Narrado por Nicholas
- Oi meninos! – Demi se aproxima de
nós sozinha.
- Oi Demi! – Levanto-me para
abraçá-la. Acho que não consigo disfarçar minha bem a minha frustração ao dar
pela falta daquela mulher maldita, mas pelo menos tento.
- Oi! – O Glen se levanta e também
a cumprimenta com um beijo na bochecha. Percebo que ela cora um pouco e que ele
desliza a mão em sua cintura de um jeito que deveria ser apenas casual, mas eu
conhecia o cara bem demais e sabia que aquilo podia ser um monte de outras
coisas, menos um toque casual.
Pelo visto, hoje eu vou ficar de
vela por aqui. Que droga!
- Ei, eu me lembro de você! – Glen
alargou o sorriso. – Nos vimos no Pub no outro dia. Você “esbarrou” em mim!
- É, era eu... Ai que vergonha! –
Demi cobriu o rosto com uma mão e esboçou um sorriso um pouco sem graça – Me
desculpe por qualquer coisa. Naquela noite eu tinha bebido um pouquinho demais
da conta...
- Que isso! Eu gostei da sua
espontaneidade. – Ele a elogiou abertamente e esse era o passo 1 de uma serie
de 5 passos “infalíveis” do Glen – Ah, e olha só, se ainda estiver de pé aquela
sua proposta de trocar um beijo pelo meu telefone, eu aceito, tá?! – E esse foi
o passo 2. Ele piscou depois do gracejo e Demi sorriu bobamente, como quase
todas as garotas que já vi o Glen enrolar com sua lábia.
- E então?! Vamos pegar uma pista
vaga pra começarmos a jogar? – Sugeri.
- Ahn, você pega uma pista pra
gente Glen? – Demi disse o nome dele com uma doçura exagerada e agarrou-se ao
meu braço – O Nick e eu vamos buscar refrigerantes e uns petiscos... A gente já
volta! – Ela me puxou em direção ao balcão da lanchonete dentro do boliche.
- E aí, o que vai querer comer? –
Perguntei dando uma olhada nas opções de lanches disponíveis.
- Na verdade eu só queria falar um
pouco a sós com você. – Ela começou e eu já sabia sobre o que era. Fiz um
pedido qualquer e Demi esperou o atendente se afastar pra ir prepará-los – É sobre
a Miley. Ela não pode vir porque teve que fazer uma viagem de ultima hora...
- Éh, eu sei. – Murmurei. “Ela foi
pra uma mansão em Hamptons transar com o meu chefe”, completei só em minha
própria mente.
– Desculpe, eu estou me sentindo
péssima por ter marcado a nossa saída justamente pra essa tarde, se eu
soubesse... mas também como eu poderia adivinhar?! – Suspirou - E eu sei que
você está chateado porque esperava vê-la hoje! - Demi colocou uma mão sobre o
meu ombro.
- Bom, parece que ela não. –
Resmunguei e joguei o dinheiro sobre o balcão, então peguei a bandeja com os
copos e a porção de pretzels sem nem deixar o rapaz entrega-la direito.
- Nick! Não é isso. Ela vinha, mas
é que...- fez uma curta pausa - bom, você sabe. É o trabalho dela.
- Demi, tá tudo bem. Ela achou uma
coisa melhor pra fazer com o “caríssimo” tempo dela e eu não ligo! É sério, eu
não dou a mínima! – Menti, pois, eu estava era morrendo de ciúmes – Por mim ela
pode fazer o que bem quiser. Eu não tenho nada a ver. Agora vamos só parar de
falar disso e fazer o que a gente veio fazer aqui, tá legal? – Queria dar por
encerrado o assunto, mas a Demi me segurou antes que eu saísse rumo as pistas
de boliche.
- Tá legal. A gente para de falar
disso agora e vai jogar boliche pra você se distrair um pouco, mas não pense
que vai fugir de mim fácil assim, ainda temos muito o que conversar, ok?! –
Demi insistiu e eu murmurei um ok mesmo conta a minha vontade. Não tinha mais
nada pra falar sobre esse assunto.
Ela era uma puta.
A puta do meu chefe.
Tinha ido dar pra ele em uma de
suas mansões na beira da praia.
O que mais tinha pra conversar?!
Tudo me parecia bastante autoexplicativo.
Exceto o motivo por que embora eu
soubesse de tudo isso, eu ainda continuava morrendo de ciúmes.
