bem sucedida.
- E vai ser mesmo! – Ela concordou,
com seu típico ar esnobe – O nosso vizinho é um dos grandes empresários do ramo
marítimo e eles são muito, muito ricos. Dão sempre as melhores festas por aqui, bom, depois
das minhas, é obvio!
- Bom, por mim tudo bem, Cami –
Pera aí, “Cami”? – Mas e o seu pai, o que ele acha disso? Não quero ter
problemas com o meu chefe.
Mas era um cínico mesmo! É claro
que ele queria problemas. Iria a essa festa com ela só com a intenção de pirraçar
o Blaick.
- Não se preocupe com ele! – A patricinha
mordeu o próprio sorrisinho tentando dar um ar sexy as suas palavras, como se o seu decote exposto já não demonstrasse desespero o suficiente. – Eu dou um jeito de
convencê-lo!
(...)
Continua...