terça-feira, 3 de outubro de 2017

One More Night - Capítulo 15



Narrado por Miley

Meu programa com Glen Haryson, o único herdeiro das Companhias Haryson seria essa noite. 

Eu ainda custava a acreditar no tamanho da cara de pau desse homem. Só porque soube que amiguinho dormiu comigo, agora queria fazer o mesmo também. 

Era o tipo de atitude infantil e machista que eu naturalmente detestava, mas preciso confessar que dessa vez não achei nenhum pouco ruim. Glen era bonito demais pra que eu se quer considerasse recusa-lo, e ainda por cima era indiscutivelmente gostoso e bom de cama, de modo que não seria nenhum sacrifício da minha parte abrir-lhe uma exceção. Sem contar que ele também tinha uma das características que eu mais admirava em um cliente: era bastante generoso.

Levei um tempinho a mais me preparando pra essa noite. Escolhi um lingerie delicado e provocativo, vermelho, pois sabia que ele gostava. Também um vestido desnecessariamente curto e saltos altíssimos pra compensar os prováveis um metro e oitenta do meu cliente.

Peguei-me fantasiando o Glen com um daqueles ternos bem cortados que se ajustam perfeitamente em todos os lugares certos...

Sorri satisfeita pro meu próprio reflexo tanto por minha aparência quanto por meus pensamentos nenhum pouco decentes.

Eu não era o tipo que me iludia com um cliente. Já atendi muitos homens como Glen: ricos e atraentes, sabia bem que pra eles eu não passava de uma mera distração. Estava acostumada demais a lidar com empresários da alta sociedade, bem-sucedidos, com seus ternos muito bem alinhados, sapatos de couro italiano e carros caríssimos. 

Todos eles tinham uma coisa em comum: Todos achavam que eram os donos do mundo.

Há algo que essa estirpe de homem considera másculo em contratar uma garota de programa. Como se apenas por me verem e me tocarem eles automaticamente se sentissem mais viris, mais ousados, mais poderosos...

A sede por poder é sempre grande influenciadora da maioria das decisões masculinas.

O fato realmente relevante aqui é que eu ofereço a eles um nível de prazer que garota comum nenhuma, seja ela namorada, esposa ou peguete jamais oferecerá. Não por que elas não possam ou não estejam dispostas a tal, mas apenas porque dentro da cabeça deles eu faço parte de um imaginário malicioso e proibido a que poucas mulheres pertencem.

Eu sou aquela mulher que pode satisfazer qualquer fantasia. Aquela com quem nada é proibido. Aquela que não importa sua potência ou tamanho, sempre vai dizer-lhe que é o melhor que já teve na cama. A que nunca vai julgá-lo ou criticá-lo, apenas satisfaze-lo de maneiras inimagináveis. 

Vou contar um segredinho sobre a maioria dos homens: Eles são criaturas com alto grau de carência e baixa autoestima. Se você os põe pra baixo, eles se sentem miúdos e insignificantes. Já, se do contrário, você os elogia eles se inflam e estufam o peito pois são tão crédulos quanto uma criancinha e acreditam em tudo o que você lhes disser.

E o que você disser que ele é, ele será.

Alguns poucos são exceções a essa regra. Muito poucos.

Cheguei a casa de Glen. Casa é apenas uma maneira de falar, pois o monumento ocupava pelo menos um quarteirão e meio.

Dessa vez não fui com John e sim de táxi, pois ele tinha outros afazeres com os quais eu não me importava a ponto de querer mais detalhes. 

Da última vez que estive com o Glen nós fomos para um motel cinco estrelas, mas por algum motivo ele marcou nosso encontro em sua própria casa e eu não discordei.

Toquei a campainha e ele mesmo veio abrir a porta. Diferente do que imaginei ele trajava calças jeans e uma camisa pollo. Estava bonito, é claro, mas me decepcionou um pouco. Eu gostava especialmente de como seu corpo másculo ficava bem em seus ternos feitos sob medida.

- Lola! – Ele abriu um sorriso impecável – Entre, por favor! 

- Espero não ter te feito esperar demais! – Ofereci um sorriso gentil. Tirei meu casaco enquanto adentrávamos a sala e o assisti me assistir.

Glen se aproximou de mim e me tomou pela cintura. Normalmente ele não era tão afoito, mas eu estava longe de reclamar por isso. Apenas um beijo: Feroz e sensual, bem ao seu estilo.