Seguimos até a pista de boliche.
Começamos o jogo. Eu fui primeiro,
mas estava com raiva demais pra me concentrar e acabei derrubando só seis
pinos. O Glen foi depois e já começou bem, fez um strick.
– Quer saber? Eu vou detonar vocês
dois! – Glen berrou assim que viu seu placar - Sou incrível nesse jogo!
- Ah, mas não vai mesmo! – Demi o
cortou e foi pegar uma bola. Tinha diversas cores de bolas, e ela pegou uma roxa
brilhante. – Porque eu também sou incrível nesse jogo, meu bem! – Ela o encarou
e ele sorriu.
Meu amigo não fazia ideia do quão
competitiva a Demi pode ser. Ele deveria ser esperto o suficiente para não
desafiá-la mas, ele não era...
- Quero só ver, princesa!
Princesa? Acho que, como amigo, eu
deveria avisar ele que... Quer saber, ele vai descobrir sozinho.
Foi a vez dela.
Ela jogou e foi strick.
(...)
Narrado por Miley.
Richard Blaick era decididamente o
homem mais rico que eu já havia conhecido em toda a minha vida.
E olha que eu havia conhecido
muitos homens ricos.
A viagem em seu helicóptero particular
até Hamptons já tinha sido uma pequena extravagancia, mas sua “casa de praia”
vulgo palácio de Bankhan conseguiu ser ainda mais luxuosa e imponente.
Eu não sabia direito pra onde
olhar. Aquela propriedade era tão ridiculamente grande que a cada quilometro
adentro que percorríamos em sua Ferrari eu ficava me perguntando se ainda
faltava muito para chegarmos à entrada.
Nós chegamos, apenas 10 minutos
depois. Dois seguranças e uma senhora distinta estavam à porta. A mulher usava
um conjunto todo preto – que deveria ser um uniforme – mas era tão bem cortado
que eu julguei estar mais malvestida do que ela.
Um dos seguranças abriu a porta pra
mim e me estendeu a mão. Blaick entregou a chave para o outro e veio até mim.
- Cá estamos! Seja bem-vinda! – Ele
me estendeu o braço para que eu o acompanhasse e adentramos a casa.
Aquilo não era mais apenas riqueza,
era um estilo de vida. Blaick tinha elevado o “ser rico” a um novo patamar. Um
patamar altíssimo e completamente inatingível, provavelmente. Eu estava
bastante acostumada a locais luxuosos, mas aquilo tudo era absolutamente maior
e mais impressionante. Além do mais, seria a primeira vez que eu passaria mais
de uma noite com um cliente em sua própria casa e não sabia exatamente por onde
começar.
Quer dizer, isso era um programa. Um
que duraria uma semana inteira. Mas tínhamos companhia de empregados e
seguranças e eu não estava me sentindo tão a vontade quanto em sua cobertura em
Nova York.
- Dona Morgan, deixe-me apresenta-la
à senhorita Thompson. – Blaick me apresentou e a mulher me cumprimentou com
discrição – A senhorita Thompson é uma convidada muito especial para mim e
quero que a atenda em tudo. – Ele virou-se novamente pra mim com um sorriso
galante – Faça com que ela se sinta como em sua própria casa.
Embora estivesse mais do que óbvio
o que éramos, Blaick foi reservado. Não me tocou mais do que o necessário ou se
quer me beijou enquanto não ficamos a sós. Mostrou-me alguns cômodos do
primeiro andar, deu ordens sobre horários e cardápios e sua governanta e daí
subimos para o seu escritório.
Era enorme, mas acho que acaba
sendo redundante dizer isso, uma vez que tudo mais aqui também era. Os móveis e
a decoração eram de tons escuros e pareciam ser absurdamente caros, pois
provavelmente eram. Se tivesse que chutar, diria que só naquele cômodo Blaick
havia empregado o valor que se pagaria por um apartamento pequeno no centro de
New York. Tudo estava limpo e perfeitamente organizado, de maneira impecável.
Por detrás da mesa de trabalho de mogno, havia uma parede de janelas de vidro
que iam do chão ao teto. Dali dava visão para uma bonita área com piscina e eu
gostei imediatamente daquela vista.
Ouvi as portas fechando. Blaick
havia se livrado de sua governanta e trancado as portas atrás de nós.
Veio até mim com um sorriso.
- Finalmente a sós. – Disse
colocando suas mãos em minha cintura. Eu passei os braços em volta de seu pescoço.
