quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

One More Night - Capítulo 21


Narrado por Demi

Chequei pela décima vez a minha maquiagem no pequeno espelho de mão, enquanto esperava na entrada do meu prédio o táxi chegar.  Está tudo certo com a maquiagem, como eu havia visto há dois minutos atrás. Pode parecer bobo, mas estava absurdamente ansiosa pra essa festa.  Faz bastante tempo que eu não vou a encontros com algum cara. E um cara como o Glen? Bom, sempre há uma primeira vez para tudo. 

Glen é um gato. E fala sério, ele é tudo que uma mulher deseja e mais um pouco. Lindo, simpático, rico, sexy, bom de papo... E com esse naipe todo ele deve ter saído com as mulheres mais interessantes dos Estados Unidos. Mas como o Nick disse, se ele aceitou sair comigo é porque ele me achou interessante também. Então, relaxa Demetria... Só relaxa.

O problema é: Acho que a ficha está caindo agora. Logo agora! Não poderia ser amanhã? Depois de ter curtido a festa, bancar a mulher poderosa e sensual e me divertir com ele?
Suspirei quando eu vi o taxi finalmente chegar. Ah, como eu queria que a Miley estivesse aqui para me dar uma ajudinha...  Uma dica, um mantra de mulher fatal, qualquer coisa!
Entrei no taxi e repassei o endereço para o motorista.  Quer saber? Vou dar uma ligadinha pra ela. Não custa nada!

-Alô? – ouvi a voz da Miley um pouco mais baixa que o normal. –Demi, tá tudo bem?

-Não, não está! Eu to indo para uma festa de gente rica com o Glen. – eu disse e ouvi ela conter o volume da sua risada.

-E por que isso seria ruim, amiga?

-Acho que trabalhei tanto que esqueci o que se faz em um encontro! Miley, ele é de um universo totalmente diferente do meu. O que eu faço?

-Dê, você é uma pessoa incrível, só seja...

-Ah não, não venha com o clichê de “seja você mesma”.  Quero soluções concretas!

-Demetria, presta atenção no que eu vou dizer e espero que você entenda rápido porque estou falando no telefone escondida no quarto. – ela mudou o tom de voz e entendi que ela já estava ficando impaciente. –Tem um cara mega gostoso a sua disposição, uma festa maravilhosa que te aguarda porque um cara que nem o Glen só vai nas melhores, pode apostar.  Você quer mais o que? Você está indo nesse encontro para aproveitar e não pra impressionar. Eu preciso impressionar porque é meu trabalho, mas você não. É para você se divertir! E que se dane o que vão pensar ou não de você. Você vai ter a noite que você sempre quis. Agora vai lá e aproveita! 

Ela tem razão. É uma oportunidade de eu me divertir e tirar uma casquinha daquele homem de arrancar o fôlego. Essa é a minha noite. Só minha!

-Garota, eu te amo! E desculpa por ter te atrapalhado, Miles.

-De nada. – ela respondeu mais relaxada. – Depois me conta tudinho, hein. Agora eu tenho que ir. Beijos.

-Te conto tudo amanhã. Beijos.

Depois de alguns minutos de viagem, o taxi finalmente parou em frente ao destino.  O edifício ficava a poucas quadras da Times Square, uma região de prédios extremamente luxuosos.  O prédio era de uma arquitetura imponente e bem moderna, só pela entrada eu já pude imaginar o nível das pessoas que moram nesse lugar. Depois de me identificar com o porteiro, subi até a cobertura.  Pelo que entendi, o apartamento era na cobertura. Assim que cheguei ao ultimo andar, a porta do apartamento já estava aberta e o avistei me esperando logo na entrada. Tocava uma música bem animada por ali.

-Demi! –ele me chamou.

O cara estava um pedaço de mal caminho. Ele sabia disso. Assim que ele me avistou, abriu aquele sorrisinho sedutor e por um momento tive que me concentrar em respirar direito, até me recompor. Eu sorri de volta e fui abrindo o sobretudo quando notei que ali dentro estava aquecido o suficiente.  Percebi o seu olhar varrer sobre mim e demorando um pouco mais sobre o meu decote. Tentei disfarçar um sorriso de vergonha, mordendo o meu lábio inferior. Ele não tem pudor nenhum em demonstrar os seus pensamentos e eu já podia perceber isso só pelo olhar. Glen suspirou discretamente e caminhou em minha direção para me ajudar com o sobretudo. 

-Você veio definitivamente para matar alguns caras do coração hoje, inclusive eu. Você está incrível. –ele sussurrou atrás mim, enquanto me ajudava a tirar a peça. Pude perceber a minha nuca se arrepiar ao sentir seu hálito bater em minha pele. Ok, corpo, eu sei que não saio com alguém há muito tempo, mas me ajuda a não passar vergonha.

Olhei para trás para encontrar seus olhos verdes me fitando intensamente.  –Obrigada, Glen. Você também está lindo. – A troca de olhares por alguns segundos foi quebrada quando ouvi uma voz feminina se direcionar a mim.

-Então você é a convidada do Glen? – uma moça de cabelos curtos e ruivos sorriu simpaticamente para mim enquanto Glen entregava o meu sobretudo para alguém que estava guardando as coisas no closet da entrada.  –Eu sou Taya.  

Me apresentei à anfitriã da festa. Ela parecia ser bem legal, me mostrou brevemente onde tem as bebidas, as comidas muito bem servidas, me explicou que tinha a área aberta se eu preferisse ficar por lá. A decoração daquele lugar é impecável, cheios de quadros abstratos coloridos e esculturas modernas. Todo o ambiente parecia ter a cara da Taya, divertido e cheio de atitude. Só durante a recepção da anfitriã, já tinha reconhecido uns dois ou três rostos bem familiares, que presumo ser de alguns famosos. Pelo que parece ela trabalha no ramo artístico e deve conhecer muita gente influente da mídia.  Um pouco depois ela nos deixou a sós e fiquei a vontade com o Glen novamente.

-Que bom que você veio, Demi. – ele alisou a ponta de seus dedos pelo meu braço, até alcançar a minha mão. Ele deve ter percebido a minha respiração mais pesada e sorriu de lado, sem abrir os lábios. –Eu pensei que não vinha mais.

Peguei a sua mão, na tentativa de deixa-la sobre o meu controle antes que as minhas expressões gritassem “eu estou muito a fim de te pegar agora”.

-É, eu acabei me atrasando um pouco... Espero não ter perdido muita coisa.

