terça-feira, 22 de agosto de 2017

One More Night - Capítulo 2

Nick Narrando

                Terminei de tomar o meu café assim que saí do elevador e adentrei o último andar. Ajeitei e fechei um único botão do meu terno com a mão livre. Foi uma ideia estúpida. Apesar dele ter merecido, foi uma ideia estúpida estragar a foda do babaca do meu chefe. Agitado, talvez de nervoso, talvez pela cafeína, provavelmente os dois, joguei o copo descartável no lixo mais próximo e continuei dando passos rápidos em direção ao mesmo escritório da inusitada cena de ontem. Blaick me enviou uma mensagem hoje de logo cedo para que eu, assim que chegasse, fosse o encontrar em seu escritório.  Lá vem! 

Bati na sua porta  e ouvi sua voz nem um pouco alegre responder para que eu entrasse. Abri a porta e me deparei com a sua figura em pé usando como suporte do seu corpo a beirada da mesa, enquanto desligava o seu telefone. Seus olhos analíticos me encararam dilacerando-me, deixando claro, em um breve silêncio, que eu estava prestes a ser morto e guiado pela mão até os quintos dos infernos. Pelo jeito, deu para perceber que não aconteceu mais nada depois da minha inesperada e não bem-vinda visita ontem a noite. Ha! Bem feito!

-Jonas, sobre ontem a noite… -ele começou, mas achei melhor interrompê-lo para deixar as coisas mais esclarecidas e menos feias pro meu lado.

- Não foi a minha intenção invadir a sua privacidade e da a sua… namorada. - eu me vesti com a expressão mais compreensiva e arrependida que eu poderia fingir. - Eu apenas vim para buscar o meu casaco que tinha a minha chave de casa. Eu nem fazia ideia que ainda havia alguém nesse andar. Peço desculpas se eu causei algum constrangimento ao senhor e à moça. Pode ficar tranquilo, porque se depender de mim, isso nunca aconteceu! Eu não contei e não vou contar a ninguém.

-E quando que te dei permissão para entrar e sair do meu escritório sem o meu consentimento? – ele ignorou todo o discurso dito por mim antes. Ah, fala sério!

-Desculpe, tem razão. Deveria ter avisado ao senhor com antecedência. – Não, não deveria. Blaick nunca se importou comigo entrando e saindo do seu escritório, mesmo quando ele não estivesse lá. Mas pelo visto, ele tem que jogar a culpa da sua noite mal resolvida para cima de mim.

-Foi de extrema falta de respeito você sabendo da situação ter insistido em entrar aqui! Que atitude mais imbecil! Você não viu como Lola ficou sem graça?!  - sua voz aumentou de volume e provavelmente a sua secretária lá fora já deveria estar ciente do grande esporro que estava levando aqui dentro.

Lola? Esse era o nome dela? Lola… é um nome que combina muito bem com a mulher que eu vi ontem. Sensual, ousada… As breves lembranças de Lola conseguiram me assombrar o suficiente para me dificultar o sono. Um sonho de consumo de qualquer homem. 

-Mil desculpas, senhor Blaick. Nunca foi a minha intenção ser a causa de algum constrangimento. – foi sim. – Foi inapropriada a minha atitude. Não se repetirá.

-Desculpas aceitas. - seu tom de voz ainda era seco. -Mas terá que pedir desculpas à Lola, também. Ela ficou muito envergonhada. - ele cruzou os braços a frente do peito em posição de dominação. 

-Claro, assim que tiver a oportunidade de encontrá-la, com certeza irei me desculpar pelo acontecido. Certamente ela deve ser uma mulher de respeito e não merece passar pela vergonha que passou. - Óbvio que eu tinha que amaciar a situação defendendo a amante do chefe. 

