- Nick, e aí cara! – Ele me cumprimentou e virou-se para os outros. Reconheceu a Miley imediatamente – Lola? É você mesmo? O que está fazendo aqui?!
Por um momento eu percebi que todos paralisaram. Miley, Demi e eu sem sabermos o que falar para o Glen. Os seus amigos confusos demais com um desconhecido chamando a Miley de Lola, também se mantiveram calados, tentando entender o que acabaram de escutar. Pela primeira vez, vi a Miley, aquela mulher toda confiante e nariz em pé, completamente desmontada. Pelos seus olhos, ela estava desesperada. Boa, Nick! Você fez uma grande merda!
Felizmente, Demi foi mais rápida do que todos nós e se jogou nos braços do Glen. E eu confesso que ele não foi o único a se assustar com a sua reação.
Demi soltou umas risadinhas, como se estivesse muito bêbada. A cena era cômica. Eu riria se a situação estivesse tão crítica. O bobão do Wilmer fez uma cara de pobre coitado na mesma hora.
-Oi, gato! Te dou o meu telefone em troca de um beijo. – Demi continuou com o papel de bêbada, com a sua voz forçadamente arrastada, e lançou uma piscadela há poucos centímetros do rosto do Glen. Meu Deus... –Nossa, eu sou louca por homens loiros, sabia?
-Opa. – Glen riu sem graça com o comportamento inesperado da minha amiga. – Acho que alguém aqui já foi com a minha cara de primeira. – ele tentou brincar para quebrar o gelo. Ele olhou para mim, um pouco confuso com o que estava acontecendo, sem desfazer o sorriso forçadamente simpático para tarada supostamente bêbada que estava pendurada em seu pescoço.
Entendi a sua jogada como uma deixa para tirar o Glen de cena e aliviar a situação de Miley, até ela conseguir pensar em alguma coisa. Pois é, eu fui o responsável por trazer a confusão e preciso tentar ajudar a não piorar as coisas.
-Demi, por favor, não faça isso. – eu disse me fingindo de constrangido. –É incrível como em um momento ela parece estar sóbria e, do nada, o álcool começa a fazer efeito nela assim tão rápido! Demi sempre foi meia fraca para bebidas. Releva aí, cara. – eu disse pegando a Demi pra mim, e ela continuou pendurada entre mim e Glen.
-Sem problemas, todo mundo passa por essas coisas. E até que a moça não é uma má companhia. – ele piscou para Demi em retribuição, como sempre, honrando a sua fama de Don Juan. Ah, não. Com a Demi você não vai ficar de graça, não. Eu juro que por um momento ela realmente gostou do charme que o Glen jogou pra ela, mas Demi estava bem empenhada em fazer um show, para manter atenção de todos longe da Lola/Miley. E estava fazendo muito bem.
-Imagina um deus nórdico desses na minha cama... – Ok, dessa vez, não tive como não rir. Glen, que parecia estar se acostumando com presença da doida da Demi e também riu, mais a vontade.
– Acho que você já está na hora de ir para casa, não acha? – eu disse para a minha amiga, que já estava se apoiando totalmente em mim. Quando eu me dei conta, Miley não estava mais ali. Avistei ela entrando rapidamente no banheiro feminino e, felizmente, Glen ainda não tinha notado, graças às cantadas aleatórias que Demi dizia num volume de voz bem alto.
Eu olhei para o colega da Demi, que ainda estava ali, bem incomodado, pode-se dizer. –Hey, Wilmer.– eu teria que apelar para o babaca. Pelo menos a sua queda pela Demi seria útil agora. E era hora de despistar esses dois bananas dali antes que Glen tivesse a ideia de falar sobre a Lola novamente.
-Sim, o que foi? – ele prontamente se levantou, já disposto ajudar a Demi de um porre repentino.
-Você pode levar a Demi para tomar uma água, vomitar, sei lá? Ela não está muito bem. – eu disse entregando, contra a minha vontade, a minha melhor amiga literalmente nos braços do Wilmer.
-Oi, Will... –ela ainda continuava fiel ao seu papel. Mas pelo menos, com o Wilmer, um pouco menos audaciosa.
-O que deu em você, hein Dê? – ele perguntou levando a Demi para longe de nós.