Seus braços logo me abandonaram novamente quando ele foi até o pequeno barzinho e nos serviu dois drinks.

- Fiquei pensando se você iria aceitar vir me ver. – Ele começou uma conversa, entregando-me o meu copo.

- Por que não viria? – Eu o encarava enquanto remexia o meu drink. Não gostava de beber durante o trabalho, nunca gostei, mas alguns clientes ofereciam e quando isso acontece você não pode bancar a chata, então apenas aceita o copo e disfarça que na verdade não está bebendo. – Nunca recusei qualquer convite seu, Glen, pelo menos não que eu lembre.

- Sinceramente, achei que essa seria a primeira vez. – Ele deu de ombros como se estivesse dizendo algo óbvio – Já que agora você atende exclusivamente o Richard Blaick. – Ele rolou os olhos ao dizer o nome. Por algum motivo ele também detestava o meu cliente. Blaick era mesmo bom em atrair desafetos – Mas como você abriu uma exceção para o Nicholas...

- Aí você achou que eu iria ter que abrir uma exceção pra você também? – Completei com um questionamento proposital, pra deixá-lo sem graça mesmo. Eu mantive um sorriso simpático, mas essa atitude do Glen me fazia querer gargalhar. Ele me queria agora só porque soube que transei com o amiguinho e de repente eu virei o brinquedinho pro qual ele nunca ligou, até ver o outro pegar.

Resolutamente os homens são todos patéticos. Com essa coisa de posse e ficar medindo pau constantemente. Como se a confirmação de sua masculinidade só se desse através de provas ridículas como essa.

- Pelo menos era com isso que eu estava contando! – Glen tinha um sorriso malicioso, o que combinava perfeitamente com sua personalidade.

Ele era muito jovem e o único herdeiro de um império milionário. Obviamente era um tanto quanto mimado, acostumado a ter tudo o que quer, a hora que quer. Deve estar habituado demais a tratar as mulheres como simples objetos, e na verdade acho que deve tratar a maioria dos homens do mesmo jeito também.

- Bem, eu estou aqui, não estou? – Deixei o copo de lado e me aproximei dele. 

Glen era muito bom no jogo da sedução, mas eu era melhor, mais experiente. Ele é bonito demais e rico também, na maior parte das vezes não precisa fazer o menor esforço.

Envolvi minhas mãos em seus cabelos e acariciei sua nuca. A carícia mais infalível de todas quando o assunto são homens. Todos adoram, indiscutivelmente.

Suas mãos vieram para a minha cintura e pude senti-lo ficar tenso ao sentir o aroma do meu perfume.

- Você gosta? – Provoquei-o raspando as pontas dos dedos em seu peito, numa carícia muito sutil.

- Adoro. – Ele murmurou ao meu ouvido – Adoro tudo que vem de você!

Eu não me importava muito com as reações que causava na maioria dos homens. Era apenas parte do meu trabalho deixá-los loucos de tesão nas preliminares. No entanto, em algumas ocasiões excepcionais era particularmente divertido excitá-los e assisti-los tentar manter a racionalidade e o bom senso quando tudo que conseguiam pensar era em sexo comigo.

- Pra você tudo bem se pularmos o jantar e fomos logo ao que interessa? – Perguntou encarando minha boca. Na verdade, ele estava dividido entre a boca e o meu decote, mas eu fingi não reparar isso pra manter sua boa reputação.

- Não vejo nenhum problema nisso! – Sorri e dessa vez eu beijei sua boca.

Glen fez com que eu passasse as pernas ao redor de seu quadril. Segurou-me pela cintura e enquanto eu repuxava sua camisa, tentando livrar-me da peça, subiu as escadas comigo em direção ao seu quarto. 

(...)

Narrado por Nicholas

Eu tentei inutilmente não passar os últimos dois dias pensando no meu amigo comendo aquela maldita mulher dos infernos. Só que imagens dos dois em posições nenhum pouco convencionais ficavam me assombrando sempre que eu não entupia o meu cérebro com trabalho ou álcool.

A pior parte é que eu odiava não só a ideia de Glen transando com a Miley, mas a ideia de qualquer outro cara fazendo o mesmo e isso era a coisa mais patética que eu poderia arrumar pra odiar, levando em consideração a profissão dela.