Sim, amante. Todos da empresa e da high society que conhecem Richard Blaick sabem que o homem é casado. A pobre da esposa mora em Londres com a sua filha, que é uns três anos mais nova que eu. Já as vi pessoalmente em duas festas da empresa aqui em Nova York. São mulheres bonitas e com uma sofisticação à altura de Richard. Tenho pena da senhora Blaick. Provavelmente ela tem que conviver e fingir que seu marido nunca deu uma pulada de cerca, quando na verdade não me é surpresa nenhuma ele aparecer se divertindo com outra mulher por aí. Não que ele não seja discreto sobre isso. Na verdade ele sempre foi discreto. Ninguém da empresa tinha conhecimento das suas tradições. Mas todos já desconfiavam. Fala sério! Um cara egocêntrico como ele, que o tempo todo está há um oceano de distância da sua mulher, quase nunca a traz consigo para Nova York… Não me surpreende saber que tinha outra mulher na parada. 

-Irá encontrá-la este fim de semana. - fim de semana? Como assim? Não me diga que esse infeliz está inventando trabalho para o fim de semana! - Em Las Vegas. 

O que? 

-Las Vegas? Como assim Las Vegas? 

-Irei para Las Vegas este fim de semana para um encontro informal com amigos. Quero que me acompanhe. - Esse cara só pode estar brincando comigo.

-Desculpe a pergunta, mas qual seria o objetivo que acompanhar o senhor num encontro informal? Ainda por cima em Las Vegas? - eu tinha que perguntar. Isso não está fazendo sentido nenhum! 

-Um homem de sucesso sempre está preparado para lidar com negócios. Todos os meus amigos são donos e sócios de grandes empresas. Você, como um grande interessado na área, deveria estar a par disso. Aliás, como quer ser grande se não se juntar aos grandes? - ele disse num tom de voz indiferente, enquanto buscava o seu charuto para acender. 

Eu o odeio, mas tinha razão. Se eu quiser ser como eles, devo andar com eles. Aliás, não só conseguiria aprender alguma coisa interessante, mas conquistaria sua simpatia. Com contatos importantes eu poderia ir longe.

 Ok, até que ir pra Las Vegas com o mala do chefe não seria uma ideia tão ruim assim...
               

Miley Narrando

Tomei um gole do suco de laranja antes de quase engasgar com um riso. Demi me mantinha atualizada com as histórias hilárias de novos estagiários na editora, enquanto almoçávamos no intervalo do trabalho. Tirando o pequeno detalhe que é o meu trabalho noturno, eu vivo uma vida completamente comum. Formada em Letras, durante o dia trabalho com tradução de livros para a mesma editora na qual minha melhor amiga trabalha. É bom ter uma companhia tão agradável no dia-a-dia, apesar do ritmo louco que nos impõe.

É claro que eu não vivo esse contraste insano de dois mundos tão diferentes à toa. Trabalho na editora por um grande sonho. Trabalho para o John por um importante objetivo. Eu quero, eu sonho e eu vou um dia publicar os meus livros. Assim como Demi, quero ser uma grande escritora.

 E onde a prostituição entra nisso?

Bom, foi uma oportunidade que surgiu inusitada exatamente num momento de necessidade. Minha sobrinha nasceu com uma doença genética grave, Amiotrofia Muscular Espinhal. O tratamento para que ela tenha o mínimo de boa qualidade de vida é exorbitante de caro. Eu tenho mantido financeiramente o seu tratamento durante esses seus cinco anos de vida, enviando doações anônimas para a conta da minha irmã mais velha, Brandi. Helen é uma criança muito especial e amada. Eu sei que a cada noite, cada cliente, a cada constrangimento que eu tenha passado durante esse tempo me prostituindo valeu a pena.

E verdade seja dita, tem vezes que não é nem um pouco ruim.

-Hey, está no mundo da lua, é? – Demi me chamou atenção e eu me peguei brincando com o canudo com o pensamento longe por alguns segundos.

-Só estou cansada. – dei de ombros. – Nada demais. Falando em cansaço, eu preciso de um favorzão seu, Dê... – fiz uma carinha de pidona e a sua feição já mudou para uma desconfiança que eu já estava acostumada a ver com bastante freqüência.

-O que foi dessa vez, Miles?