-Imagina, a noite só está começando. – ele me puxou pela mão que o segurava. – Vem. Quer beber alguma coisa, comer alguma coisa?

-Definitivamente, eu estou louca para comer aquele sushi. – eu me animei quando vi a mesa tomada por comida japonesa. E ele riu com a minha animação.

-Então somos dois. – ele comentou, indo em direção à mesa junto comigo. Pegamos os pratos para nos servir. – Finalmente uma gata com apetite. Você não pode imaginar o quanto de gente que vem para uma festa como essa para passar fome.

-Se tem uma coisa que eu não escondo é a minha vontade de comer.

-Já gostei de você. –ele comentou com um sorriso divertido no rosto.

Passamos um bom tempo conversando por ali. Contei um pouco do que eu faço da minha vida, com o cuidado para não citar a Miley. Prefiro esconder algumas coisas a mais do que sair falando o que eu não devo. Imagina só se ele liga os pontos? Tudo bem que ele é amigo do Nick, só de o Nick saber do segredo da vida dupla da minha amiga já está de bom tamanho.

Ficamos parados por ali por um bom tempo, conversando e rindo. Algumas vezes, alguns toques discretos e carinhosos ele se atrevia em meio a troca de olhares mais intensos e obviamente, eu já estava correspondendo. Nos beijamos poucas vezes ali, mas foi o suficiente para eu provar aqueles lábios macios dele e querer mais.

- Olha, eu quero muito dançar com você, mas acho que tem uma coisa mais divertida para fazermos aqui. Topa?  – ele se aproximou de mim sem quebrar o contato visual. Oh... Ok, ele já está cheio de atitude.

-Topo! – olhando desse jeito para mim, bebê. –O que vamos fazer?

- Me espera um pouco aí. – ele sorriu e de repente se afastou para algum canto da casa. Pouco tempo depois ele já estava de volta e me mostrou uma chave em uma de suas mãos. –Vamos, linda. – me puxou pela mão novamente, mas dessa vez em direção ao extenso corredor do enorme apartamento.

Com a chave, abriu uma das portas que estava trancada e entrou no cômodo comigo. Ele já está bem apressadinho, né? Apesar de estar com vontade de questionar essa rapidez, fui movida pela curiosidade em observar o que ele estava fazendo com isso tudo. Ele caminhou até a sacada e o segui.  Do lado de fora, tinha a visão da maior parte da Madison Square Garden, de uma altura grande o suficiente para termos uma vista bem privilegiada das luzes de Nova York.

-Uau! Que lugar incrível! – eu disse me aproximando da barra da sacada. –Olha essa visão!
-É, eu sei.  Sabia que você ia gostar. – ele disse ao meu lado, ainda com uma das mãos em minha cintura. – A sacada principal, lá de fora, é muito bonita também. Mas essa visão daqui ainda consegue ser melhor.  Ainda mais com uma mulher como você aqui. – a sua voz saía de sua boca como um veludo, macia... e bem sexy. 

-É, Glen... Devo confessar que você é muito bom nisso. – eu disse me voltando para ele. Suas sobrancelhas arquearam.

-Bom, em que?

-Em ser um sedutor. Você leva a sério isso, de querer impressionar as mulheres. – eu soltei. Ele riu de surpresa com a minha afirmação. – Ou você acha, que eu realmente estava pensando que você é um moço distinto e romântico? – dessa vez foi a minha vez de avançar, diminuindo a distância entre nós. Até que enfim, a maldita timidez foi embora, pelo menos por alguns minutos.

-Por algum momento achei. – ele abaixou o tom de voz, conforme a distancia entre nossos rostos diminuíram. – Mas acho que quem me enganou foi você, com toda essa pose de menina tímida e fofa. – Ele abaixou o seu olhar para a minha boca e tirou o meu cabelo da frente do meu ombro, o jogando pra trás. –Não que você não seja adorável, porque você é. Mas sabemos bem que existe um lado mais atrevido em você que estava prestes a sair.

Eu encarei seus lábios por mais pouquíssimos segundos, antes de juntar de vez a minha boca com a dele. Mesmo de salto, eu me esforçava para manter a altura da sua boca. Glen me facilitou, quando me puxou ainda mais pela cintura com mais ousadia, me deixando na ponta dos pés. Sua língua ardilosa acariciando a minha com fervor, sem nenhum pouco de pressa, mas com uma sensualidade impossível de resistir.  Nosso beijo já imprimia muito bem a tensão que estava rolando entre nós e eu só não queria parar.

Senti Glen descer com a sua mão ousada até a minha bunda e a apertou. Mordi o seu lábio inferior e o suguei entre os meus, voltando ao beijo quente que estava rolando entre nós.
De repente, ouvimos um barulho vindo do quarto. Taya tinha entrado e nos viu na sacada. Acho que Glen se esqueceu de trancar de volta.

-Ops, oi Taya. – eu falei sem graça.

-Glen, você pegou a minha chave? – ela cerrou os olhos para ele. O danadinho abriu um sorriso safado, como se estivesse fazendo algo que não devia, mas que tinha gostado e eu não pude conter senão morder aquele sorrisinho lindo. Ele retribuiu com beijinho curtos, até se tocar que a amiga dele ainda estava ali.

-Bem, eu... Só vi mostrar a vista daqui para Demi, não é? – ele perguntou pra mim e afirmei com “é” e balancei a cabeça. – Mas já estamos de saída, relaxa. – ele piscou e me caminhou comigo em direção a porta, segurando a minha mão.

Poucos minutos depois, já estávamos na garagem do prédio e Glen finalmente encontrou o seu carro em uma das vagas que sua amiga emprestou para estacionar.  Quando me toquei, havia deixado o meu sobretudo cair no chão, quando aquele loiro maravilhoso me prensou entre o seu corpo escultural e o seu carro importado, me roubando mais um beijo que arrancar o fôlego.  Assim como trocamos amassos quentes no elevador e eu brinquei em apertar o botão de emergência para me divertir um pouco lá dentro com ele, mas não podíamos ficar por lá durante muito tempo. O plano é irmos para casa dele e não ter hora para ir embora.

Glen direcionou a sua boca para o meu decote, enchendo a parte valorizada e exposta dos meus seios com beijos e lambidas. E eu sorri por um momento quando lembrei do Nick dizer “ele vai ficar doidinho para enfiar a cara bem aí”. É... Nick conhece o seu amigo muito bem.

-Demi. - ele disse entre beijos em meu pescoço. – O que você acha de...