E por falar nela, a intrusa estava constantemente em meus pensamentos, em cada um deles. 

Não em pensamentos comuns e rotineiros, esses eu consegui manter a salvo. Mas sempre que eu penso em sexo, e desde que a nossa pequena experiência esse virou um pensamento constante, ela faz parte. Como se ela tivesse se tornado alguma espécie de protagonista erótica de todas as minhas fantasias.

Eu só tive noção do quão fodido eu realmente estava quando eu saí hoje de manhã pra almoçar com uma estagiária novata da Blaick Inc. A menina era bem gostosinha, com um bumbum do tipo que dava asas a imaginação. Obviamente não era tão gostosa quanto a Miley, mas ela até fazia frente à concorrência.

A garota a qual por algum motivo eu não consegui gravar o nome, já estava me dando mole desde o seu primeiro dia na empresa e hoje eu finalmente tirei um tempo e almocei com ela. Ouvi toda aquela conversa mole de “sou uma garota decente”, mas a entrelinha era bem clara: Eu quero dar pra você. Só que vou fazer um pouco de doce primeiro.

E embora eu não fosse recusar o sexo, se ela propusesse, eu não estava com a menor paciência pra esses joguinhos.

E quando eu cheguei em casa agora depois do trabalho, não era na estagiária que eu estava pensando...

Não pensei nela durante a tarde, ou se quer no tempo em que passamos juntos durante o almoço. Até quando ela jogou charminho e se insinuou pra mim no happy hour eu estava distante...

É como se eu não conseguisse desejar mais ninguém, como se não quisesse desejar mais ninguém.

Só ela.

Ainda que eu acabasse transando com aquela estagiária ou com qualquer outra garota, a verdade é que eu ainda iria preferir que fosse com ela.

Como se a minha vida já não estivesse fodida o bastante!

E agora o meu melhor amigo iria transar com a porra da mulher que eu não consigo tirar da cabeça.
Sem pensar muito eu peguei as chaves do meu carro e olhei no relógio, ainda era cedo. Se eu fosse rápido talvez ainda tivesse alguma coisa que eu pudesse fazer pra impedir que isso rolasse.

(...)

Bati na porta com força e antes que eu derrubasse alguém veio atender.

- Nick? O que você... – Ela quis saber

- Cadê a Miley? – Interrompi

- Ela saiu. Tinha um cliente hoje, mas o que foi que aconteceu?! – Demi me olhava sem entender minha atitude.

- Merda! – Eu dei as costas pra minha amiga sem dar-lhe nenhuma explicação.

Eu sabia que era loucura. Sabia que estava agindo feito um inconsequente, mas a minha cabeça não estava mais raciocinando direito. O meu corpo estava agindo sozinho, ainda que o meu cérebro dissesse que era burrice. Tudo que eu conseguia pensar era que eu não queria que rolasse.

Não queria.

Entrei no carro e dirigi. Borrões sem forma passavam por mim do lado de fora.

Se rolasse eu nunca iria conseguir perdoar o Glen. Iria odiá-lo com todas as forças e sem nenhum motivo. Além disso, perderia o meu melhor amigo, pois eu iria arrebentar a cara dele e isso estragaria a nossa amizade.

Cheguei à casa de Glen e ainda não sabia o que eu iria dizer ou o que eu iria fazer. 

E se ela já tivesse chegado?

E se já estivesse rolando alguma coisa? 

Ainda assim não me contive e toquei a campainha. 

Agora não tinha mais volta.


Continua...

2 comentários:

  1. Como assim vc para na melhor parte???????
    Eu tinha certeza q o Nick ia a casa do Glen kkkkk. Ansiosa pelo proximo capítulo.
    Bjos

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  2. E agora o que será que vai acontecer? Será que Glen vai interromper o bem bom para atender a porta? Qual será sua reação ao se deparar com o amigo (Nick)desesperado na porta a procura da Lola/Miley? O que será que ele irá dizer, que está atraído por ela? Serio, que ele vai dar o braço a torcer? Duvido! Qual será a reação da Miley ao ouvir tal coisa? Será que ela também vai dar o braço a torcer?

    Espero que depois do susto momentâneo do trio, O Glen ajude o amigo junto com a Demi a se encontrar com a Miley. Ansiosa por mais momentos NILEY.

    E não se esquecem que tudo que é proibido é mais gostoso hahahhah.

    Beijos, meninas.

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