- Parece que teremos bastante
companhia enquanto ficarmos aqui. – Comentei tentando não estragar o clima, mas
eu estava realmente desconfortável com isso.
- Não se preocupe. Todos os meus
empregados daqui trabalham pra mim há anos e são muito bem pagos para serem muito
discretos. – Tranquilizou-me e então acariciou a minha cintura – Poderemos
desfrutar de toda a liberdade que geralmente não temos em Nova York.
- Hum, isso me parece bom! – Sorri
e ele me beijou. Acariciei sua nuca, os seus cabelos bem alinhados e ele abriu
o meu vestido. Rápido. Guiou-me até a sua mesa de trabalho e me fez sentar-me
ali, colocando-se entre minhas pernas. Havia uma urgência em todos os seus
toques e isso não era característico dele, mas ele havia passado algum tempo
fora e eu deduzi que estava tentando colocar em dia o tempo que não ficamos
juntos.
(...)
Fui acomodada pela senhora Morgan
em um dos quartos de hóspedes e mais parecia que eu estava sendo hospedada em
um spa de luxo. Minha cama estava feita, ela tinha preparado um banho de
espumas, as minhas malas já tinham sido desfeitas e minhas coisas estavam
devidamente organizadas, além de que havia algumas sacolas de compras dentro do
closet. Por um segundo senti-me como uma daquelas mulheres endinheiradas que
não têm outros hobbies na vida além de jogar dinheiro fora em compras.
Tomei um banho e então abri os
pacotes. Lingeries, camisolas e biquínis. Tinha também um vestido de festa.
Lembrei-me que Blaick havia mesmo dito algo sobre alguma comemoração de algum
amigo que ele pretendia ir, e bom, pelo visto também pretendia me levar.
Aquelas pecas eram maravilhosas e
cada uma delas custava algo entre muito caro e absurdo. Eu sempre achei uma
incoerência pagar tão caro em pecas minúsculas, mas pra mim elas eram instrumentos
de trabalho, então valia a pena o investimento.
Fiz as contas assim por alto e
pelos meus cálculos Blaick havia gasto pelo menos dez mil dólares naqueles
itens. Eu não ganhava isso nem em dois meses inteiros de trabalho lá na editora
e ele gasta essa quantia toda comprando mimos pra uma prostituta.
Mas também não tem nem comparação,
para ele esse valor é o troco do pão.
Escolhi um dos lingeries que ele
comprou e vesti-me, então coloquei um vestido bonito e justo por cima para poder descer para
jantar. Eu havia ouvido Blaick dizer à governanta para servir pontualmente às
sete e sabia que ele detestava esperar por qualquer coisa.
Tinha sido realmente uma boa ideia
fazer o cabelo hoje, pois eu não precisei de muito esforço para ficar bonita. E
eu queria estar bonita. Queria que Blaick me olhasse e pensasse que eu era a
mulher mais bonita que ele já tinha visto.
Precisava conseguir manter o seu
interesse em mim pelo máximo de tempo que eu conseguisse e assim garantir o
dinheiro que precisamos para dar continuidade com os tratamentos da Helen.
As vezes era assustador pensar
sobre isso. Pensar que a doença dela era tão grave e que ela não podia levar
uma vida normal. E por isso eu também não podia. Os tratamentos eram caros
demais e eu precisava do dinheiro que ganhava com os programas pra poder
bancar. Se eu parasse, perderia a coisa mais preciosa que eu tenho na minha
vida.
E eu não iria perde-la.
Finalizei minha maquiagem com batom
e rímel, então olhei uma ultima vez pra imagem refletida no espelho. Estava muito satisfeita com o meu novo visual e achava que a essa cor loira me favorecia muito.
De repente um pensamento me invadiu, uma simples curiosidade: Será que o Jonas gostava das loiras?
Mas isso não era importante, pelo menos não agora. O importante agora era que o Blaick tinha gostado. E eu não estava só bonita, estava deslumbrante e isso era perfeito. Deixaria o Blaick louco essa noite, pedindo por mais. Embora eu não estivesse exatamente ansiosa para ir pra cama com ele de novo, precisava estar focada e lembrar que é isso que tenho que fazer e que é só mais uma noite.
(...)
Narrado por Nicholas
Eu estava com raiva. Não, mais do
que isso, eu estava puto!