-Irmos para o banco de trás antes de ir embora? – eu sorri ofegante e ele respondeu com um “uhum” ainda beijando a minha pele.  –Por favor, vamos!

Entramos no carro e em poucos minutos as nossas roupas já foram tiradas com uma pressa de dois desesperados pelo outro.

(...)

Quando chegamos à mansão que o Glen morava, ele me abraçou por trás enquanto eu adentrava a casa, admirando em casa detalhe. Ok... Entendi muito bem, o cara é cheio da grana mesmo!

-Sua casa é linda! – eu comentei.

-Obrigado, Demi. Fique a vontade. – ele apertou de uma forma charmosa o meu queixo. -“Mi casa es su casa”. Agora que eu não vou mais dirigir, eu posso acompanhar um vinho com você. Aceita uma taça, minha linda?

-Claro. – eu sorri para ele antes do deus nórdico da bunda magnífica ir buscar um vinho na sua adega.  

Tirei os sapatos de salto, ficando mais a vontade. Enquanto ele preparava as taças, eu fui caminhando pela sua sala de estar, observando as suas fotos espalhadas pelo ambiente. Fotos em viagem aventureiras para varias partes do mundo, algumas fotos com a família... Até o Glen pequeno conseguia ser uma criança encantadora de tão linda. Fui pega de surpresa quando o ele já próximo de mim, chamou a minha atenção me estendendo a taça de vinho tinto.

-Gostando das fotos? – ele perguntou e eu assenti com um balanço de cabeça.

-Me conta mais sobre você, Glen. Conversei muito sobre a minha vida na festa com você. Quero conhecer suas histórias. – eu me sentei no sofá, mais a vontade.

-Ok, por onde eu começo? – ele se sentou em frente a mim com um sorriso frouxo no rosto e sorri de volta. Puta merda, como ele é encantador. 

Então conversamos sobre a sua vida, sobre a suas aventuras ao redor do mundo, as histórias engraçadíssimas que ele tinha com o Nick no tempo da faculdade em Princeton...  Eu estava gostando de conhecê-lo melhor. A noite desde o começo foi incrível, mas esse momento eu estava amando porque estávamos muito mais sinceros e transparentes. Estávamos à vontade um com o outro. E não queria admitir, mas estava amando ouvir cada palavra daquele cara.

-Então Nick conseguiu um emprego na Blaick inc. e eu comecei a trabalhar na empresa da minha família, como era esperado, sabe? Repassado de geração em geração... Bom, Nick acabou ficando com o trabalho mais árduo, mas acredito que ele vai longe também.

-É... eu tenho ouvido dizer que aquele chefe dele não é fácil. – comentei despretensiosa.

-Blaick é um grande babaca. – ele rolou os olhos. Pelo tom de voz, deu para perceber que ambos não têm uma relação muito amigável. –Tudo bem que o cara é inteligente em fazer tudo o que ele fez, mas ele é um homem arrogante e sem escrúpulos.


-O que ele faz? – eu perguntei.

-Ele puxa o tapete de quem for preciso para conseguir o que quer. Trata os seus funcionários com arrogância e indiferença. E bom, o Nick é um caso a parte, né? Richard sabe o potencial do Nick e no fundo ele detesta ter um grande concorrente em potencial ameaçando ofuscá-lo. Por isso ele é tão imbecil com o Nick.  –Glen pareceu se lembrar de mais uma coisa. – Ah... Além do cara simplesmente esquecer a família dele em Londres para pular cerca com prostitutas de luxo aqui em Nova York. Prostitutas não, prostituta.  – Eita, ele está falando da Miley! – Lola. – ele pronunciou lentamente o nome dela e por algum motivo aquilo me incomodou um pouco. – Ela é estonteante. Parece fina, sabe? Culta... – ele foi rasgando elogios pela Lola e de repente aquela ideia de passar o resto da noite com ele não me pareceu mais tão boa assim. – O cara ficou tão obcecado por ela, que ele quis contratá-la para ser totalmente exclusiva dele. – Glen comentou ainda de tom de revolta contra Blaick.

Isso está me cheirando a ciúmes. E isso me deixou tão incomodada que até mais um gole daquele vinho me deixaria enjoada. Foi inconsciente, mas quando eu dei por mim, eu me toquei que a Lola já veio nesse lugar e ele fez tudo o que ele quis com ela aqui. Então eu me lembrei dos relatos da Miley do quanto que ele parecia estar caidinho pela Lola, a procurando de vez em quando e até a disputando com o Nick. E aqui estava eu, tinha acabado de me pegar com ele no carro e ele ainda estava com raiva do Blaick ter roubado a sua diversão.

-Demi... – ouvi sua voz distante, enquanto a minha mente fervilhava em pensamentos. – Você está séria. Está tudo bem?

Eu suspirei e deixei a taça de vinho na mesinha de centro. Eu já devia imaginar. Ele é um mulherengo de primeira, assim com o Nick me avisou. Nós não somos compatíveis. A Lola é. Eu senti raiva dele, mas eu precisava me conter.

-Quer saber? Eu acho que já está na hora de eu ir para casa. - eu disse, chamando o taxi pelo aplicativo do meu celular.

-O que? Por quê? – ele perguntou confuso. – Quer dizer, mas já? Aconteceu alguma coisa de errado? 

Eu coloquei os meus sapatos de volta.  –Eu só quero ir para casa agora.

-Mas assim tão de repente... e a gente? Fica aqui, Demi... – ele insistiu e eu ignorei me levantando e indo buscar o meu sobretudo. –Demi, espera. O que está rolando? – ele veio atrás de mim e tentou me parar, tentando me segurar pela mão, mas eu puxei.  Chega, meu humor foi pelos ares.

-Não insiste, por favor. – peguei a minha bolsa na entrada da casa e a abri a porta sozinha. – Tchau, boa noite.

Fui uma ideia estupida e impulsiva minha. Parecia divertido demais sair com um grande clichê dos romances adultos, um homem gostoso, rico, divertido, sensual e bom de cama, me chamando de linda e me fazendo sentir desejada a noite toda. Mas na real ele é o Glen, o mesmo Glen que estava nessa medição de pau com o Nick pela Lola. Eu não podia e nem queria entrar nessa competição. Não, eu e Miley não estamos competindo. Mas eu pude ver o quanto que ele ainda queria a Lola ali e não eu. Eu não posso me prestar a isso. Eu sei o quanto eu me apego e já estava começando a gostar dele.  Eu e ele? Nunca iriamos acontecer.