Só havia sobrado eu, Glen e o bocó do Mateo que encarava tudo parado, ainda sem entender as coisas e procurando pela presença da Miley, que havia sumido de repente. Puxei Glen pelo braço para longe dele, com a desculpa de pegar uma bebida para nós dois diretamente do balcão.
-Não, cara, valeu. Estou dirigindo, não vou beber hoje. – Glen agradeceu e pediu um refrigerante ao barman, enquanto eu pedi mais uma cerveja. Ele olhou em volta, finalmente sentindo falta da Miley, e perguntou. –Onde está a Lola, hein? Ela sumiu.
-Hum... Eu não sei. Deve ter ido ajudar a Demi, também. – eu tentei dar uma desculpa. Vamos, Nick, você consegue ser melhor mentiroso do que isso.
Ele se ajeitou na cadeira alta do bar e abriu um sorriso sem vergonha. Eu conhecia bem aquele sorriso. Esse sorriso sempre estava presente quando o assunto era mulheres de seu interesse. Ou sexo. Mas sempre os dois assuntos estavam envolvidos de qualquer forma. – O que ela estava fazendo aqui? Ela estava com você e aquelas pessoas, não é?
Respirei fundo, tentando oxigenar bem o meu cérebro para formular uma mentira bem convincente. – Eu contratei a Lola. – soltei de uma vez. A sua boca se abriu em surpresa e antes que ele pudesse fazer qualquer outro comentário, eu o interrompi. -Mas não do jeito que você está pensando!
-Como assim?
-Meus amigos ainda estavam me perturbando por causa da uma suposta bad que eles ainda acham que eu tenho em relação à Danielle. Estavam querendo me empurrar qualquer candidata a namorada para que me fazer esquecer ela e... – eu rolei os olhos. –Eu chamei a Lola para fingir estar comigo para os meus amigos. Mas para eles, ela não se chama Lola! Inventamos um outro nome para ela, entendeu? Você quase estragou tudo!
Seus olhos estavam arregalados em surpresa, sua cabeça balançou de um lado para o outro, ainda não acreditando no meu “plano” ridículo. – Eu não acredito que você está usando o seu dinheiro do poker para contratar a Lola como namorada falsa.
-É por pouco tempo, só para eles pararem de bancar os cupidos. – eu dei de ombros. – Principalmente a Demi.
-Até parece que você contratou a Lola só para fazer esse teatrinho... - seus olhos me analisavam, desconfiados, enquanto ainda tinha um sorriso debochado no rosto. -Esse fingimento todo você poderia conseguir com qualquer uma. - ele fez um gesto com a mão ocupada com seu copo de refrigerante antes de dar um gole. -Fala sério, Nick, vamos ser sinceros aqui! Você só está pagando o cachê caríssimo da Lola porque está louco para transar com ela e está dando a desculpa que é para fingir para os seus amigos que tem alguém. Nós dois sabemos que você consegue qualquer mulher... Bom, menos a Lola, a não ser que pague.
Eu não podia subestimar a inteligência do Glen, devo confessar. Aquela desculpa esfarrapada era boba demais para ele cair assim. Então achei melhor ir na onda da sua lógica. Continuei sério e soltei um suspiro.
-Odeio admitir isso, mas você está certo... Eu estou precisando foder aquela mulher pelo menos uma vez. - comentei como se fosse uma confissão sincera. Não que fosse mentira. Tesão que eu tinha pela Lola era descomunal, mas o meu orgulho conseguia ser ainda maior. Eu não daria o braço a torcer para essa abusada.
-Sabia que você não ia resistir a ela. - ele comentou.
-Resistir a quem? - ouvi a voz sensual e confiante da maldita atrás de mim.
Me virei em sua direção e pude perceber que ela aparentava estar bem mais confiante do que a poucos minutos atrás. Miley estava com áurea de mulher poderosa recuperada, como se nada tivesse dado errado nessa noite. Era óbvio que ela ainda deveria estar nervosa com toda a situação e por isso veio sondar como estava a integridade da sua preciosa dupla identidade. No entanto, ela estava sabendo fingir como ninguém, que tudo estava nos conformes. Glen alargou o seu sorriso para ela.
-Lola... Estava fugindo de mim? - ele brincou, com aquele jeito galanteador dele.
-Fugindo de um homem como você? Nunca. - ela respondeu, fazendo questão de falar de uma forma tão charmosa, que me deu vontade de tirá-la dali agora mesmo.