-Eu preciso que você me ajude a cobrir parte da tradução do “Greater” no fim de semana pra mim. Eu vou tentar adiantar o que posso, mas não sei se vou conseguir dar conta até o fim de semana...

-Vai ficar o fim de semana inteiro com clientes? – ela perguntou surpresa, ela sabe que geralmente os meus programas só duram uma noite, passar o mais de um dia fora de casa por causa de cliente precisar ser um baita evento.

-Richard me “convidou” – eu fiz um sinal de dinheiro com os dedos – para acompanhá-lo em Las Vegas durante esse fim de semana. Pelo visto ele vai à uma reunião de amigos e quer minha companhia.

-Uau, esse cara gamou em você mesmo, hein! Será que ele quer te apresentar como namorada para os amigos dele?

-Não faço ideia! Todos devem saber que ele é casado. Provavelmente ele só quer se exibir com uma mulher bonita e jovem. – eu revirei os olhos. – Você sabe, aquele lenga-lenga de macho que gosta de se afirmar comedor. O que importa é que o John está enlouquecido com o valor que Richard ofereceu em troca desses dias com ele. Sinceramente? Nem eu sei exatamente quanto que foi, só sei que é irrecusável.  – Eu sempre conversei abertamente sobre os meus programas com a Demi. Desde a primeira vez que eu entrei no ramo. Demi é minha melhor amiga e confidente, ela sabe melhor do que ninguém guardar um segredo meu. Desde sempre ela foi minha cúmplice em situações como essa.  Eu sou eternamente grata por várias encrencas na editora que a Dê conseguiu me livrar, por conta dos meus programas.

-John precisa ficar de olho em uma nova fonte de dinheiro para você. – ela comentou casualmente entre garfadas.

-Por quê?

-Sua perereca de mel vai levar esse Richard à falência! Logo, logo, vai precisar de outro ricaço. – ela comentou dando mais uma garfada na sua comida e não consegui conter minha risada.

-Até lá eu consigo me casar com um milionário gato. – eu lhe lancei uma piscadela cúmplice e ela abriu um daqueles sorrisos maliciosos.

-Você está falando daquele gostoso do Glen, não é?

-Estou falando de qualquer um. – eu ri, tentando desconversar. Quem eu queria enganar? Demetria me conhecia muito bem.  Ela sabe do quanto eu estive de olho nesse homem há um bom tempo. E que homem...

Glen foi um cliente que eu tive o imenso prazer de atender algumas vezes. Ao contrário da maioria dos caras que eu atendo, ele é um homem jovem, aproximadamente da minha idade. Herdeiro de uma empresa multinacional edificada por gerações de uma família tradicionalmente riquíssima e bem sucedida. Gostoso, ótimo de cama, além de ser um cliente muito simpático e conquistador. Apesar da fama de playboy, agora ele tem trabalhado para valer na empresa de sua família e pelo o que eu já conheci dele, parece ser boa gente.

-Não se faça de sonsa! Nós duas sabemos que você quer voltar a dar uns pegas nesse loiro maravilhoso de novo.

-Por ele eu faria de graça fácil, fácil... – eu admiti e ela sorriu, certamente concordando comigo.

-E quem não faria?

-Mas acredito que ele é tipo de cara apenas para Lola e não para a Miley... Se é que me entende. – comentei com um tom meio desanimado. - Mas é a real. Ele é um cara irreverente, livre, rico. A Lola é livre e sem escrúpulos, como ele, sofisticada, criada para o luxo. A Miley é real demais para caras como ele.

-Miley, acorda! – ela estalou seus dedos na frente do meu rosto. - Eu sei que é meio obvio, mas você é a Lola! Você é ela e um pouco mais.