E repito para mim mesma: eu não posso me prestar a isso.

-Demi... –eu o interrompi.

-Não vai atrás de mim.

Narrado por Nicholas

Ainda eram dez e meia da manhã e o escritório já estava uma loucura. O louco do Blaick cismou de tirar dez dias de férias em Hamptons e jogou um mundo de tarefas para os funcionários, com uma dose especial para mim, o assistente que ele ama fazer de trouxa. Se tem uma coisa que eu odeio é gente que cobra mais do que faz.  A sorte dele é que eu gosto de trabalhar, porque se não gostasse eu já teria jogado esse emprego e todas as minhas oportunidades para o alto e faria questão de deixá-lo na merda. Porque uma coisa que ele sabe muito bem é que uma boa parte dos avanços dessa empresa se deve a mim. Richard Blaick deve contar muito com a minha força de vontade de permanecer aqui mesmo, porque a cada dia mais é uma forma do meu chefe me tirar do sério e me fazer lembrar o porquê eu estava ali.

Ouvi o meu celular tocar em cima da mesa. Parei de digitar quando eu vi o identificador. Glen.

-Oi, cara. Pode falar. – eu equilibrei o celular entre meu ombro e minha orelha, enquanto terminava de digitar os ajustes finais de um dos relatórios da semana. – Como foi ontem a festa com a Demi?

-Foi perfeito, até ela ir embora do nada. – ele respondeu do outro lado. Ah não, o que o safado do Glen aprontou agora? – A gente estava se dando super bem. Conversamos bastante, nos pegamos. Parecia que ela estava gostando de tudo. Cara, a Demi é de enlouquecer. Que mulher incrível! Estava rolando tanta química entre a gente, que a gente transou no carro mesmo. Mas chegando lá em casa, ela se chateou do nada e quis ir embora. E ela não retorna a minha ligação.

-Puta que pariu, Glen! – eu levantei a voz.  A essa altura, eu já tinha até de deixado o relatório de lado e me levantei da cadeira. Eu estava puto. – Você comeu a Demi e depois foi um idiota com ela na mesma noite!? Qual é o seu problema? Qual parte do “não seja um imbecil, não magoe a minha amiga” você não entendeu?

-Cara, eu não fui um imbecil com ela. Eu a deixei a vontade a noite toda, não disse nada demais!  Eu só não entendi mais nada.

-O que você exatamente disse antes dela ir embora? – A sorte dele que era impossível de socá-lo pelo telefone, porque era isso que eu queria fazer.

-Não sei, a gente estava conversando sobre tantas coisas... Eu comecei a falar sobre a minha vida, sobre a nossa amizade, aí eu falei sobre o Richard e acabei comentando que ele tava pulando cerca com a Lola. Aí um pouco depois, ela ficou séria e pensativa. Se levantou e quis ir embora do nada. 

É sempre a porra da Lola metida na história. É sempre ela o centro de todo carma desde que vi essa mulher pela primeira vez. 

-O que exatamente você falou da Lola? –eu perguntei e ele demorou um pouco pra responder.

-Eu não falei que transei com ela e nem nada...

-Você falou mal dela, Powell?

-Não, eu só falei que ela é a preferida da alta sociedade e que a beleza dela chama a atenção. Só. Você acha que ela ficou chateada porque eu falei sobre uma prostituta? Eu nem falei que nós ficamos, cara. Mas eu não tô mais interessado na Lola!

Eu coloquei a minha mão sobre na testa e respirei lentamente, na tentativa de não explodir no meu escritório. No fundo, no fundo, eu sabia que isso não ia dar certo. Por que eu fui burro de deixar o Glen sair com a Demi pra dar nisso? Era óbvio que não ia terminar bem. Demi já deve ter imaginado que ele transou com a amiga dela, mais de uma vez. Era óbvio que em algum momento isso ia ficar estranho. 

-Fala alguma coisa, porra. – Glen esbravejou do outro lado do telefone.

-O que você quer que eu fale? – eu falei ainda com o tom de voz alterado. – Você chateou a Demi, mas deu tempo de você conseguir o que queria, né? Meus parabéns pela burrice de falar da puta que você estava doido pra comer há alguns dias atrás! Você acha que ela ia ficar a vontade? Pensa!

-Ah cara, eu não iria imaginar que isso ia deixar ela chateada. Estávamos nos dando bem, nos conhecendo, ela estava sendo transparente e eu também. Além do clima entre nós que estava... Uau! – ele soltou um suspiro do outro lado. – Você tem que conversar com ela.

-Eu não vou convencer a Demi de insistir nada com você. – eu retruquei. – Não vou mais fazer parte disso.

-Nick, eu to vidrado nessa mulher. Que vá pro espaço a Lola! Acho que já nos resolvemos sobre ela. Você está apaixonado pela garota do Blaick. Eu deixei pra lá, ok? Ela é tua e pronto. –quem me dera – Vamos, cara! Me ajuda aí. O que eu posso fazer? Tipo, chamar pra um encontro num restaurante caro, alguma coisa assim?

-Glen, Demi não é muito do tipo que você se resolve comprando coisas. – ouvi alguém bater na porta do escritório e massageei minha têmpora direita, tentando organizar os meus pensamentos. – Olha só, eu tenho que ir. Depois a gente conversa sobre isso e torce para eu estar à base de calmante quando eu te encontrar pessoalmente. - Desliguei o celular antes de parar para ouvir Glen insistir mais uma vez.

Tudo bem que o Glen não faz ideia que a Demi é a amiga da Miley, que é a Lola pra ele. Na cabeça dele, as duas não tem relação nenhuma uma com a outra, além da história que inventei da falsa apresentação como minha namorada pra ela. Mas será que ele não pode manter aquela língua menos afiada na boca, em vez de sair falando da prostituta de luxo que foi pra casa dele há pouco tempo atrás?

A Demi deve ter ficado desconfortável, com certeza. Ela sabia de muita coisa, mais do que eu até. Deve estar ciente das loucuras que ele deve ter feito com a amiga dela e talvez ouvir da boca do cara que ela estava saindo comentários e opiniões sobre Lola deve ter estragado qualquer clima. E só espero que ela esteja bem. Demi não é a mulher mais desprendida do mundo, na verdade ela tende a criar algumas expectativas com os caras que ela sai e isso não é um defeito. É só o jeito dela de ser e encarar as coisas. Mas com certeza isso não seria compatível com o Glen. Não mesmo.

Ouvi as batidas na porta insistirem mais uma vez.

