Narrado por Miley
Meu programa com Glen Haryson, o único herdeiro das
Companhias Haryson seria essa noite.
Eu ainda custava a acreditar no tamanho da cara de pau desse
homem. Só porque soube que amiguinho dormiu comigo, agora queria fazer o mesmo também.
Era o tipo de atitude infantil e machista que eu naturalmente
detestava, mas preciso confessar que dessa vez não achei nenhum pouco ruim.
Glen era bonito demais pra que eu se quer considerasse recusa-lo, e ainda por
cima era indiscutivelmente gostoso e bom de cama, de modo que não seria nenhum
sacrifício da minha parte abrir-lhe uma exceção. Sem contar que ele também
tinha uma das características que eu mais admirava em um cliente: era bastante
generoso.
Levei um tempinho a mais me preparando pra essa noite.
Escolhi um lingerie delicado e provocativo, vermelho, pois sabia que ele
gostava. Também um vestido desnecessariamente curto e saltos altíssimos pra
compensar os prováveis um metro e oitenta do meu cliente.
Peguei-me fantasiando o Glen com um daqueles ternos bem
cortados que se ajustam perfeitamente em todos os lugares certos...
Sorri satisfeita pro meu próprio reflexo tanto por minha
aparência quanto por meus pensamentos nenhum pouco decentes.
Eu não era o tipo que me iludia com um cliente. Já atendi
muitos homens como Glen: ricos e atraentes, sabia bem que pra eles eu não
passava de uma mera distração. Estava acostumada demais a lidar com empresários
da alta sociedade, bem-sucedidos, com seus ternos muito bem alinhados, sapatos
de couro italiano e carros caríssimos.
Todos eles tinham uma coisa em comum: Todos achavam que eram
os donos do mundo.
Há algo que essa estirpe de homem considera másculo em contratar
uma garota de programa. Como se apenas por me verem e me tocarem eles
automaticamente se sentissem mais viris, mais ousados, mais poderosos...
A sede por poder é sempre grande influenciadora da maioria
das decisões masculinas.
O fato realmente relevante aqui é que eu ofereço a eles um
nível de prazer que garota comum nenhuma, seja ela namorada, esposa ou peguete
jamais oferecerá. Não por que elas não possam ou não estejam dispostas a tal,
mas apenas porque dentro da cabeça deles eu faço parte de um imaginário
malicioso e proibido a que poucas mulheres pertencem.
Eu sou aquela mulher que pode satisfazer qualquer fantasia.
Aquela com quem nada é proibido. Aquela que não importa sua potência ou tamanho,
sempre vai dizer-lhe que é o melhor que já teve na cama. A que nunca vai
julgá-lo ou criticá-lo, apenas satisfaze-lo de maneiras inimagináveis.
Vou contar um segredinho sobre a maioria dos homens: Eles
são criaturas com alto grau de carência e baixa autoestima. Se você os põe pra
baixo, eles se sentem miúdos e insignificantes. Já, se do contrário, você os
elogia eles se inflam e estufam o peito pois são tão crédulos quanto uma
criancinha e acreditam em tudo o que você lhes disser.
E o que você disser que ele é, ele será.
Alguns poucos são exceções a essa regra. Muito poucos.
Cheguei a casa de Glen. Casa é apenas uma maneira de falar,
pois o monumento ocupava pelo menos um quarteirão e meio.
Dessa vez não fui com John e sim de táxi, pois ele tinha
outros afazeres com os quais eu não me importava a ponto de querer mais
detalhes.
Da última vez que estive com o Glen nós fomos para um motel
cinco estrelas, mas por algum motivo ele marcou nosso encontro em sua própria
casa e eu não discordei.
Toquei a campainha e ele mesmo veio abrir a porta. Diferente
do que imaginei ele trajava calças jeans e uma camisa pollo. Estava bonito, é
claro, mas me decepcionou um pouco. Eu gostava especialmente de como seu corpo
másculo ficava bem em seus ternos feitos sob medida.
- Lola! – Ele abriu um sorriso impecável – Entre, por favor!
- Espero não ter te feito esperar demais! – Ofereci um
sorriso gentil. Tirei meu casaco enquanto adentrávamos a sala e o assisti me
assistir.
Glen se aproximou de mim e me tomou pela cintura.
Normalmente ele não era tão afoito, mas eu estava longe de reclamar por isso.
Apenas um beijo: Feroz e sensual, bem ao seu estilo.