A Demi tinha me pedido pra lhe dar
uma carona de volta pra casa e agora ela estava me fazendo de seu motorista
particular e quis que eu a levasse até o shopping pra comprar a porcaria de um
vestido novo pra sair com o Glen. Ele a tinha convidado pra ir com ele numa festa amanhã à noite e ela achou mesmo que precisava sair do boliche direto pra
uma loja de roupas. E agora eu estava aqui, esperando que a rainha do drama se
decidisse sobre qual dos vestidos ia levar.
- E então? – Ela saiu de dentro do
provador com outro vestido.
- Tá ótimo, Demi. – Resmunguei – Já
estava ótimo três vestidos atrás, mas se você não acredita na minha opinião,
por que pede?
- Porque você é homem e sabe do que
o Glen gosta! – Ela revirou os olhos se olhando no espelho – Mas ainda não é
esse! – Voltou pra dentro do provador e eu bufei. - Ei Nick, você acha que o
Glen está mesmo interessado em mim? – Ela perguntou lá de dentro do provador –
Porque ele me chamou pra essa festa assim de repente e agora eu estou achando
que ele está, mas e se foi só impressão minha?! –Questionou - Talvez ele só
estivesse sendo encantadoramente gentil e educado, como deve ser naturalmente, né?! – Eu revirei os olhos, pois minha amiga me pareceu tão empolgada quanto insegura.
A Demi era uma mulher linda, sério,
e digo isso como homem e não como amigo. Ela era a dona de um corpo capaz de
parar o transito fácil! Além de ser inteligente, independente, interessante e divertida.
Porém, embora tivesse todos esses atributos, a minha amiga assim como a maioria
das garotas que já conheci não estava isenta da típica insegurança feminina.
A maioria das garotas ao começar a
flertar com um cara fica desse jeito. Estão interessadas, mas sentem medo de não
serem correspondidas por não se julgarem “boas o suficiente”. Ou então sentem
medo de demonstrar interesse demais e serem tomadas como presas “fáceis”.
A única garota que eu tinha
conhecido até hoje que não tinha, ou pelo menos não demonstrava ter, essa
insegurança boba é a Miley. E era exatamente disso que eu gostava. O jeito como
ela sabia exatamente se um homem a queria e se ela queria correspondê-lo ou não.
Talvez seja pelo que ela faz. Sair
com tantos homens diferentes deve tê-la feito perceber que uma mulher
autoconfiante é muito mais atraente ou talvez ela simplesmente saiba o quanto é
gostosa e que nenhum homem em seu juízo perfeito seria capaz de recusá-la.
Éh, acho que deve ser isso...
- Não foi só impressão, ele está
mesmo afim de você. – Contei e só porque a conhecia bem, sabia que ela abriu um
sorriso enorme, mesmo sem vê-la – Você conquistou o cara quando limpou o chão
com ele lá na pista de boliche. – Completei e ela riu alto - Agora fica
esperta, tá? O Glen é meu amigo, mas quando se trata de mulher ele não é flor
que se cheire. – Avisei - Não crie muitas expectativas com ele. Não quero que
se machuque se envolvendo demais com o tipo de cara que não quer nada muito
além de uma noite.
Eu sei que em circunstancias
normais um amigo falaria bem do outro pra uma garota, mas a Demi também era
minha amiga e eu não tinha nada muito bom pra falar do Glen quando se tratava
de relacionamentos amorosos. O cara era um mulherengo irremediável. Se ainda
assim Demi quisesse iniciar alguma coisa com ele tudo bem, eu não iria
interferir. Só não poderia deixa-la embarcar numa aventura sem saber com o que
realmente está lidando.
- Tá bem! – Ela saiu do provador
com um vestido que eu particularmente gostei bastante – Além do mais quem disse
que eu estava criando expectativas? Eu também quero a mesma coisa que ele, tá
legal?! – Ela disse tentando fingir desinteresse, mas eu sabia que a Demi não
era o tipo que só quer se divertir. Ela era romântica demais pra querer apenas
isso. – Mas fala sério, ele é muito gato, né?!
- Bom, o Glen não faz muito o meu
tipo, - Ironizei - mas aposto que ele acha a mesma coisa de você! – Disse e sorri
do jeito como ela ficou corada.
- Você acha mesmo? – Ela quis saber
enquanto olhava muito satisfeita para o seu próprio reflexo.