-Pode entrar! – eu respondi e avistei Grace, uma das secretárias do Blaick abrir a porta com uma expressão de preocupação muito estranha para essa hora da manhã.

-Jonas, acho que a coisa não está boa por aqui... – ela disse um pouco hesitante de chegar ao ponto. Ela fez uma expressão com a mão, apontando para o lado de fora da sala e andei rapidamente até a porta para avistar qual é o próximo abacaxi para eu descascar pelo Blaick agora.

E lá estava ela. Senhorita Blaick todo bem vestida com uma cara de entediada, balançando um das suas pernas cruzadas no sofá de espera do hall. Ela jogou os seus longos cabelos negros para trás dos ombros e finalmente me avistou a olhando da porta do escritório. Eu sorri educadamente para ela e ela sorriu rapidamente de volta, igualmente por educação. Ela estava claramente impaciente aguardando alguém. Merda, merda, merda!

-Ela veio procurando o senhor Blaick. – Grace sussurrou para mim. – Disse que quer fazer uma surpresa para o pai e passar alguns dias aqui nos EUA com ele. – ela olhou para mim preocupada. A secretária, assim como eu, sabia muito bem onde o nosso chefe estava e com quem ele estava. E isso a Camila Blaick não pode saber de jeito nenhum. – O que vamos fazer?

-Pede para ela aguardar mais um pouco que eu daqui a pouco eu vou falar com ela. Oferece um café expresso pra ela, sei lá, alguma coisa pra distraí-la enquanto eu ligo pro Sr. Blaick. – eu disse antes de fechar a porta de volta.

Nunca disquei o telefone do chefe com tanta rapidez como agora. Esperei o cara atender, mas nada dele pegar essa porcaria de telefone... Atende logo! Liguei mais uma vez e espero que Richard atenda essa merda logo, porque o casamento dele que está em jogo e não o meu. Depois de um tempo finalmente ouvi a sua voz do outro lado da linha.

-Jonas? Acho bom ser algo muito importante para empresa para me importunar agora. – meu chefe despejou todo o seu bom humor matinal. Mas quem vai ter que ficar pianinho agora é ele!

-Senhor Blaick, não é exatamente sobre empresa, mas eu tenho certeza que é um assunto muito importante e urgente. A sua filha está aqui agora mesmo no prédio da empresa procurando pelo senhor. De acordo com ela, ela vai passar alguns dias aqui na América para passar um tempo com o senhor. O que eu faço? – e aí, fodão? Como vai se safar?

Pude ouvir o cara xingar uns quatro palavrões de uma vez só do outro lado da linha. Quando se trata de atrapalhar a sua diversão com a Lola, o cara perde a toda aquela compostura para xingar com aquele sotaque refinado. Parece até cômico. 

-Espera! – ele gritou do outro lado da linha. – Me deixa pensar em alguma coisa... – depois de um minuto e falou novamente. – Faça as suas malas. – o que? – Você vai vir para cá. Fale para ela que eu vou passar uns dias aqui em Hamptons e que você também vai me acompanhar. Eu quero que você demore bastante para sair daí e vai dar carona para minha filha até aqui. Então eu acho bom você ser no mínimo muito responsável e respeitoso com ela, você me ouviu? Eu quero  que vocês venham de carro para eu ganhar tempo. De jeito nenhum ela pode vir para cá de helicóptero. Ela ainda deve pegar as malas dela no hotel também, é uma oportunidade de gastar algum tempo até chegar aqui... E mais uma coisa! Não quero que você fale NADA sobre a Lola, você me ouviu?

-Ouvi, sim. Mas o que vai acontecer com a senhorita Thompson? – eu perguntei curioso. Que desculpa ele vai dar?

-Durante o trajeto de vocês eu penso em alguma coisa. Mas faça o que eu digo, você me ouviu!? – ele ainda fala irado ao telefone.

-Entendi. – suspirei com um sorriso vitorioso no rosto. A diversão em Hamptons dos dois acabou, mas a minha só vai começar. – Até mais, senhor Blaick. – desliguei o telefone.

Saí finalmente do escritório, abotoando o meu terno, para aparecer da melhor forma bem apresentado. Tentei ao máximo disfarçar a minha cara de satisfação ao ver o Blaick nessa confusão.  A atenção da Camila saiu do seu café expresso com creme, que rapidamente deixou na mesinha ao lado, ao notar eu me aproximando dela. 

-Senhorita Blaick. - eu estendi a mão para ela e a cumprimentei com delicadeza.  –Sou Nicholas Jonas, o assistente pessoal do seu pai.


domingo, 24 de fevereiro de 2019

One More Night - Capítulo 20


Narrado por Nicholas

- Oi meninos! – Demi se aproxima de nós sozinha.

- Oi Demi! – Levanto-me para abraçá-la. Acho que não consigo disfarçar minha bem a minha frustração ao dar pela falta daquela mulher maldita, mas pelo menos tento.

- Oi! – O Glen se levanta e também a cumprimenta com um beijo na bochecha. Percebo que ela cora um pouco e que ele desliza a mão em sua cintura de um jeito que deveria ser apenas casual, mas eu conhecia o cara bem demais e sabia que aquilo podia ser um monte de outras coisas, menos um toque casual.

Pelo visto, hoje eu vou ficar de vela por aqui. Que droga!

- Ei, eu me lembro de você! – Glen alargou o sorriso. – Nos vimos no Pub no outro dia. Você “esbarrou” em mim!

- É, era eu... Ai que vergonha! – Demi cobriu o rosto com uma mão e esboçou um sorriso um pouco sem graça – Me desculpe por qualquer coisa. Naquela noite eu tinha bebido um pouquinho demais da conta...

- Que isso! Eu gostei da sua espontaneidade. – Ele a elogiou abertamente e esse era o passo 1 de uma serie de 5 passos “infalíveis” do Glen – Ah, e olha só, se ainda estiver de pé aquela sua proposta de trocar um beijo pelo meu telefone, eu aceito, tá?! – E esse foi o passo 2. Ele piscou depois do gracejo e Demi sorriu bobamente, como quase todas as garotas que já vi o Glen enrolar com sua lábia.

- E então?! Vamos pegar uma pista vaga pra começarmos a jogar? – Sugeri.

- Ahn, você pega uma pista pra gente Glen? – Demi disse o nome dele com uma doçura exagerada e agarrou-se ao meu braço – O Nick e eu vamos buscar refrigerantes e uns petiscos... A gente já volta! – Ela me puxou em direção ao balcão da lanchonete dentro do boliche.