Seus braços logo me abandonaram novamente quando ele foi até
o pequeno barzinho e nos serviu dois drinks.
- Fiquei pensando se você iria aceitar vir me ver. – Ele
começou uma conversa, entregando-me o meu copo.
- Por que não viria? – Eu o encarava enquanto remexia o meu
drink. Não gostava de beber durante o trabalho, nunca gostei, mas alguns
clientes ofereciam e quando isso acontece você não pode bancar a chata, então
apenas aceita o copo e disfarça que na verdade não está bebendo. – Nunca
recusei qualquer convite seu, Glen, pelo menos não que eu lembre.
- Sinceramente, achei que essa seria a primeira vez. – Ele
deu de ombros como se estivesse dizendo algo óbvio – Já que agora você atende exclusivamente
o Richard Blaick. – Ele rolou os olhos ao dizer o nome. Por algum motivo ele também
detestava o meu cliente. Blaick era mesmo bom em atrair desafetos – Mas como
você abriu uma exceção para o Nicholas...
- Aí você achou que eu iria ter que abrir uma exceção pra
você também? – Completei com um questionamento proposital, pra deixá-lo sem
graça mesmo. Eu mantive um sorriso simpático, mas essa atitude do Glen me fazia
querer gargalhar. Ele me queria agora só porque soube que transei com o
amiguinho e de repente eu virei o brinquedinho pro qual ele nunca ligou, até
ver o outro pegar.
Resolutamente os homens são todos patéticos. Com essa coisa
de posse e ficar medindo pau constantemente. Como se a confirmação de sua
masculinidade só se desse através de provas ridículas como essa.
- Pelo menos era com isso que eu estava contando! – Glen
tinha um sorriso malicioso, o que combinava perfeitamente com sua
personalidade.
Ele era muito jovem e o único herdeiro de um império
milionário. Obviamente era um tanto quanto mimado, acostumado a ter tudo o que
quer, a hora que quer. Deve estar habituado demais a tratar as mulheres como
simples objetos, e na verdade acho que deve tratar a maioria dos homens do
mesmo jeito também.
- Bem, eu estou aqui, não estou? – Deixei o copo de lado e
me aproximei dele.
Glen era muito bom no jogo da sedução, mas eu era melhor,
mais experiente. Ele é bonito demais e rico também, na maior parte das vezes
não precisa fazer o menor esforço.
Envolvi minhas mãos em seus cabelos e acariciei sua nuca. A
carícia mais infalível de todas quando o assunto são homens. Todos adoram,
indiscutivelmente.
Suas mãos vieram para a minha cintura e pude senti-lo ficar
tenso ao sentir o aroma do meu perfume.
- Você gosta? – Provoquei-o raspando as pontas dos dedos em
seu peito, numa carícia muito sutil.
- Adoro. – Ele murmurou ao meu ouvido – Adoro tudo que vem
de você!
Eu não me importava muito com as reações que causava na
maioria dos homens. Era apenas parte do meu trabalho deixá-los loucos de tesão
nas preliminares. No entanto, em algumas ocasiões excepcionais era
particularmente divertido excitá-los e assisti-los tentar manter a
racionalidade e o bom senso quando tudo que conseguiam pensar era em sexo
comigo.
- Pra você tudo bem se pularmos o jantar e fomos logo ao que
interessa? – Perguntou encarando minha boca. Na verdade, ele estava dividido
entre a boca e o meu decote, mas eu fingi não reparar isso pra manter sua boa
reputação.
- Não vejo nenhum problema nisso! – Sorri e dessa vez eu beijei
sua boca.
Glen fez com que eu passasse as pernas ao redor de seu
quadril. Segurou-me pela cintura e enquanto eu repuxava sua camisa, tentando
livrar-me da peça, subiu as escadas comigo em direção ao seu quarto.
(...)
Narrado por Nicholas
Eu tentei inutilmente não passar os últimos dois dias
pensando no meu amigo comendo aquela maldita mulher dos infernos. Só que imagens
dos dois em posições nenhum pouco convencionais ficavam me assombrando sempre
que eu não entupia o meu cérebro com trabalho ou álcool.
A pior parte é que eu odiava não só a ideia de Glen
transando com a Miley, mas a ideia de qualquer outro cara fazendo o mesmo e
isso era a coisa mais patética que eu poderia arrumar pra odiar, levando em consideração
a profissão dela.