Minha atenção direcionada à minha amiga foi desviada para o homem que caminhava em direção à nossa mesa. Demi percebeu que eu olhei para outro lugar e olhou para a mesma direção um pouco antes de rolar os olhos e bufar. John caminhava com um sorriso de boas notícias no rosto e se sentou ao meu lado. Seu nível de intimidade já era grande o suficiente para deixar a educação para cumprimentar de lado. Não fiquei surpresa pelo fato dele nos encontrar aqui sem mesmo o ter avisado. John já convive o suficiente comigo para saber do mínimo dos meus hábitos rotineiros.  Ele está bem vestido, como sempre, mas num visual mais casual, dando um ar menos formal e mais jovem.  Sinceramente, acho que combina muito mais com a sua aparência.

-Se pede permissão para sentar à mesa dos outros assim, sabia? – Demi disse, sem nem mesmo disfarçar a sua infelicidade em encontrar pessoalmente com o John. Ela o odeia. Não tem motivos muito importantes para isso, mas ela simplesmente não vai com a cara dele.

-Ah, vamos dispensar formalidades à essa altura, né minha linda?

-Sua linda não, que eu não te dou confiança para isso.

-Ah, gente. Hoje não... –eu pedi já cansada das mesmas trocas de farpas.

-Não sou eu que tenho antipatia com Demetria. Ela sabe que se qualquer dia ela se tocar que vale a pena trabalhar comigo e largar esse emprego entediante, será recebida de braços abertos. Mas pelo visto, ela me vê como um monstro de sete cabeças só porque eu sou cafetão.

-Trabalhar pra você? Um tiro seria mais agradável. – ela jogou as palavras, o olhando de cima a baixo. – Nada pessoal, amorzinho. – ela jogou um beijinho pra mim e eu sorri, me divertindo com a sua preocupação com uma possível ofensa. 

-Ok... – ele tentou ignorar a resposta mal educada de Demi e voltou o olhar para mim. – Vamos ao que interessa. – tomou um breve gole do meu suco e então continuou a falar.  – O que foi aquela cena ontem, Miley? – ele perguntou num tom de incredulidade.  Merda! Provavelmente Richard ligou para ele para reclamar de ontem.

-O que aconteceu ontem? – Demi perguntou perdida.

-Eu tive a ideia de fazer uma surpresa para o Richard em seu escritório... Estava tudo ótimo, num sexo oral pra lá de bom em cima da sua mesa, quando o imbecil do assistente dele apareceu e estragou tudo!  Acabou o clima total. Na hora eu fiquei tão sem graça que eu quis ir embora e continuarmos qualquer coisa em outro lugar. Acabou que no final das contas, Richard ficou tão puto com o enxerido do assistente, que depois que o cara foi embora não deu em mais nada, se é que me entende.

-O cara brochou. – John foi mais sucinto e Demi tentou segurar o riso.

-Ah, Miles, mas o moço não deve ter feito por querer. – Demi tentou entender o lado do cara.

-Ele poderia muito bem disfarçar e fingir que não viu nada. Você acredita que ele  entrou no escritório, viu a cena, deu uma paradinha para me analisar todinha e ainda fez questão de falar alto pro chefe ouvir que estava ali? Só pra pegar a porra do casaco dele! Graças à porra daquele casaco, não deu em nada e eu tive que pedir para ficar pela conta da casa, né?

-Eu não acreditei quando ele me disse que você não quis cobrar nada a ele! Eu só perdoo porque é cliente fiel. – John me deu uma bronca. – Mas você também, enlouqueceu!

-A gente sabe que depois nós vamos ser recompensados por isso. – eu expliquei. John sabe muito bem que o meu lema é sempre visar a satisfação do cliente. Se não teve satisfação eu não poderia ter a cara de pau em cobrar, ainda mais ao Blaick. -Em partes a culpa também foi minha em querer transar no escritório dele e nem ter pensado em trancar a porta. Aquele imbecil conseguiu desperdiçar a minha noite!