- E aí, o que vai querer comer? – Perguntei dando uma olhada nas opções de lanches disponíveis.

- Na verdade eu só queria falar um pouco a sós com você. – Ela começou e eu já sabia sobre o que era. Fiz um pedido qualquer e Demi esperou o atendente se afastar pra ir prepará-los – É sobre a Miley. Ela não pode vir porque teve que fazer uma viagem de ultima hora...

- Éh, eu sei. – Murmurei. “Ela foi pra uma mansão em Hamptons transar com o meu chefe”, completei só em minha própria mente.

– Desculpe, eu estou me sentindo péssima por ter marcado a nossa saída justamente pra essa tarde, se eu soubesse... mas também como eu poderia adivinhar?! – Suspirou - E eu sei que você está chateado porque esperava vê-la hoje! - Demi colocou uma mão sobre o meu ombro.

- Bom, parece que ela não. – Resmunguei e joguei o dinheiro sobre o balcão, então peguei a bandeja com os copos e a porção de pretzels sem nem deixar o rapaz entrega-la direito.

- Nick! Não é isso. Ela vinha, mas é que...- fez uma curta pausa - bom, você sabe. É o trabalho dela.

- Demi, tá tudo bem. Ela achou uma coisa melhor pra fazer com o “caríssimo” tempo dela e eu não ligo! É sério, eu não dou a mínima! – Menti, pois, eu estava era morrendo de ciúmes – Por mim ela pode fazer o que bem quiser. Eu não tenho nada a ver. Agora vamos só parar de falar disso e fazer o que a gente veio fazer aqui, tá legal? – Queria dar por encerrado o assunto, mas a Demi me segurou antes que eu saísse rumo as pistas de boliche.

- Tá legal. A gente para de falar disso agora e vai jogar boliche pra você se distrair um pouco, mas não pense que vai fugir de mim fácil assim, ainda temos muito o que conversar, ok?! – Demi insistiu e eu murmurei um ok mesmo conta a minha vontade. Não tinha mais nada pra falar sobre esse assunto.

Ela era uma puta.
A puta do meu chefe.
Tinha ido dar pra ele em uma de suas mansões na beira da praia.
O que mais tinha pra conversar?! Tudo me parecia bastante autoexplicativo.
Exceto o motivo por que embora eu soubesse de tudo isso, eu ainda continuava morrendo de ciúmes.

Seguimos até a pista de boliche.

Começamos o jogo. Eu fui primeiro, mas estava com raiva demais pra me concentrar e acabei derrubando só seis pinos. O Glen foi depois e já começou bem, fez um strick.

– Quer saber? Eu vou detonar vocês dois! – Glen berrou assim que viu seu placar - Sou incrível nesse jogo!

- Ah, mas não vai mesmo! – Demi o cortou e foi pegar uma bola. Tinha diversas cores de bolas, e ela pegou uma roxa brilhante. – Porque eu também sou incrível nesse jogo, meu bem! – Ela o encarou e ele sorriu.

Meu amigo não fazia ideia do quão competitiva a Demi pode ser. Ele deveria ser esperto o suficiente para não desafiá-la mas, ele não era...

- Quero só ver, princesa!

Princesa? Acho que, como amigo, eu deveria avisar ele que... Quer saber, ele vai descobrir sozinho.

Foi a vez dela. 

Ela jogou e foi strick.

(...)

Narrado por Miley.

Richard Blaick era decididamente o homem mais rico que eu já havia conhecido em toda a minha vida.
E olha que eu havia conhecido muitos homens ricos.

A viagem em seu helicóptero particular até Hamptons já tinha sido uma pequena extravagancia, mas sua “casa de praia” vulgo palácio de Bankhan conseguiu ser ainda mais luxuosa e imponente.

Eu não sabia direito pra onde olhar. Aquela propriedade era tão ridiculamente grande que a cada quilometro adentro que percorríamos em sua Ferrari eu ficava me perguntando se ainda faltava muito para chegarmos à entrada.

Nós chegamos, apenas 10 minutos depois. Dois seguranças e uma senhora distinta estavam à porta. A mulher usava um conjunto todo preto – que deveria ser um uniforme – mas era tão bem cortado que eu julguei estar mais malvestida do que ela.

Um dos seguranças abriu a porta pra mim e me estendeu a mão. Blaick entregou a chave para o outro e veio até mim.

- Cá estamos! Seja bem-vinda! – Ele me estendeu o braço para que eu o acompanhasse e adentramos a casa.

Aquilo não era mais apenas riqueza, era um estilo de vida. Blaick tinha elevado o “ser rico” a um novo patamar. Um patamar altíssimo e completamente inatingível, provavelmente. Eu estava bastante acostumada a locais luxuosos, mas aquilo tudo era absolutamente maior e mais impressionante. Além do mais, seria a primeira vez que eu passaria mais de uma noite com um cliente em sua própria casa e não sabia exatamente por onde começar.

Quer dizer, isso era um programa. Um que duraria uma semana inteira. Mas tínhamos companhia de empregados e seguranças e eu não estava me sentindo tão a vontade quanto em sua cobertura em Nova York.

- Dona Morgan, deixe-me apresenta-la à senhorita Thompson. – Blaick me apresentou e a mulher me cumprimentou com discrição – A senhorita Thompson é uma convidada muito especial para mim e quero que a atenda em tudo. – Ele virou-se novamente pra mim com um sorriso galante – Faça com que ela se sinta como em sua própria casa.

Embora estivesse mais do que óbvio o que éramos, Blaick foi reservado. Não me tocou mais do que o necessário ou se quer me beijou enquanto não ficamos a sós. Mostrou-me alguns cômodos do primeiro andar, deu ordens sobre horários e cardápios e sua governanta e daí subimos para o seu escritório.

Era enorme, mas acho que acaba sendo redundante dizer isso, uma vez que tudo mais aqui também era. Os móveis e a decoração eram de tons escuros e pareciam ser absurdamente caros, pois provavelmente eram. Se tivesse que chutar, diria que só naquele cômodo Blaick havia empregado o valor que se pagaria por um apartamento pequeno no centro de New York. Tudo estava limpo e perfeitamente organizado, de maneira impecável. Por detrás da mesa de trabalho de mogno, havia uma parede de janelas de vidro que iam do chão ao teto. Dali dava visão para uma bonita área com piscina e eu gostei imediatamente daquela vista.

Ouvi as portas fechando. Blaick havia se livrado de sua governanta e trancado as portas atrás de nós.