Glen, obviamente, gostou da resposta que recebeu. Miley fazia questão de manter com contato visual com o meu amigo de uma forma que estava me deixando extremamente incomodado. Eu nem sei porque isso me surpreende, sendo do feitio de uma mulher como ela. Por um momento, eu realmente senti inveja do Glen por ter provado essa mulher, a ponto de estar tão encantado com os seus charmes. Ela deve ser, no mínimo, um furacão em pessoa. Destruindo e deixando rastros por onde passava. Não é a toa que os homens se comportam tão hipnotizados pela Lola.
-Eu disse ao Glen que você está aqui, porque eu te contratei hoje a noite. - Miley me encarou surpresa, mas tentou manter a discrição. - Expliquei que você estava fingindo de ser uma nova namorada minha para a minha amiga Demi e seus amigos. E que inventamos um nome novo para te apresentar para eles, não é?
-Ah claro! Glen, você quase estragou todo o plano! Para eles não era Lola. - eu acenti com a cabeça para reafirmar a mentira. - O nome é Miley.
-Miley? - ele perguntou e nós dois afirmamos com a cabeça. - É um lindo nome. Combina com você, Lola. - comentou e, ridicularmente, Miley abriu um sorriso tão grande que eu não tinha visto. Não é possível que ela esteja mesmo a fim dele, né? Não... Isso deve ser coisa da minha cabeça. Acorda Nick! Eles já transaram. Apenas isso.
O chato do Mateo apareceu mais uma vez atrás da Miley. Dessa vez a chamando pelo nome e, graças à nossa mentira, Glen não estranhou nem um pouco. Miley trocou olhares cúmplices comigo antes de ir conversar com o seu vizinho. Acho que ela estava querendo dizer que ia se livrar dele antes de se complicar, pois pouco tempo depois ele se despediu e foi embora.
É engraçado ver que de repente, nós dois nos esquecemos das nossas brigas, para nos unirmos e concentrarmos numa mentira. É claro que isso só seria de interesse da Lola, mas eu quando eu vi a sua cara de desespero para mim, eu pude sentir o peso do tamanho do problema que havia arranjado para ela. Nós tínhamos um trato que eu não revelaria a sua vida dupla para ninguém. E mesmo sem querer, estava prestes a quebrar a minha palavra. Fala sério, eu detesto essa mulher, mas eu não sou sádico o suficiente para ficar quieto assistindo o circo pegar fogo, sabendo que era tudo culpa minha.
Glen finalmente tocou o assunto de que tanto queria falar ao telefone. Os investimentos que ele tanto estava entusiasmado de falar sobre. Ele disse que eu deveria usar parte do meu premio do poker nesses investimentos e não nego que achei uma excelente ideia. Eram empreendimentos novos, mas que tinham tudo para decolar. Se fossemos os pioneiros a investir, colheriamos ótimos resultados depois.
Demi realmente havia sumido. Ela e Wilmer. Provavelmente ele a levou mesmo para a sua casa, preocupado com o seu estado bem esquisito de porre. Pelo visto, eu mesmo a levaria para a casa. Miley voltou a se juntar a nós, se fingindo de interessada no assunto por mais alguns minutos.
-Hey, eu estou dirigindo hoje. Vocês querem uma carona? - Glen perguntou.
-Estou de carro hoje. Obrigado, cara. - eu agradeci.
-Nicholas, sem essa! Você deve ter bebido uma boa quantidade de cerveja hoje. Deixa de ser irresponsável. Eu levo vocês dois para o seu loft.
-Para o loft dele? - Miley perguntou confusa com o que Glen estava planejando.
-Sim, ou vocês estavam planejando ficar num hotel? - ele falava como se fosse obvio.
Eu e Lola nos olhamos por alguns segundos e acho que nós dois entendemos onde ele queria chegar. Glen claramente estava achando mesmo que hoje eu passaria a noite com a Lola. Se negássemos e pedisse para deixar a Lola e outro lugar, ele provavelmente desconfiaria do que exatamente estávamos envolvidos um com o outro. O que eu não faço para manter a minha palavra, hein?
-Não, nós vamos ficar no meu apartamento mesmo. Eu estou bem, poderia dirigir, mas já que você tanto insiste. - eu a puxei pela cintura e ela inconscientemente me lançou uma cara feia. -Vamos, Lola?
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