Eu não o tinha visto aquele assistente antes. Na verdade, foi a primeira vez que visitei aquela filial em Nova York. Mas num telefonema para Richard, joguei a ideia de visitá-lo por lá a noite, para variar um pouco de lugar. Richard prontamente concordou com a ideia, dizendo que logo, logo, só ele estaria no seu andar me aguardando.  Às vezes sugerir ideias inusitadas para clientes, especialmente os mais freqüentes como o Blaick, inova ainda mais o meu serviço. Dar a sensação de aventura e fantasia realizada sugerindo sexo em lugares fora de quarto de hotel pode ser o suficiente para prender cada vez mais a atenção do cliente. Mas dessa vez foi um péssima ideia! Deu tudo errado.

Eu lembro muito bem do olhar nada discreto que aquele assistente jogou sobre mim, a surpresa e o puro desejo estampado em seus olhos castanhos. Nada que me surpreenda. Sou garota de programa, já estou acostumada a ser admirada daquela maneira. Mas o que me chamou atenção foi a sua tentativa de esconder um sorrisinho vitorioso ao sair da sala. Richard não notou, mas eu notei. Alguma coisa me diz que ele estragou aquele clima todo com um imenso prazer. Ele deve detestar o chefe.

-Bom, deixando a notícia ruim de lado. Eu também trouxe uma ótima! – John disse abrindo o seu sorriso charmoso.

-Droga, eu tenho que ir logo. Está quase na hora. – Demi disse verificando o seu relógio de pulso. – Não demora, Miles. Vou adiantando umas coisas lá no trabalho. Beijos. – ela se levantou e foi pagar a conta.

-Estou indo daqui a pouco. – mandei um beijo no ar para ela, antes dela caminhar para longe. Minha atenção se voltou para a curiosidade que foi atiçada pelo John. – Que noticia ótima é essa que você trouxe?

-Richard me ofereceu uma proposta. Na verdade, te ofereceu. Ele quer ser o seu cliente fixo. Ele quer você exclusivamente pra ele e disse que você está livre para escolher o valor. O valor que você quiser por semana, em troca, você deve ser sexualmente exclusiva dele e o resto de um possível contrato está aberto a diálogo entre vocês dois.  –Não é possível, esse homem deve estar louco! Ele quer mesmo que só ele me coma? Pelo visto vou praticamente virar uma namorada de aluguel! John riu ao observar a minha expressão de surpresa. – E aí?

-Qualquer valor que eu escolher? – eu perguntei, esperando que ele reafirme.  Isso estava bom de mais para ser verdade.

-Qualquer valor. Dividido comigo, também, é claro.


-Me encontra na saída do trabalho mais tarde. Vou digitar um contrato com todas as condições hoje mesmo. – eu disse, tendo a minha mente tomada por cifrões.


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Uma chuva torrencial caia em Nova York nessa tarde.  Eu observava as gotas grossas baterem de encontro ao vidro do taxi em que eu me encontrava, ainda seca e segura da chuva. Em meu colo estava minha pasta com todos os papéis necessários para o devido contrato de exclusividade com o Richard Blaick. Assim que ficou tudo pronto, apenas o avisei hoje por telefone que estava tudo nos conformes e que eu podia o entregar os papéis e conversar sobre o contrato. Em teoria, quem deveria fazer todo esse trabalho burocrático seria o John, mas eu fiz questão de eu mesma ir e revolver tudo por mim mesma. 

Olhei para a janela e presumi que já estava bem próximo ao hotel. Droga, eu sabia que havia esquecido alguma coisa! O guarda-chuva. Espero que eu não tenha que chegar numa visão pra lá de sexualizada de mim toda encharcada na porta do cliente. Hoje não é dia de realizar fantasias, é dia de negócios.  Com todo o dinheiro que eu conseguir enquanto Blaick estiver em terra americana seria o suficiente para eu sustentar meses de tratamento da Helen. Isso quer dizer um bom e longo tempo de férias... Teria mais tempo para finalmente me dedicar de vez ao meu livro. Por que eu não tinha pensado nisso antes?