Veio até mim com um sorriso.

- Finalmente a sós. – Disse colocando suas mãos em minha cintura. Eu passei os braços em volta de seu pescoço.

- Parece que teremos bastante companhia enquanto ficarmos aqui. – Comentei tentando não estragar o clima, mas eu estava realmente desconfortável com isso.

- Não se preocupe. Todos os meus empregados daqui trabalham pra mim há anos e são muito bem pagos para serem muito discretos. – Tranquilizou-me e então acariciou a minha cintura – Poderemos desfrutar de toda a liberdade que geralmente não temos em Nova York.

- Hum, isso me parece bom! – Sorri e ele me beijou. Acariciei sua nuca, os seus cabelos bem alinhados e ele abriu o meu vestido. Rápido. Guiou-me até a sua mesa de trabalho e me fez sentar-me ali, colocando-se entre minhas pernas. Havia uma urgência em todos os seus toques e isso não era característico dele, mas ele havia passado algum tempo fora e eu deduzi que estava tentando colocar em dia o tempo que não ficamos juntos.

(...)

Fui acomodada pela senhora Morgan em um dos quartos de hóspedes e mais parecia que eu estava sendo hospedada em um spa de luxo. Minha cama estava feita, ela tinha preparado um banho de espumas, as minhas malas já tinham sido desfeitas e minhas coisas estavam devidamente organizadas, além de que havia algumas sacolas de compras dentro do closet. Por um segundo senti-me como uma daquelas mulheres endinheiradas que não têm outros hobbies na vida além de jogar dinheiro fora em compras.

Tomei um banho e então abri os pacotes. Lingeries, camisolas e biquínis. Tinha também um vestido de festa. Lembrei-me que Blaick havia mesmo dito algo sobre alguma comemoração de algum amigo que ele pretendia ir, e bom, pelo visto também pretendia me levar.
Aquelas pecas eram maravilhosas e cada uma delas custava algo entre muito caro e absurdo. Eu sempre achei uma incoerência pagar tão caro em pecas minúsculas, mas pra mim elas eram instrumentos de trabalho, então valia a pena o investimento.

Fiz as contas assim por alto e pelos meus cálculos Blaick havia gasto pelo menos dez mil dólares naqueles itens. Eu não ganhava isso nem em dois meses inteiros de trabalho lá na editora e ele gasta essa quantia toda comprando mimos pra uma prostituta.

Mas também não tem nem comparação, para ele esse valor é o troco do pão.

Escolhi um dos lingeries que ele comprou e vesti-me, então coloquei um vestido bonito e justo por cima para poder descer para jantar. Eu havia ouvido Blaick dizer à governanta para servir pontualmente às sete e sabia que ele detestava esperar por qualquer coisa.

Tinha sido realmente uma boa ideia fazer o cabelo hoje, pois eu não precisei de muito esforço para ficar bonita. E eu queria estar bonita. Queria que Blaick me olhasse e pensasse que eu era a mulher mais bonita que ele já tinha visto.
Precisava conseguir manter o seu interesse em mim pelo máximo de tempo que eu conseguisse e assim garantir o dinheiro que precisamos para dar continuidade com os tratamentos da Helen.

As vezes era assustador pensar sobre isso. Pensar que a doença dela era tão grave e que ela não podia levar uma vida normal. E por isso eu também não podia. Os tratamentos eram caros demais e eu precisava do dinheiro que ganhava com os programas pra poder bancar. Se eu parasse, perderia a coisa mais preciosa que eu tenho na minha vida.

E eu não iria perde-la.

Finalizei minha maquiagem com batom e rímel, então olhei uma ultima vez pra imagem refletida no espelho. Estava muito satisfeita com o meu novo visual e achava que a essa cor loira me favorecia muito. 

De repente um pensamento me invadiu, uma simples curiosidade: Será que o Jonas gostava das loiras?

Mas isso não era importante, pelo menos não agora. O importante agora era que o Blaick tinha gostado. E eu não estava só bonita, estava deslumbrante e isso era perfeito. Deixaria o Blaick louco essa noite, pedindo por mais. Embora eu não estivesse exatamente ansiosa para ir pra cama com ele de novo, precisava estar focada e lembrar que é isso que tenho que fazer e que é só mais uma noite. 
(...)

Narrado por Nicholas

Eu estava com raiva. Não, mais do que isso, eu estava puto!

A Demi tinha me pedido pra lhe dar uma carona de volta pra casa e agora ela estava me fazendo de seu motorista particular e quis que eu a levasse até o shopping pra comprar a porcaria de um vestido novo pra sair com o Glen. Ele a tinha convidado pra ir com ele numa festa amanhã à noite e ela achou mesmo que precisava sair do boliche direto pra uma loja de roupas. E agora eu estava aqui, esperando que a rainha do drama se decidisse sobre qual dos vestidos ia levar.

- E então? – Ela saiu de dentro do provador com outro vestido.

- Tá ótimo, Demi. – Resmunguei – Já estava ótimo três vestidos atrás, mas se você não acredita na minha opinião, por que pede?

- Porque você é homem e sabe do que o Glen gosta! – Ela revirou os olhos se olhando no espelho – Mas ainda não é esse! – Voltou pra dentro do provador e eu bufei. - Ei Nick, você acha que o Glen está mesmo interessado em mim? – Ela perguntou lá de dentro do provador – Porque ele me chamou pra essa festa assim de repente e agora eu estou achando que ele está, mas e se foi só impressão minha?! –Questionou - Talvez ele só estivesse sendo encantadoramente gentil e educado, como deve ser naturalmente, né?! – Eu revirei os olhos, pois minha amiga me pareceu tão empolgada quanto insegura.

A Demi era uma mulher linda, sério, e digo isso como homem e não como amigo. Ela era a dona de um corpo capaz de parar o transito fácil! Além de ser inteligente, independente, interessante e divertida. Porém, embora tivesse todos esses atributos, a minha amiga assim como a maioria das garotas que já conheci não estava isenta da típica insegurança feminina.

A maioria das garotas ao começar a flertar com um cara fica desse jeito. Estão interessadas, mas sentem medo de não serem correspondidas por não se julgarem “boas o suficiente”. Ou então sentem medo de demonstrar interesse demais e serem tomadas como presas “fáceis”.

A única garota que eu tinha conhecido até hoje que não tinha, ou pelo menos não demonstrava ter, essa insegurança boba é a Miley. E era exatamente disso que eu gostava. O jeito como ela sabia exatamente se um homem a queria e se ela queria correspondê-lo ou não.