E por falar nela, a intrusa estava constantemente em meus
pensamentos, em cada um deles.
Não em pensamentos comuns e rotineiros, esses eu consegui
manter a salvo. Mas sempre que eu penso em sexo, e desde que a nossa pequena
experiência esse virou um pensamento constante, ela faz parte. Como se ela
tivesse se tornado alguma espécie de protagonista erótica de todas as minhas fantasias.
Eu só tive noção do quão fodido eu realmente estava quando
eu saí hoje de manhã pra almoçar com uma estagiária novata da Blaick Inc. A
menina era bem gostosinha, com um bumbum do tipo que dava asas a imaginação. Obviamente
não era tão gostosa quanto a Miley, mas ela até fazia frente à concorrência.
A garota a qual por algum motivo eu não consegui gravar o
nome, já estava me dando mole desde o seu primeiro dia na empresa e hoje eu finalmente
tirei um tempo e almocei com ela. Ouvi toda aquela conversa mole de “sou uma
garota decente”, mas a entrelinha era bem clara: Eu quero dar pra você. Só que
vou fazer um pouco de doce primeiro.
E embora eu não fosse recusar o sexo, se ela propusesse, eu
não estava com a menor paciência pra esses joguinhos.
E quando eu cheguei em casa agora depois do trabalho, não
era na estagiária que eu estava pensando...
Não pensei nela durante a tarde, ou se quer no tempo em que
passamos juntos durante o almoço. Até quando ela jogou charminho e se insinuou
pra mim no happy hour eu estava distante...
É como se eu não conseguisse desejar mais ninguém, como se
não quisesse desejar mais ninguém.
Só ela.
Ainda que eu acabasse transando com aquela estagiária ou com
qualquer outra garota, a verdade é que eu ainda iria preferir que fosse com
ela.
Como se a minha vida já não estivesse fodida o bastante!
E agora o meu melhor amigo iria transar com a porra da
mulher que eu não consigo tirar da cabeça.
Sem pensar muito eu peguei as chaves do meu carro e olhei no
relógio, ainda era cedo. Se eu fosse rápido talvez ainda tivesse alguma coisa
que eu pudesse fazer pra impedir que isso rolasse.
(...)
Bati na porta com força e antes que eu derrubasse alguém
veio atender.
- Nick? O que você... – Ela quis saber
- Cadê a Miley? – Interrompi
- Ela saiu. Tinha um cliente hoje, mas o que foi que
aconteceu?! – Demi me olhava sem entender minha atitude.
- Merda! – Eu dei as costas pra minha amiga sem dar-lhe
nenhuma explicação.
Eu sabia que era loucura. Sabia que estava agindo feito um
inconsequente, mas a minha cabeça não estava mais raciocinando direito. O meu
corpo estava agindo sozinho, ainda que o meu cérebro dissesse que era burrice. Tudo
que eu conseguia pensar era que eu não queria que rolasse.
Não queria.
Entrei no carro e dirigi. Borrões sem forma passavam por mim
do lado de fora.
Se rolasse eu nunca iria conseguir perdoar o Glen. Iria
odiá-lo com todas as forças e sem nenhum motivo. Além disso, perderia o meu
melhor amigo, pois eu iria arrebentar a cara dele e isso estragaria a nossa
amizade.
Cheguei à casa de Glen e ainda não sabia o que eu iria dizer
ou o que eu iria fazer.
E se ela já tivesse chegado?
E se já estivesse rolando alguma coisa?
Ainda assim não me contive e toquei a campainha.
Agora não tinha mais volta.
Continua...
Como assim vc para na melhor parte???????
ResponderExcluirEu tinha certeza q o Nick ia a casa do Glen kkkkk. Ansiosa pelo proximo capítulo.
Bjos
E agora o que será que vai acontecer? Será que Glen vai interromper o bem bom para atender a porta? Qual será sua reação ao se deparar com o amigo (Nick)desesperado na porta a procura da Lola/Miley? O que será que ele irá dizer, que está atraído por ela? Serio, que ele vai dar o braço a torcer? Duvido! Qual será a reação da Miley ao ouvir tal coisa? Será que ela também vai dar o braço a torcer?
ResponderExcluirEspero que depois do susto momentâneo do trio, O Glen ajude o amigo junto com a Demi a se encontrar com a Miley. Ansiosa por mais momentos NILEY.
E não se esquecem que tudo que é proibido é mais gostoso hahahhah.
Beijos, meninas.