Faltavam dois dias para a viagem para Las Vegas. Eu ainda teria que atualizar as compras... Vestidos novos, lingeries novas, sapatos. Teria que estar completa para dias consecutivos de glamour e satisfação do cliente.  Abri um espelhinho que guardava em minha bolsa. Terminei de retocar o batom e me lembrei de marcar uma hidratação no salão. Para um salário desse nível eu preciso estar impecável.
                O taxi chegou ao destino e paguei pela corrida ao moço, enquanto eu tentava pensar em como correr de salto para o saguão do hotel numa velocidade o suficiente para não me molhar, e muito menos molhar a minha preciosa pasta. Abri a porta criando coragem e puxei o meu casaco sobre a minha cabeça com o intuito de me proteger ao máximo.  Um homem que estava caminhando em direção ao hotel me viu a minha tentativa ridícula de escapar da chuva e apertou o passo até mim para oferecer educadamente um espacinho debaixo do seu guarda-chuva.

                -Não precisa se apressar. Quer ajuda com a pasta? –a uma voz que não me é muito estranha veio do gentil estranho. Tirei o casaco de cima de mim e olhei para sua direção.

                -Ah, muito obriga...


                Eu já estava na proteção do guarda-chuva, próxima demais para restar qualquer duvida de que eu reconheci aquele rosto e aqueles olhos castanhos que eu lembro ter me encarado intensamente. O assistente enxerido! Assim que ele também me reconheceu, o sorriso gentil no rosto se desfez e uma expressão de surpresa tomou conta do seu rosto. Mas não parecia ser uma surpresa boa. Com certeza não era. Lá estávamos nós numa situação esquisita novamente. A pouquíssimos centímetros um do outro depois da cena ridícula de dois dias atrás. Isso só podia ser piada! 

6 comentários:

  1. Oi meninas, tudo bom?
    Eu estou amando a história, faz um bom tempo que venho procurando algo Niley pra ler e raramente acho algo. Fico muito feliz de ter achado e ainda de qualidade, parabéns!
    Eu gosto muito da Miley/Lola, acho ela muito forte pra levar essa vida dupla (será esse seu karma? alô hannah! ahahahah!) de forma tão tranquila. Quando ao Nick eu ainda não tenho opiniões formadas sobre ele, sendo que somente seu lado ambicioso foi mostrado nesses dois capítulos iniciais, mas já estou louca pra saber mais sobre ele.
    Quero muito ler mais, continuem assim que possível!
    Ah, antes que eu esqueça, estou organizando uma ficstape (mixtape + fanfic) em parceria com uma amiga e queria saber se vocês tem algum interesse de participar. A ideia geral é que cada autor (a) escolha uma música x de um álbum y e escreva uma oneshot - fics de um capítulo só - baseada nessa canção, formando assim uma coletânea de contos. Vocês podem ler mais a respeito nesse link: http://a-dor-da-liberdade.blogspot.com.br/2017/08/chamada-ficstape-01-best-of-disney.html
    Espero que vocês tenham tempo pra entrar no projeto com a gente!
    Um beijo,
    Thay.

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    1. Estamos animadas para participar desse projeto!Muito obrigada pelo comentário e pelo convite!
      Beijos

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  2. Estou amando essa história. Quando soube q minhas escritoras favoritas estavam juntas nessa, não pude deixar de ler.
    Bem bolada a história. Mal posso esperar pelos próximos capítulos. A Miley prostituta kkk adorei. E Nick como o novo assistente do cliente número 1 da Lola. Mal posso esperar pela viagem a Las Vegas. Tudo indica q os próximos capítulos vão ser shows.
    Bjos!!!!

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    1. Aah muito obrigada Jeell <3 Espero que a história continue te agradando!
      Já postamos os capítulos deles em Las Vegas :D Depois diz pra gente o que achou!
      Obrigada pelo comentário :)
      Beijos!

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  3. esse capítulo está muito bom só achei que a Miley olhou muito para os olhos do Nick rsrs ... citou duas vezes "olhos castanhos" 😍😍😍😍

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    1. Nossa, bem observado! kkkkkk Eu nem tinha reparado nisso! Vou ficar mais atenta na próxima vez!
      Seja bem-vinda ao blog! Espero que continue gostando :D
      Muito obrigada pelo comentário
      Beijos

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