Talvez seja pelo que ela faz. Sair com tantos homens diferentes deve tê-la feito perceber que uma mulher autoconfiante é muito mais atraente ou talvez ela simplesmente saiba o quanto é gostosa e que nenhum homem em seu juízo perfeito seria capaz de recusá-la.

Éh, acho que deve ser isso...

- Não foi só impressão, ele está mesmo afim de você. – Contei e só porque a conhecia bem, sabia que ela abriu um sorriso enorme, mesmo sem vê-la – Você conquistou o cara quando limpou o chão com ele lá na pista de boliche. – Completei e ela riu alto - Agora fica esperta, tá? O Glen é meu amigo, mas quando se trata de mulher ele não é flor que se cheire. – Avisei - Não crie muitas expectativas com ele. Não quero que se machuque se envolvendo demais com o tipo de cara que não quer nada muito além de uma noite.

Eu sei que em circunstancias normais um amigo falaria bem do outro pra uma garota, mas a Demi também era minha amiga e eu não tinha nada muito bom pra falar do Glen quando se tratava de relacionamentos amorosos. O cara era um mulherengo irremediável. Se ainda assim Demi quisesse iniciar alguma coisa com ele tudo bem, eu não iria interferir. Só não poderia deixa-la embarcar numa aventura sem saber com o que realmente está lidando.

- Tá bem! – Ela saiu do provador com um vestido que eu particularmente gostei bastante – Além do mais quem disse que eu estava criando expectativas? Eu também quero a mesma coisa que ele, tá legal?! – Ela disse tentando fingir desinteresse, mas eu sabia que a Demi não era o tipo que só quer se divertir. Ela era romântica demais pra querer apenas isso. – Mas fala sério, ele é muito gato, né?!

- Bom, o Glen não faz muito o meu tipo, - Ironizei - mas aposto que ele acha a mesma coisa de você! – Disse e sorri do jeito como ela ficou corada.

- Você acha mesmo? – Ela quis saber enquanto olhava muito satisfeita para o seu próprio reflexo.

- Se eu acho? Eu sei! – Respondi – Ele não iria te chamar pra sair se não te achasse bonita. O Glen é totalmente superficial, é parte essencial da personalidade “cativante” dele. – Eu olhei a Demi de cima a baixo – E se você usar isso na festa, ele com certeza vai reparar em como os seus peitos ficam bonitos no decote desse vestido desnecessariamente curto.

Levei um tapa com forca no braço como forma de protesto.

- Não acredito que você olhou pro meu decote! – Reclamou

- E como é que eu não ia olhar? Você está bem aqui na minha frente e esse é um decote bem... generoso! – Outro tapa – Ai! – Reclamei - O que foi? Leva esse, com certeza vai funcionar! – Aleguei – Agora, se eu conheço bem o Glen ele vai ficar doidinho pra enfiar a cara bem aí... – Gesticulei com as mãos e a Demi queria me estapear de novo. Segurei seus braços e a fiz me encarar - Ei, mas se o Glen fizer alguma coisa errada, qualquer coisa, é só você me dizer porque eu juro que arrebento ele! Ouviu?

- Ele não vai fazer nada que eu não queira, não se preocupe! – Ela me respondeu com um meio sorriso e me puxou para um abraço – Mas obrigada mesmo assim!

A Demi comprou o seu vestido sensual e eu achei que agora finalmente ela finalmente me deixaria em paz, mas eu estava errado.

- Agora eu vou te levar pra casa! – Falei indo em direção ao estacionamento.

- Nick! – Ela me parou assim que entramos no estacionamento. Nós éramos os únicos ali – A gente ainda tem que conversar. Precisamos falar sobre aquilo que você me disse na cafeteria outro dia.

- Demi, eu não tenho mais nada pra falar, tá bom?! Aquilo que eu disse foi besteira, só esquece, tá legal?

- Não! – Ela me encarou – Eu não vou esquecer. Você disse pra mim que achava que estava sentindo algo mais pela Miley e isso não é qualquer coisa, Jonas! Não dá pra simplesmente fingir que não foi o que você disse!

- É, mas eu me enganei, tá bom? – Esbravejei – Ela é gostosa e eu me confundi. Queria transar com ela de novo, e só isso...

- Ai meu Deus! – Demi suspirou - Quer saber, vocês dois devem ser os seres humanos mais complicados da face da terra! – Retrucou irritadiça - Vocês se gostam e eu não vou deixar continuarem se enganando desse jeito. – Ela cruzou os braços – Olha, eu sei que o trabalho da Miley não é nada convencional, mas não muda o fato de que ela é uma pessoa maravilhosa e você sabe disso! E sabe tão bem, que está se apaixonando por ela. Ou vai me dizer que não foi por isso que você a beijou no dia que ela fez o programa com o Glen?

Eu abri a boca. Formulei frases, mas não saiu nada. Demi estava certa, eu beijei a Miley naquela noite e estava tentando me convencer que foi só por birra, despeito ou raiva, mas depois de ouvir a minha amiga esfregar a verdade que eu me recusava a acreditar assim na minha cara, eu soube.
Ou melhor, tive certeza.
Eu estava mesmo me apaixonando pela prostituta.

- Beleza, então digamos que eu sou mesmo um imbecil que está apaixonado por ela... Que diferença isso faz?! Eu não sou o que ela quer Demi, a sua amiga quer alguém como o Glen, que possa dar pra ela uma vida luxuosa e cara! – Dizer isso em voz alta fez eu me sentir ainda mais ridículo. Algo no tom da minha voz me incomodou, eu soei magoado. Eu estava magoado porque a puta não me correspondia! Eu só posso ter perdido a sanidade.

- Mas você é um pateta mesmo! – Demi me encarou com um misto de pena e raiva – Ainda não percebeu que ela também está gostando de você! – Alegou – Me mataria se soubesse que eu te contei isso, mas é que eu acho que se eu não te dissesse, vocês nunca se dariam uma chance e vocês merecem tanto isso!

Eu fiquei quieto. Pensando...
A possibilidade daquela mulher linda e irresistível me corresponder era surreal.
Eu queria que ela também estivesse apaixonada, queria com força.
Mas que chances eu tinha? Chances reais?
A minha vida inteira eu analisei as situações de maneira fria e calculista, mas dessa vez, só dessa vez, eu queria que a matemática falhasse e que ela realmente, mesmo contra todas as possibilidades, estivesse apaixonada por mim.

(...)

Continua...