- Se eu acho? Eu sei! – Respondi – Ele
não iria te chamar pra sair se não te achasse bonita. O Glen é totalmente
superficial, é parte essencial da personalidade “cativante” dele. – Eu olhei a
Demi de cima a baixo – E se você usar isso na festa, ele com certeza vai
reparar em como os seus peitos ficam bonitos no decote desse vestido
desnecessariamente curto.
Levei um tapa com forca no braço como
forma de protesto.
- Não acredito que você olhou pro
meu decote! – Reclamou
- E como é que eu não ia olhar? Você
está bem aqui na minha frente e esse é um decote bem... generoso! – Outro tapa
– Ai! – Reclamei - O que foi? Leva esse, com certeza vai funcionar! – Aleguei –
Agora, se eu conheço bem o Glen ele vai ficar doidinho pra enfiar a cara bem aí...
– Gesticulei com as mãos e a Demi queria me estapear de novo. Segurei seus
braços e a fiz me encarar - Ei, mas se o Glen fizer alguma coisa errada,
qualquer coisa, é só você me dizer porque eu juro que arrebento ele! Ouviu?
- Ele não vai fazer nada que eu não
queira, não se preocupe! – Ela me respondeu com um meio sorriso e me puxou para
um abraço – Mas obrigada mesmo assim!
A Demi comprou o seu vestido
sensual e eu achei que agora finalmente ela finalmente me deixaria em paz, mas
eu estava errado.
- Agora eu vou te levar pra casa! –
Falei indo em direção ao estacionamento.
- Nick! – Ela me parou assim que
entramos no estacionamento. Nós éramos os únicos ali – A gente ainda tem que
conversar. Precisamos falar sobre aquilo que você me disse na cafeteria outro
dia.
- Demi, eu não tenho mais nada pra
falar, tá bom?! Aquilo que eu disse foi besteira, só esquece, tá legal?
- Não! – Ela me encarou – Eu não
vou esquecer. Você disse pra mim que achava que estava sentindo algo mais pela
Miley e isso não é qualquer coisa, Jonas! Não dá pra simplesmente fingir que
não foi o que você disse!
- É, mas eu me enganei, tá bom? –
Esbravejei – Ela é gostosa e eu me confundi. Queria transar com ela de novo, e
só isso...
- Ai meu Deus! – Demi suspirou - Quer
saber, vocês dois devem ser os seres humanos mais complicados da face da terra!
– Retrucou irritadiça - Vocês se gostam e eu não vou deixar continuarem se
enganando desse jeito. – Ela cruzou os braços – Olha, eu sei que o trabalho da
Miley não é nada convencional, mas não muda o fato de que ela é uma pessoa
maravilhosa e você sabe disso! E sabe tão bem, que está se apaixonando por ela.
Ou vai me dizer que não foi por isso que você a beijou no dia que ela fez o
programa com o Glen?
Eu abri a boca. Formulei frases,
mas não saiu nada. Demi estava certa, eu beijei a Miley naquela noite e estava
tentando me convencer que foi só por birra, despeito ou raiva, mas depois de
ouvir a minha amiga esfregar a verdade que eu me recusava a acreditar assim na
minha cara, eu soube.
Ou melhor, tive certeza.
Eu estava mesmo me apaixonando pela
prostituta.
- Beleza, então digamos que eu sou
mesmo um imbecil que está apaixonado por ela... Que diferença isso faz?! Eu não
sou o que ela quer Demi, a sua amiga quer alguém como o Glen, que possa dar pra
ela uma vida luxuosa e cara! – Dizer isso em voz alta fez eu me sentir ainda
mais ridículo. Algo no tom da minha voz me incomodou, eu soei magoado. Eu
estava magoado porque a puta não me correspondia! Eu só posso ter perdido a
sanidade.
- Mas você é um pateta mesmo! –
Demi me encarou com um misto de pena e raiva – Ainda não percebeu que ela
também está gostando de você! – Alegou – Me mataria se soubesse que eu te
contei isso, mas é que eu acho que se eu não te dissesse, vocês nunca se dariam
uma chance e vocês merecem tanto isso!
Eu fiquei quieto. Pensando...
A possibilidade daquela mulher
linda e irresistível me corresponder era surreal.
Eu queria que ela também estivesse
apaixonada, queria com força.
Mas que chances eu tinha? Chances
reais?
A minha vida inteira eu analisei as
situações de maneira fria e calculista, mas dessa vez, só dessa vez, eu queria
que a matemática falhasse e que ela realmente, mesmo contra todas as
possibilidades, estivesse apaixonada por mim.
(...)
Continua...
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